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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 271

"Lorena"

Eu caminhei apressada pelo pátio, de volta para dentro da casa, sentindo a pior e mais avassaladora sensação de sufoco da minha vida. Eu sabia do que o Carlos Eduardo era capaz, depois do que ele fez comigo, eu acreditava que ele era capaz de qualquer coisa. E eu me lembrei de uma vez que ele reuniu os amigos para agredir um homem que fez qualquer coisa que o irritou. O homem foi hospitalizado e o Carlos Eduardo jurou que tinha apenas se defendido. Eu acreditei nele. Eu realmente era uma idiota que acreditava em tudo o que ele dizia e hoje, olhando para trás, eu nem entendo porque eu me interessei por ele, para começar.

Eu entrei na casa pela porta principal, todas essas coisas passando em um turbilhão pela minha cabeça, o meu coração batendo tão forte que zumbia nos meus ouvidos. As paredes da sala começaram a girar de cabeça para baixo, eu estava completamente tonta. O terror da ameaça do Carlos Eduardo me deixou em desespero. Ele havia ameaçado a vida do meu bebê. Ele queria que eu roubasse a casa. Ele estava me ameaçando, queria me extorquir outra vez.

Eu atravessei a sala de estar arfante, o ar ficando cada vez mais rarefeito. Eu senti a náusea e dor irradiando na nuca. A minha visão borrando em pontos escuros antes de o torpor me engolir. Eu apoiei as mãos trêmulas no encosto do sofá, prestes a desabar no chão.

No exato milésimo de segundo em que o meu corpo perdeu as forças e eu desabei eu senti braços fortes me segurando. E aí tudo foi um borrão. As vozes chegavam abafadas aos meus ouvidos, mas eu não focava nas palavras, eu só sentia a dor. E no meio daquela confusão eu escutei uma voz masculina diferente.

- Moça, olha para mim! - Ele chamou. - Vai ficar tudo bem, tente se acalmar.

Eu virei os meus olhos e tentei focar naquele homem, nos traços perfeitamente simétricos do seu rosto, os cabelos alinhados e os olhos em um tom de castanho claro, expressando uma gentileza incomum. Ele me lembrava alguém. Mas antes que eu me lembrasse, o mundo ficou preto e eu apaguei.

Quando eu abri os olhos de novo, eu estava completamente desorientada. Pelo menos a sala de estar havia parado de rodar, mas a minha cabeça pesava toneladas. Eu percebi que estava deitada no sofá de linho da sala e tentei me levantar em um sobressalto de pânico, lembrando-me do muro e do Carlos Eduardo, mas uma mão firme, quente e gentil pousou suavemente no meu ombro, me mantendo deitada.

- Calma, Lorena... não tente se mover agora. - Eu ouvi a mesma voz mansa, linear e profundamente calma que eu ouvi antes de desmaiar. - Você passou por um estresse severo, mas o perigo já passou. Fique quieta.

Eu pisquei os olhos repetidas vezes, tentando focar a minha visão. Foi então que registrei o homem sentado em uma cadeira lateral, bem ao lado do sofá. Ele tinha as mangas da camisa dobradas, um estetoscópio pendurado no pescoço e uma seriedade profunda. Ele segurava o meu pulso, checando o relógio de ponteiros. Só podia ser um médico.

- Loreninha... meu Deus, que susto você nos deu! - A Dona Cecília estava em sentada em uma das poltronas da sala, segurando um copo de água com as mãos trêmulas. - O Lucas tinha acabado de entrar com as malas quando você desabou. Ainda bem que ele foi rápido e conseguiu te pegar antes que você caísse.

- Você não vai desobedecer uma ordem médica, vai? - Ele me olhou com um meio sorriso e tocou o meu ombro outra vez me fazendo me deitar.

- Eu preciso me levantar, Dr. Lucas. Eu tenho coisas a fazer e não posso ficar deitada aqui no sofá da sua mãe. - Eu tentei explicar.

- A minha mãe ficará aborrecida se você não seguir as ordens de um médico. - O Dr. Lucas afirmou. - E o seu "afazer" está bem sentadinha ao seu lado e muito aflita. - Ele sorriu, mas logo o seu sorriso sumiu. - Eu estava chegando de taxi, Lorena, percebi o seu pânico ao trancar o portão. Eu não sei o que aconteceu e não vou fazer perguntas que te machuquem, mas você precisa de repouso absoluto pelas próximas quarenta e oito horas. E eu vou garantir que você faça, pelo bem do seu bebê.

- Loreninha, o que quer que tenha acontecido, aqui dentro ninguém pode te tocar, você está segura! - A D. Cecília falou com firmeza, enquanto a governanta me oferecia um copo de água.

Mas as palavras da D. Cecília não me acalmaram, as exigências e ameaças do Carlos Eduardo voltaram a minha mente que continuava em puro pânico. Mesmo assim eu me esforcei para parecer calma, eu agradeci, aliviada pelo bebê estar salvo, mas o prazo de uma semana que o Carlos Eduardo havia me dado para conseguir o dinheiro era o novo fantasma a me assombrar.

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