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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 256

"Victória"

Eu olhei para o Érick sem acreditar no que ele estava dizendo. Há mais de um mês que ele não me tocava. Ele sequer dormia comigo, o pouco tempo que passava em casa ficava trancado naquele escritório e a desculpa era sempre a mesma: a auditoria imposta pelo Balthazar De La Vega. Na verdade ele apenas me trouxe e me colocou desntro desta casa como um enfeite. Não tinha sequer se preocupado em me dar um cartão de crédito ainda.

- Érick, mas hoje é sábado! Você não fica mais em casa... - Eu tentei não elevar a minha voz e fazer uma cara de tristeza.

- Eu te avisei, Vicky, que essa auditoria consumiria muito do meu tempo. - Ele respondeu friamente.

- Eu entendo, meu querido, mas nós somos recém-casados. Eu sinto sua falta. - Eu me aproximei e toquei o seu rosto, me esforçando para sorrir. Mas ele se afastou imediatamente.

- Vicky, não é o momento para demonstrações de afeto. Nós estamos com sérios problemas na holding. - Ele parou e me encarou. - Aliás, você deveria estar preocupada também, foi a sua empresa que deixou todos os furos técnicos encontrados até agora. Me explica isso, Vicky? Como coisas tão simples estão dando errado sob os seus olhos?

- E-eu... eu não tenho ideia de como isso aconteceu, eu supervisiono o trabalho pessoalmente. Eu tenho certeza de que não é nada além de um equívoco fácil de resolver. - Eu tentei me desvencilhar do seu olhar acusatório.

- Pois então resolva. Comece a passar mais de duas horas diárias na holding e de preferência trabalhando e não na minha sala. Afinal você está sendo bem paga para não deixar furos. - O Érick disparou para mim com a voz rude e me deu as costas.

- Érick! Érick! - Eu chamei, mas ele saiu batendo a porta atrás de si.

Eu subi as escadas o mais rápido que pude e fui para o meu quarto. Me fechar na minha suíte da mansão foi o primeiro momento de verdadeiro alívio do meu dia que mal tinha começado, mas já estava me deixando com dor de cabeça. Eu me afastei da porta, desfazendo imediatamente aquele sorriso dócil e compreensivo que eu vinha sustentando há semanas na frente do Albelini e que estava cada vez mais difícil manter.

O meu rosto relaxou e eu me joguei na cama, talvez eu só precisasse dormir um pouco mais. Acordar às sete da manhã era outra coisa que eu odiava fazer, mas parecia que o Albelini não precisava dormir depois das seis da manhã e a Adelaide me lembrava todos os dias que ele exigia que os horários a mesa fossem cumpridos com pontualidade britânica.

Eu ignorei a batida na porta, eu não estava com paciência para ninguém, mas a porta foi aberta e a Adelaide entrou. Aquela mulher ignorava a minha autoridade e se comportava como a própria dona casa. Ela parou em minha frente, os braços cruzados sobre o vestido escuro de governanta e o coque severo perfeitamente alinhado. Ela me encarava a arrogante, como quem achava que tinha reconquistado a sua posição por puro mérito intelectual. Coitada!

- Sim, senhora e a senhora age bem seguindo os meus conselhos. O SDr. Albelini agora está isolado dos maus elementos. O Julian Beaumont e o Andrey d’Ávila estão cortados da rotina desta casa. S D. Heloísa está de volta a casa dela, como tem que ser. E nós assumimos as rédeas. Contudo, eu noto que o Sr. Albelini quase não fica mais em casa e... não tem dormido neste quarto. E ele parece aborrecido com os furos na empresa. Talvez a senhora tenha se descuidado do trabalho por estar determinada demais a conquistá-lo.

Soltei uma risada curta, cínica e cheia de escárnio. Olhei de relance para a Adelaide.

- Os furos técnicos são apenas um detalhe estratégico, Adelaide. Não se preocupe. - Eu menti com aquela doçura ensaiada que costumava desarmar os homens, alimentando a soberba da governanta. - A minha consultoria menor está deixando algumas brechas de propósito apenas para pressionar o Érick a me dar ainda mais espaço na Holding. Isso é normal no mercado. E ele precisa perceber que precisa de mim não só na casa, mas também na empresa. E graças aos seus conselhos, ele está cada dia mais dependente de mim.

A Adelaide assentiu com a cabeça, um sorriso soberbo desenhando-se em seus lábios severos. Ela não entendia absolutamente nada da asministração de uma empresa e a sua vaidade se confortou imediatamente com a explicação. Ela realmente acreditava que estava ajudando uma herdeira legítima e perfeita a assumir o lar tradicional dos Albelini. Era uma estúpida!

- Excelente, senhora. Uma estrutura perfeita. Mas a senhora tem que fazê-lo precisar da senhora no... no quarto também. - A governanta insinuou. Ela estava mesmo dizendo que sabia quando e onde o meu marido dormia?

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