CAPÍTULO 104
Peter Marino
Olhar para ela era tanto um motivo de êxtase, quanto de terror. Katy despertou algo profundo em mim, que me fez se sentir o homem mais sortudo da face da terra, porém o mais miserável, por não poder contar a ela como realmente sou, pois ela não se casaria comigo.
Na verdade, é motivo de honra me casar com ela, e nem sei porque, Robert quis assim, sendo que foi o primeiro a jogar, esfregar na minha cara o meu defeito, o defeito que me faz querer me afastar, mesmo quando meu corpo arde de vontade de me aproximar dela.
Sou um homem quebrado, nunca vou poder dizer a ela que algo do passado criou um monstro dentro de mim, e preciso ficar afastado para não atacá-la, caso eu surte. Tenho um problema grave, não posso me alterar, perder o meu nível base de concentração, pois se isso acontecer, fico completamente descontrolado e posso fazer muitas coisas que eu poderia me arrepender, e jamais poderia me perdoar, caso encostasse nela num momento desses.
Maledetto do Alex, me deixou sozinho com ela, não sabia o que fazer. Ela me observava por inteiro, parecia tentar ler o meu pensamento, isso me assustava.
— Quero que me diga a verdade. Isso é possível? — parou séria na minha frente, e tentei respirar fundo.
— Eu jamais mentiria para você. — ela sorriu, então continuei — Porém, se eu não puder responder, permanecerei calado, sinto muito.
— Ousado... gosto disso! Mas deixa eu te dizer uma coisa, Peter: Se você não abrir a boca e me dizer o que está acontecendo, as coisas vão ficar piores, entendeu? — Seu jeito dominador, me apontando o dedo enquanto andava em círculos à minha volta, me fez acalmar o espírito.
— Estou tentando...
— Não sou atraente o suficiente pra você? — questionou enquanto arrumava aqueles cabelos pretos e compridos que pareciam de seda, tamanho eram o seu brilho.
— É a mulher mais bonita que eu já vi em toda a minha vida! — olhei nos seus olhos castanhos, eles brilharam muito mais, agora. — Você tem um rosto que foi desenhado, suas linhas são perfeitas, a sua pele é macia e delicada, num tom lindo, que parece que nasceu bronzeada. — quando vi eu já estava com a mão no rosto dela, desenhando com o meu dedo cada detalhe do seu perfil, e ela paralisada, olhando pra mim igual o dia em que prometi a ela que a pediria em casamento, mas quando me lembrei das respostas do Robert, tirei imediatamente a mão de lá, aquilo não poderia acontecer.
— Então porquê foge de mim como o diavolo foge da cruz? — perguntou brava, respirei fundo, pois não poderia dizer a ela toda a verdade.
— Só estou evitando problemas, Katy! O que posso dizer é que tenho um problema, não posso me alterar, pois faço coisas horríveis. O último que me irritou antes do Marcos, morreu com apenas uma das minhas mãos no seu pescoço, e Marcos você viu o que aconteceu.
— Mas que droga, que problema é esse? Cansei de te ver com outras mulheres na casa do meu pai, te vi beijando, agarrando e até entrando em um quarto uma vez, e não parecia nem um pouco estressado! — empurrou o meu peito, estava brava.
— Putas não me tiram do sério. Não me causam ciúmes, não me fazem sentir nada que altere o meu espírito. — Katy parecia querer me matar, segurou no meu pulso e começou a me puxar. — O que está fazendo?
— Me mostre que é verdade. Como é que fica quando se altera! — ela estava me levando para o jardim, acabei indo, também não queria acordar a casa toda.
Katy se agarrou no meu corpo com as pernas, bati as suas costas na cerca de madeira reforçada que ficava perto da pequena escada da entrada principal, e então percebi que faria uma loucura.
Tentei solta-la de mim, mas era impossível. Meu corpo estava quente, porém recobrei o juízo quando ouvi a voz do Capo:
— Que porra! Não mandei esperar o casamento? — nos soltamos imediatamente, Alexander estava parado na frente da escada, possuído de raiva, pensei que me mataria, assim como o pai dele quando me viu com a Katy naquele dia. — Katy, vai já para o seu quarto! O casamento ainda não aconteceu publicamente, amanhã é quarta-feira, se casam no domingo, custa esperar? — a soltei no chão, ela encarou o Alex, e estranhei quando sorriu e puxou o meu pescoço, beijando por cima da minha boca de um jeito molhado. Eu já nem sabia mais se estava provocando o Alex ou a mim, só sei que não consegui empurrá-la, Alex virou o rosto. — Já chega!
— Boa noite, irmãozinho! Boa noite Peter! — seu olhar já não era de menina, cheguei a me perguntar se Katy ainda é pura, pois é um furacão, quente e parecendo que vai explodir a qualquer momento.
— Me desculpe. Eu tentei evitar, tentei me afastar... o problema é que ela...
— Fico feliz que esteja superando. Você precisa ser feliz, precisa viver, primo! Só espere o dia certo, senão teremos que brigar antes do casamento! — ele sorriu, estava fazendo piada.
— Você mais do que ninguém, sabe o que eu passei, e sabe onde posso chegar. Ainda não descobri porque insiste que sou o marido ideal pra ela. Deveria arrancar sua irmã de perto de mim.
— Eu sei, sei muito bem. Mas acredito que sentimentos verdadeiros irão te curar, e Katy pode ser a cura. — desceu as escadas e bateu no meu ombro. — Agora tome um banho, está precisando!

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