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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 252

"Érick"

Antes que eu encontrasse as respostas para as minhas dúvidas, o dia do casamento chegou. Eu não tinha nada contra a Victória. E também não tinha nada em favor da outra. Eu havia checado a minha conta e de fato aquela mulher tinha devolvido todo o dinheiro que recebeu de mim, bem como não tinha gastado ansolutamente nada naquele cartão de crédito. No entanto, isso podia ser só uma medida desesperada para que eu fosse atrás dela. Ela queria tudo, não só uma parte. Mas eu ainda não havia checado as roupas.

- O senhor me chamou, Sr. Albelini? - O Alberto entrou no escritório.

- Sim, Alberto. Eu quero te fazer uma pergunta.

Eu desviei os olhos dos documentos que estava analidando e encarei uma das poucas pessoas em quem eu podia confiar.

- Pois não, senhor.

- O que aconteceu no dia em que eu lhe encarreguei de levar aquelas roupas e tudo o mais para... você sabe. - Eu não conseguia pronunciar o nome dela, era como se cada vez que eu o ouvia ou falava, recebesse uma facada direto no coração.

- Sim, senhor, eu sei. - O Alberto respondeu com a sua postura profissional. - Eu fiz exatamente o que o senhor mandou. Mas quando eu tentei entregar, ela recusou. Ela não aceitou nada, senhor. Então eu trouxe de volta. A D. Heloísa me viu chegar com todas aquelas coisas e perguntou o que era. Eu expliquei e ela mandou que eu colocasse tudo no mesmo lugar e do mesmo jeito que estava antes.

Eu abaixei os olhos para a minha mesa. As palavras do meu motorista pareceram um so'co no estômago. Eu não entendia porque ela não tinha aceitado nada. Entre o dinheiro e as jóias, ela teria dinheiro o suficiente para não precisar voltar tão cedo para aquela boate. Percebendo que o Alberto ainda me encarava eu limpei a garganta.

- Pode ir, Alberto. Obrigado.

- Senhor, eu não fiz o que a sua mãe mandou. - Ele falou sem se mover. - Eu tenho muito respeito pela D. Heloísa, mas eu sei que seria muito doloroso para o senhor olhar para todas aquelas coisas. O senhor nem entra mais no quarto. Além do mais, a menina Alice poderia ver e querer manter algo consigo e se o senhor visse... bem, eu não queria que se irritasse com a menina, ela também está sofrendo.

As palavras do Alberto escancararam aquela dura verdade para mim. A minha filha estava sofrendo. Eu ainda estava sofrendo. E tudo o que eu tinha era a Victória e a sua calma para tentar colocar ordem no meu mundo. Funcionou por um tempo, por que não estava funcionando agora? Tudo culpa do Julian que encheu a minha cabeça de ideias.

- E o que você fez, Alberto? - Eu perguntei, balançando a caneta entre os dedos.

- A Maria e eu organizamos tudo naquele quarto que a senhorita ocupou na ala dos funcionários. Aquele, antes do senhor mandar que ela ocupasse o quarto perto da menina Alice. Nós arrumamos tudo e trancamos o quarto. Está tudo lá, Sr. Albelini. E a chave está com a Maria.

- Quem mais sabe disso, Alberto? - Eu perguntei com um aperto no peito.

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