"Lorena"
O que eu poderia dizer a ela? A verdade era uma só, eu tinha medo do filho dela me tirar o meu filho.
- D. Heloísa, eu escondi porque estava apavorada. O Érick me chamou de prostituta, ele me odeia. - As lágrimas voltaram para os meus olhos e eu as sequei de qualquer jeito. - Ele me proibiu de ver a Alice, de me aproximar dela... ele ameaçou chamar a polícia e acabar com a minha vida. E depois, quando eu descobri que estava grávida, tudo já tinha se complicado. E eu pensei que se ele souber desse bebê... ele usa todo o poder que tem para arrancar esse filho dos meus braços e me humilhar de novo. Eu não vou aguentar perder outro filho. Ele já me tirou a minha menina...
- Calma, Lorena, calma. O Érick jamais tiraria o seu filho de você. E eu tenho certeza que a raiva dele já está passando e vocês vão poder conversar... eu espero que você possa perdoar o meu filho algum dia. - Ela segurou a minha mão e suspirou tristemente. - Ele está sofrendo, Lorena.
- Ele me odeia, D. Heloísa.
- Ele não te odeia, ele te ama demais para conseguir te odiar. - Ela me encarou com compaixão e doçura. - Lorena, se o Érick te odiasse, ele não agiria de forma tão desesperada, ele simplesmente ignoraria a sua excistência. Mas ele não consegue, porque ele não consegue te odiar.
- D. Heloísa, ele me disse coisas horríveis... eu tenho medo que ele me tire meu filho.
- O Érick cometeu uma atrocidade monumental contra a sua dignidade e foi de uma burrice gigantesca ao se meter naquele casamento com a Victória Lemos. Ele está colhendo o que o orgulho dele semeou. Mas escute bem as minhas palavras: eu sou a avó dessa criança. Ninguém, nem mesmo o meu filho, vai tocar em um único fio de cabelo do seu bebê.
- Eu queria que fosse simples assim. O Érick tem o direito de saber que vai ter um filho e o meu filho tem direito a ter um pai. Eu me dei conta disso. Mas eu não vou permitir que ele tire o meu filho, D. Heloísa. Eu vim hoje decidida a falar com o Mariano, o advogado, e ver o que ele pode fazer para me ajudar a manter o meu filho comigo se o Érick decidir tirá-lo de mim. - Eu confessei. - Deixa eu fazer do meu jeito.
- Está bem, Lorena, mas eu vou te ajudar, não vou deixar isso acontecer. Mas agora, nós precisamos cuidar de você e do meu netinho ou netinha. Você já sabe o sexo? - Eu fiz que não. - Posso tocar? - Ela olhou para a minha barriga ansiosa e eu fiz que sim.
Ela espalmou as duas mãos com delicadeza sobre a minha barriga. A emoção brilhou em seus olhos e o meu bebê parecia saber que era um Albelini, pois ele chutou forte, bem onde a mão dela estava, como se a reconhecesse imediatamente. O sorriso no rosto dela se misturou com uma lágrima de emoção que escorreu pela sua bochecha.
- Por que você ainda não sabe se é menino ou menina? Já dá para saber. Você está de uns cinco meses? - Ela quis saber enquanto acariciava gentilmente o meu ventre.
- Isso. Mas eu não quis saber. Talvez eu mude de ideia, mas por enquanto eu estou feliz em aguardar por uma surpresa.
- Entendo. Nós vamos tirar você desta vila imediatamente, Lorena. Eu vou providenciar uma cobertura segura, com segurança privada e toda a estrutura que o meu netinho precisa para se desenvolver seguro e feliz. Você não pode ficar exposta aqui.
- Não, Dona Heloísa, eu agradeço de todo o meu coração... mas eu não vou sair da vila. Aqui é a minha casa e eu sou acolhida e protegida aqui. - Eu rebati com uma nova determinação, sustentando o olhar dela sem recuar um milímetro. - Eu vou procurar o Érick e contar a verdade, para que ele lide com o fato de ser pai sem me tirar o direito de ser mãe. Eu não quero o dinheiro dos Albelini, eu sou capaz de manter e proteger o meu bebê. Eu vou ter o meu filho aqui, no lugar que é a minha casa.

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