"Alice"
Eu subi as escadas correndo, bati a porta do quarto e a tranquei. Eu nãso ia voltar para casa com outra bruxa, não ia mesmo! O papai prometeu! Ele não podia quebrar a promessa. Estava tudo doendo, igual quando eu caía e ralava o joelho, mas doís um pouco mais. Eu fiquei pensando no que a Lolô disse comecei a chorar. Eu queria que o papai estivesse aqui só para que eu pudesse gritar com ele que eu não ia voltar para casa se não fosse do jeito que ele prometeu, com o nosso felizes para sempre.
Outra bruxa! De jeito nenhum eu ia morar com a madrasta má de novo. Eu preferia ficar trancada aqui no castelo da vovó pra sempre!
O papai não podia fazer isso com a gente. Ele não podia abandonar a nossa família. O meu irmãozinho já tinha nascido, a mágica estava pronta e o papai me prometeu na escola que voltaria logo! E se ele tivesse sido enfeitiçado de novo mesmo? Eu precisava de uma fada madrinha para fazer um desejo. Eu ia desejar que o papai voltasse sem a bruxa. Mas como eu fazia para a fada madrinha aparecer?
- Por favor, fada madrinha! - Eu pedi alto para ela ouvir, mas ela não ouviu.
Então eu me joguei na cama, chorando muito, e abracei o ursinho que o Juju me deu. Ele tinha voltado com um cheirinho tão bom da lavanderia, que eu estava dormindo abraçada com ele toda noite. Eu abracei e respirei bem fundo o cheiro do meu ursinho. E quando eu fiz isso eu arregalei os olhos. Eu lembrei! O segredo do papai!
Eu me levantei depressa e corri até o pote dos meus lacinhos de cabelo. Peguei o pote e virei ele todinho no chão, os lacinhos caíram como se fossem gotinhas coloridas de chuva e por último caiu o segredo. Eu peguei o cartão com o segredo e enfiei no bolso do meu vestido. Agora eu só precisava do telefone da vovó.
Eu sai bem devagarinho pela porta e olhei lá de cima, não tinha ninguém. Eu desci devagar e vi todo mundo no jardim dos fundos, rindo alto e brincando com o bebê. Então eu fui até a sala, o telefone da vovó estava sobre a mesinha. Eu peguei depressa e saí correndo de volta para o meu quarto, tranquei a porta de novo e me sentei na cama. Ainda bem que na casa da vovó tinha telefone igual na empresa do papai, daqueles diferentes do celular. Então eu disquei aquela sequência imensa de números com muita atenção, o coração batendo igual a um tambor, forte e rápido.
Eu coloquei o telefone no ouvido. Chamou uma vez e depois uma voz de mulher atendeu, falando em inglês. Ih, eu ainda não sabia muito inglês. O que eu ia fazer? Eu precisava falar com o papai, então eu tive uma idéia.
- Hi! - Isso eu sabia que era oi. - Érick Albelini. - Se eu falasse só o nome a moça ia entender que eu queria falar com ele, não ia?
Mas eu achei que ela não tinha entendido. Ela falou alguma coisa "moment" e rapidinho eu ouvi outra voz. Essa falava a nossa língua.
- Alô, quem fala? - Ela perguntou. Parecia boazinha.
- Oi, eu sou a Alice, a filha do Érick Albelini. Meu papai disse que se eu precisasse dele era pra deixar um recado aí que ele me ligava. - Eu falei e a maça riu.

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