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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 306

"Victória"

Ah! Nada melhor que uma tarde no shopping! Eu já estava entediada naquela casa. Era mais divertido quando eu tinha a pirralha ou o Érick para infernizar. Realmente eu deveria ter feito um esforço para manter aquela chata da Adelaide, pelo menos eu teria alguma distração. Mas era tarde, ela já tinha sido descartada. Agora eu precisava conquistar aquele robô sem personalidade que era a tal Maria. Acho que ela fingia que gostava da criança só para não fazer trabalho braçal. Eu ri dos meus próprios pensamentos ao entrar de novo na casa. A preguiça e a ignorância daquela criada era exatamente o que eu precisava para virar o jogo a meu favor. Como eu não havia pensado nisso antes? A Verônica realmente tinha aprendido tudo com a minha mãe. Era igualzinha a ela.

Assim que cheguei, fui direto para a cozinha segurando uma sacola de luxo com um perfume importado caríssimo que eu havia comprado no shopping para agradar aquela criatura. Eu achava um desperdício, eu poderia dar a ela um perfume que gritasse "barato" e ela não perceberia a diferença. Assim que a Maria entrou segurando um pano de prato, com aquela cara estúpida de empregada que não se importava com os patrões, eu esbocei o meu melhor sorriso.

- Para você, Maria... por ser a única pessoa de valor e de confiança debaixo deste teto. Eu vejo as coisas e eu sei que desde que o Érick me limitou dentro desta casa, você é a única que não me olha como se eu fosse uma intrusa. - Eu confessei de forma mansa, estendendo a sacola para ela.

- Ah, senhora, não precisava! Como eu vou tratá-la como intrusa? A senhora é a esposa do Sr. Albelini, é a rainha desta casa, merece todo respeito e consideração. - A Maria falou e seus olhos brilharam ambiciosos ao tirar o perfume da sacola. - Eu até preciso me desculpar, senhora, mas as coisas são como são. Eu só cumpro ordens aqui e não posso perder meu emprego. O Sr. Albelini é um sujeito grosseiro, sem educação, mas paga muito bem, por isso eu faço tudo o que ele manda.

- Eu entendo, Maria. Vem, senta aqui comigo, vamos conversar um pouco.

- Olha, tem suco de laranja fresquinho na geladeira, a senhora quer? E eu vi que a rabugenta da cozinheira deixou aqueles petit-fours que a senhora gosta. A senhora passou a tarde fora, deve estar cansada e com fome.

- Estou mesmo. Pode me servir. - Eu já tinha conseguido a simpatia da criada para me trazer comida. Ia ser mais fácil do que eu pensei. Então eu continuei com omeu papel de injustiçada. - Sabe... o meu advogado está travando o divórcio litigioso na justiça... eu não queria me separar, Maria, mas aqueles amigos do Érick...

- Péssimas influências! Se nota a quilômetros que são dois fanfarrões irresponsáveis e vão levar o Sr. Albelini para o mal caminho. - A Maria comentou, colocando o prato de pettit-fours sobre o balcão.

- Exatamente! E por causa deles, meu filho vai perder o pai, porque eu duvido que o Érick dê atenção ao filho. Já despachou até a menina para a casa da avó.

- É sempre assim que eles fazem senhora! O meu ex também se mandou e me deixou com as duas meninas, sou mãe e pai. Agora já estão criadas, mas continuam dando preocupações. - A Maria parou em minha frente e serviu o suco.

- Então, Maria, por causa do meu herdeiro, um Albelini legítimo, eu ainda estou aqui, tentando defender os direitos do meu bebê. Mas eu me sinto tão sozinha com esses seguranças hoprríveis armados nas portas.

- Ah, são mesmo desagradáveis. - A mulher concordou comigo, estava se abrindo como uma flor na primavera. - Mas saiba, senhora que se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, conta comigo. Só que... - Ela olhou para as portas antes de continuar. - Algumas coisas, como esse lanchinho fora de hora, precisam ficar entre nós.

- Ah, Maria! Eu sabia que você era uma pessoa boa. - Eu estava exultante, a criada caiu como um patinho. - E... assim... já que você ofereceu... eu precisava de um pequeno favor... pequeníssimo mesmo... no escritório do Érick... uma coisa importante para o meu bebê... mas eu vou te recompensar muito bem por essa gentileza que vai ficar só entre nós duas.

A Maria arregalou os olhos, com a ganância de quem só se interessava pelo dinheiro e pelo salário, e pegou a sacola com movimentos rápidos e sorriu para mim.

- Ah, Dona Victória... a senhora é um anjo de decência, muito obrigada! Olha, a senhora chegou em boa hora! Eu estava aqui aflita, porque uma das minhas meninas se meteu numa confusão e acabou tendo um prejuízo. Eu estava ficando louca em pensar como eu a ajudaria. - Ela murmurou num sussurro.

- Então você me ajuda e eu te ajudo, Maria. Eu sei que você tem livre acesso ao escritório...

Capítulo 306: O preço da simpatia da criada 1

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