"Victória"
Eu me virei para a Adelaide custando a crer que ela estava sendo tão atrevida.
- O que você está insinuando, Adelaide?
- Ora, senhora, me perdoe o atrevimento, mas desde o casamento que o Sr. Albelini não dorme neste quarto. Ele volta para casa tarde, se tranca no escritório e sai muito cedo todos os dias. Não há nenhum movimento... íntimo neste quarto. E um homem como ele, certamente precisa... - Eu a interrompi antes que ela começasse a me dar conselhos conjugais.
- Adelaide, não se engane com a aparência do Érick. No quarto ele não é muito exigente, se é que você me entende. Ele é bastante tradicional. - Eu apontei e a governanta anuiu.
- Certo. Eu vou continuar de olho em tudo e garantindo que as pirraças da Alice tenham fim. Ela volta da casa da avó amanhã. Sempre volta insuportável. Mas eu vou controlá-la. Aquela funcionária nova, a Maria, se mudou para o quarto ao lado da menina por ordens do patrão, mas ela age feito um robô sem emoções e não vai se meter no nosso caminho. - A Adelaide se encaminhou para a porta.
- Faça isso, Adelaide. Embora eu continue achando que o melhor para a menina é uma escola para garotas na Suíça. - E eu mandaria aquela insuportável para bem longe muito rápido.
- É, certamente uma escola para garotas a transformaria numa jovem lady. - A Adelaide concordou. - Mas acho difícil que o Sr. Albelini concorde.
- Ah, ele vai. Eu te garanto! Agora pode ir. Obrigada. - Eu respondi, sustentando a máscara de mulher bem educada e grata até que ela girasse os calcanhares e saísse do quarto.
Assim que os passos ruidosos dela sumiram no corredor, o meu sorriso de satisfação aumentou. Ela era tão estúpida! Eu peguei o meu celular pessoal de dentro do fundo falso da bolsa e disquei o número da minha prima. No terceiro toque, a voz ríspida e ansiosa da Verônica Albuquerque ecoou no alto-falante.
- Victória? Me diz que está feito. - A Verônica exigiu, a pressa na voz denunciando o desespero do exílio ao qual estava obrigada. Eu gopstava da minha prima, mas ela era uma tirana.
- Verônica, prima, calma. Eu e o Érick Albelini estamos oficialmente casados. Eu já comando esta casa com punhos de ferro. - Eu a lembrei. - E as coisas na empresa estão saindo como queremos. é questão de tempo até que todos queiram pular fora e o seu velhote possa comprar as ações a preço de banana.
- Ainda não. Mas esse sócio não vai demorar a aparecer, com tudo o que eu estou deixando pelo caminho, logo ele mesmo virá confrontar o Albelini.
- Excelente! Garanta que os furos técnicos e as brechas de auditoria colossais que você deixou propositais na consultoria vão estourar na mesa do conselho esta semana.
- Eu já preparei o terreno, Verônica. - Eu sibilei com um sorriso sádico, eu tinha muito a ganhar com a conclusão desse plano. - O mercado financeiro vai entrar em pânico. As ações do Grupo Albelini vão despencar na bolsa de valores, o império do Érick vai sangrar e, quando eles estiverem na lama, o Simão compra o controle de tudo a preço de banana. Em poucos meses, o Simão reaverá o império e com o poder que ele terá, você limpa o seu nome e nós duas dividimos o bônus. Aí eu finalmente me livro da chata da Adelaide e o Érick Albelini vai rastejar de joelhos por causa do próprio orgulho.
- Ótimo! Seja rápida. Eu não suporto ficar escondida. - A Verônica determinou e desligou.
Eu guardei o celular no bolso falso, ajeitando as mangas do vestido com total elegância. O que a Verônica não sabia era que eu tinha os meus próprios planos e ficaria com bem mais do que ela estava disposta a me dar. Antes que tudo desabasse eu arrancaria do Érick parte das ações da holding e esta casa também seria minha definitivamente.
Eu comecei a rir. Estavam todos se achando muito espertos, a Adelaide pensando que eu dependia dela, a minha prima e o Simão pensando que eu os devia obediência cega e o Albelini achando que eu era uma mulher dócil e compreensiva. Em breve cada um descobriria que apenas tinha servido aos meus próprios interesses. Vamos ver quem pode mais!

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