"Julian"
Eu bati o copo de uísque contra a minha mesa no escritório. O Grupo Albelini estava sangrando em furos de conformidade deixados pela Victória Lemos, mas isso não era tudo. A ordem do Érick na mesa de reuniões continuava martelando no meu cérebro: Descubra quem é "A Fonte".
Mas ultimamente cada investigação que eu fazia parecia bater numa barreira invisível que não me permitia chegar ao meu objetivo. Eu ainda não sabia como a Adelaide havia conseguido provas contra a Lorena, ainda não sabia quem era o sócio que o Balthazar representava, não sabia de que inferno a Victória tinha saído e não sabia quem era a "Fonte" que andava ditando as regras na boate. Eu me sentia um incompetente!
Eu esfreguei os olhos pensando. O Barão não cederia com um simples confronto, mas isso era tudo o que me restava fazer, já que nem a criptografia daquele e-mail da "Fonte" eu conseguia rastrear. Eu peguei as chaves do carro e fui para a Boate, direto para a sala do Barão.
O Barão me recebeu, recostado na cadeira de couro, girando um anel de ouro no dedo mínimo. Ele me encarou com uma sobrancelha erguida, desfazendo o sorriso de satisfação ao notar que quem estava em sua frente não era o cliente que negociava a noite no "Trono".
- O Albelini já invadiu a minha sala com uma expressão como a sua uma vez, Beaumont. E adivinha... eu não tenho medo de nenhum de vocês. - O Barão sibilou, a voz grave descendo para um tom intimidador. - O que você quer?
- Eu não sou o Albelini, Barão! Eu sou muito mais paciente que ele e muito mais convincente. - Eu e me sentei em frente a ele. - Barão, você sabe que eu já revirei a sua vida uma vez, já conheço perfeitamente o funcionamento disso aqui, já revirei as transações dessa boate uma vez.
- Um grande pé no saco, é isso o que você é. - O Barão bufou e sorriu de repente. - Você tentou de novo, não foi? - O prazer estava escancarado no rosto dele.
- É, e você sabe o que aconteceu. Você agora está blindado. - Eu declarei e ele deu uma gargalhada. - Barão, pessoalmente eu não tenho nada contra você, eu acho o seu negócio interessantíssimo e até necessário. Mas eu não gosto de não encontrar respostas e talvez nós dois possamos chegar a um acordo e você me diz o que eu quero saber. Pode ser bem lucrativo para você.
- Eu gosto de acordos lucrativos. O que você quer saber? - Ele cruzou os braços sobre a mesa e me encarou.
- Eu fiquei pensando... a Scarlat era um excelente investimento para você, ela e a Pandora juntas... uuuuhhh... faziam os clientes gastar fortunas. Mas aí, você aceitou a demissão da Scarlat sem reclamar, com um sorriso no rosto e ainda pagou uma generosa "rescisão" patrocinada pela D. Heloísa.
- Hum, não vale a pena ficar com um funcionário insatisfeito. - Ele deu de ombros como se isso resolvesse a questão.

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