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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 266

"Victória"

Eu dei um passo na direção do Érick, o meu rosto demonstrava toda a minha ira, eu sentia o meu pescoço queimar pelo sangue sendo bombeado rapidamente, a adrenalina da discussão correndo pelo meu corpo. Ele não ia me rebaixar e eu mostraria a ele que não tinha medo. Estava na hora de abalar a calma e a tranquilidade que ele achou que teria ao meu lado.

- Eu sou a sua esposa de papel passado, Érick! A estrutura desta casa e o respeito ao meu nome são meus direitos neste casamento! - Eu gritei de volta. - O que você pensa? Que me colocou aqui dentro só para servir como um enfeite? Você já não dorme comigo, Érick, não cumpre o básico da função de marido, e agora me chuta do mercado como se eu não passasse de uma qualquer? Você está enganado, Érick, eu sou sua esposa e quero o meu lugar resspeitado e garantido. A vagabunda oportunista era a outra!

Eu dei mais um passo em direção a ele, chegando bem perto e não só senti, como também vi. Ele exalava um perfume amargo que não era a colônia caríssima que ele usava e tinha uma mancha de batom vermelho no canto da boca. Eu o encarei com ódio. Aquele idiota estava me traindo? Quem ele pensava que era para me trair?

- Você estava com aquela vagabunda? - Eu gritei. - Não acredito! Você estava com uma prostituta barata, Érick?

- Barata com certeza ela não era. - Ele respondeu com um cinismo cortante.

Eu perdi completamente a paciência e dei um ta'pa no rosto dele. Eu já tinha sido amante de velhos ricos várias vezes, mas nunca havia sido traída e se esse maldito riquinho achava que poderia me transformar numa piada, numa daquelas mulheres patéticas que são traídas pelos maridos e aceitam tudo se fingindo de cega, ele estava enganado.

- CHEGA! - O Érick bradou, a voz alta como um trovão fazendo os cristais do lustre tremerem e me fazendo recuar um passo. - CHEGA, CARALHO! Você não vê...?

No milésimo de segundo seguinte, o Érick interrompeu o que ia dizer e desviou os olhos azuis em direção ao topo da escadaria. Eu segui o olhar dele. A Alice estava abaixada entre a balaustrada do segundo andar. A pirralha irritante estava encolhida, segurando o ursinho contra o peito, os olhos azuis arregalados de puro pânico e terror ao testemunhar a briga violenta dos adultos na sala. Ela tremia visivelmente. Aquela mimadinha provavelmente nunca havia presenciado uma discussão como essa na vidinha curta dela.

Eu olhei de novo para o Érick. Eu não estava nem aí para aquela garota, mas ver o pânico da filha pareceu desarmar o Érick, transformando a fúria dele em puro esgotamento.

A porta do quarto lateral se abriu de forma ágil, e a Maria surgiu na penumbra do corredor. Pelo menos para isso aquela mulher servia, ela era incapaz de demonstrar qualquer interesse ou emoção por qualquer pessoa ao redor, a não ser pela menina, da menina ela cuidava de forma primorosa. A Maria agiu de forma rápida: ajoelhou-se na altura da Alice, bloqueou a visão da menina com o próprio corpo, a pegou no colo e a levou às pressas de volta para o quarto.

O Érick passou a mão pelo cabelo que já estava bagunçado de forma exasperada, deu as costas para mim sem me conceder mais um único olhar e caminhou a passos ruidosos em direção ao escritório dos fundos.

- Longe de mim me meter, senhora. Eu apenas estou cumprindo as minhas obrigações de zelar pela ordem tradicional deste lar, como a senhora mesma me encarregou.

A governanta respondeu com um cinismo descarado, se aproximando com a sua habitual altivez tacanha, crente de que estava agindo para manter esta casa em ordem.

- Se me permite o conselho, a senhora deveria deixar as coisas da empresa de lado. O Sr. Albelini é um homem de negócios tradicional, ele não tolera furos contratuais no mercado. E ele aprecia mulheres que ficam fora do caminho dele, se é que a senhora me entende. Dedique-se a assumir o controle desta casa, a gerenciar a vida doméstica e a reconquistar o seu marido, que parece meio à deriva, e encomendar logo um herdeiro, só assim a senhora conseguirá mandar a Alice para aquela tradicionalíssima escola de moças na Suíça. Isso será muito bom para a garota, claro. Mas é no lar que a senhora deve fazer o seu marido dependente de si. Deixe que da empresa ele sempre cuidou muito bem. Mas me diga... o que realmente aconteceu empresa para o patrão desabar daquele jeito?

Eu encarei a estúpida da Adelaide, sustentando um sorriso falso e forçado por cima do meu ódio. Eu não via a hora de me livrar dela. A governanta achava que estava me dando conselhos de classe, cega em sua própria vaidade de que sabia mais do que qualquer um, sem fazer a menor ideia de que ela era apenas uma peça servindo aos interesses do Simão e da Verônica, que ela odiava desde o dia em que veio a tona o escândalo da traição e do filho bastardo.

- Foi apenas um erro burocrático, Adelaide. E não se preocupe, eu vou gerenciar o Érick no momento certo. - Eu menti friamente, virando as costas para subir os degraus em direção à minha suíte de hóspedes. Eu odiava aquela suíte! Eu precisava pensar, mas eu ia fazer o Érick se afogar tanto em culpa e remorso por me tratar daquele jeito que ele não apenas me colocaria em posição de destaque na empresa, mas me daria a chave da suíte master de uma vez. Eu só precisava recalibrar o meu próprio jogo.

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