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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 135

"Lorena"

Eu podia ver o brilho de puro deleite nos olhos do Érick. Ele estava adorando ver o amigo mais brilhante e um conquistador profissional sendo reduzido a um garoto sem habilidade com as mulheres.

- Você não conseguiu o número dela e não passou o seu para ela? Não estou te reconhecendo, Julian. Você já foi mais... atencioso. - O Érick perguntou com aquele tom de divertimento. - Que falta de eficiência para um homem de negócios do seu porte.

- Eu não acredito nisso! - O Julian bufou, jogando as mãos para o alto.

Eu tive que morder o lábio para não rir. Ele estava entre arrasado e irritado, quase ficando louco com a Marcelina. Mas o humor dele derreteu quando a Marcelina caminhou em sua direção, chegando bem perto e o puxando pela gravata.

- Foi só um mal entendido, baby, nós temos a noite inteira. - Ela deu um selinho nele e nesse momento eu não sabia se deveria socorrer o Julian ou a Adelaide, porque os dois pareciam que morreriam, mas por motivos diferentes.

- Seu mal entendido me fez atravessar a cidade, baby. - O Julian pegou a Marcelina pela cintura e os olhos da Adelaide quase pularam das órbitas. - Você poderia ter ligado para a Lolô e pedido o meu número.

- Eu nem pensei nisso. - A Marcelina sorriu, fingindo uma inocência na qual nem a Alice acreditaria.

- Adelaide, leve a mala da Srta. Cruz para cima. - Eu ordenei e vi a governanta travar o maxilar antes de obedecer.

- Não se sinta mal, baby. Eu sou difícil de rastrear mesmo. - A Marcelina soltou uma risadinha e se virou para a Adelaide, que ainda segurava a valise como se fosse um saco de lixo radioativo. - Querida, cuidado com essa mala, o zíper é sensível e meu gloss favorito está bem em cima das minhas lingeries. Se ele vazar, você vai ter que lavar a minha roupa íntima à mão.

A Adelaide não respondeu, mas eu pude ouvir o seu ranger de dentes. Ela simplesmente deu meia-volta, as costas tão rígidas que pareciam prestes a quebrar, e subiu as escadas. Eu troquei um olhar cúmplice com o Érick. A primeira fase da irritação tinha sido um sucesso total, porque se a Adelaide ficasse mais irritada que aquilo ela teria um ataque cardíaco.

Minutos depois, eu e Marcelina estávamos trancadas no quarto de hóspedes. Ela se jogou na cama king size e soltou uma gargalhada abafada no travesseiro.

- Lô! Aquela mulher vai me matar com os olhos! Ou talvez coloque veneno na minha bebida. - Ela se sentou, rindo, os olhos brilhando. - Eu amei esse plano.

- É, mas você dar esse baile no Julian não estava no plano. - Eu tentei parecer séria.

- Ah, você viu que gracinha?! O baby de terno, todo bagunçadinho, quase chorando porque eu o ignorei. - Ela respondeu e ficou claro que a Marcelina tinha os próprios planos em relação ao Julian. Eu não podia falar nada, o Érick e eu tínhamos nossos próprios planos para o Julian.

- Lina, foco! - Eu sentei ao lado dela, segurando suas mãos e baixando o tom de voz. - Eu estou rindo porque é impossível não rir com você, mas eu estou nervosa. O jantar é daqui a pouco. A Adelaide vai estar ouvindo atrás da porta ou servindo a mesa. Você precisa ser natural, mas o sussurro sobre o "ex-marido" precisa ser convinvente.

- Relaxa, amiga! - Ela apertou minha mão, ficando séria, e por um segundo a máscara de deboche caiu, revelando a amiga leal que ela era. - Eu vou fazer aquela bruxa irritante acreditar que você é a maior vigarista do mundo e que o Albelini está perdidinho por você. Ninguém mexe com a minha "best" e sai ileso.

O Julian ficou extasiado com a tarefa que recebeu, prontamente pegando o próprio guardanapo e passando lentamente por onde a gota de vinho escorreu. A Adelaide, que estava logo atrás deles, com uma visão privilegiada da cena, levou a mão à boca e engoliu o fôlego ruidosamente. Ela estava totalmente escandalizada.

- Querida, vem aqui. - A Marcelina chamou a Adelaide, que se aproximou como se mexesse engrenagens travadas. - Onde tem um lixinho por aqui?

- Você é... - A Adelaide parou e recalculou a resposta que ia dar. - Pode me dar que eu jogo fora para a senhorita.

A Marcelina ergueu a sobrancelha, olhou bem a Adelaide com a mão, vestida com uma luva impecavelmente branca, estendida.

- Tá bom! - A Marcelina deu de ombros, tirou o chiclete da boca e colocou na palma da mão da Adelaide sem nenhuma cerimônia.

O Érick e o Julian precisaram cobrir as bocas com os guardanapos para abafar o riso, enquanto eu revirava os olhos incrédula que a Marcelina tivesse feito aquilo.

- O quê, Lô? Foi ela quem mandou. - A Marcelina respondeu para mim dando uma piscadela enquanto a Adelaide se retirava com cara de nojo.

O jantar já era, desde a chegada da Marcelina, um espetáculo de horrores para a Adelaide, mas o clima esquentou ainda mais com a chegada de um novo convidado no meio da entrada. O que era só mais um elemento para irritar a Adelaide que odiava surpresas durante as refeições e convidados que se atrasavam.

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