"Heloísa"
Eu sempre me sentia muito sozinha às segundas sem a Alice por perto com as suas perguntas sobre tudo e os seus sorrisinhos. Mas a minha neta não sorria mais, ela estava vivendo um luto doloroso pela ausência da sua Lolô. E o meu filho não se compadecia disso.
Eu também sentia falta dos dias que passei na casa do meu filho, quando a Lorena ainda estava lá e gostava da minha companhia. Eu suspirei e levei a xícara de chá aos lábios. Eu sentia saudade daquela moça, ela fazia tão bem a todos nós, era tão calorosa... mas o meu filho estava completamente cego. Aquele ingrato, nem vinha mais me visitar. E o silêncio da minha casa era a única coisa que me restava após ter sido enxotada da casa do meu filho por causa da sua pressa estúpida e da sua soberba.
Eu estava sentada à mesa jardim, observando as flores coloridas que se agitavam com o vento suave que soprava, amargando a preocupação com o sofrimento silencioso da minha neta. Eu estava tentando ajudá-la, tentando fazer algo por ela, mas eu não podia agir abertamente. Eu precisava ter calma e fazer o meu filho se dar conta de que estava sendo estúpido.
O toque estridente do meu celular pessoal cortou a calmaria jardim. Eu ergui o aparelho e o nome da Débora brilhou na tela. A minha amiga querida, a quem eu confiei a Lorena. Provavelmente ela havia voltado de alguma viagem ao exterior com o marido ou estava ligando de algum lugar da Europa. Atendi com um sorriso e pensando que poderia ir encontrá-la assim que as coisas por aqui fossem recolvidas.
- Helô, minha querida! Eu precisava te ligar, mas estive viajando por semanas. - A voz da Débora ecoou animada, transbordando aquela meiguice tão típica dela.
- Deb, que bom falar com você! Você está no país? Eu adoraria te encontrar. - Eu falei com genuíno carinho.
- Sim, eu cheguei na sexta. Venha me visitar, Helô. Você me disse que a Lorena não pode saber que nos conhecemos e eu ainda não entendi porque, mas ela estará de folga no próximo fim de semana, porque você não vem almoçar comigo e traz aquela sua netinha linda?
- Eu vou aceitar esse convite. Me espere para o almoço no sábado. - Eu confirmei com um sorriso.
- Ótimo! Assim eu te agradeço e entrego um presentinho que trouxe da minha última viagem. - A empolgação dela era contagiante.
- E você pretende me agradecer pelo quê? - Eu sorri. A Débora sempre foi uma pessoa gentil.
- Ah, Helô, a minha casa recuperou a vida. Você não imagina o milagre que aquela Lorena operou na rotina da minha mãe, é indescritível! Mas você verá no sábado. A mamãe está dócil, radiante, não implica mais com as minhas viagens e finalmente está comendo tudo sem dar um único chilique.
- Fico imensamente feliz em saber, Débora. - Eu respondi, forçando um sorriso, sentindo o peito apertar de saudade da Fada que tinha o dom de acalmar até os mais difíceis como o Érick e a D. Cecília. - A Lorena é uma jovem de extrema doçura e dedicação. Eu sabia que ela cuidaria bem da sua mãe. Estou até com um pouquinho de ciúme.
- Não fique ciumenta, Helô! Você me pediu para proteger a Lorena e você não imagina o bem que me fez. Ela faz muito mais do que cuidar da mamãe! - A Débora soltou uma risada na linha. - E agora a mamãe parece que rejuvenesceu vinte anos! Ela está empolgadíssima com a companhia da Lorena e as duas passam o dia inteiro tricotando. Ela mandou a governanta comprar quilos de agulhas e linhas. Elas estão montando juntas um enxoval inteiro, cheio de casaquinhos e sapatinhos de lã com pontos impecáveis. Você tem que ver que coisa mais linda!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite