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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 322

"Lorena"

Ao acordar de madrugada com o meu celular tocando em cima da mesa de cabeceira eu não imaginei que receberia aquela notícia. Quando eu escutei a voz da D. Heloísa me dando a notícia, eu pensei até que estava sonhando, o meu coração estava disparado: “O Érick voltou, Lorena. O meu filho está em casa.”

Nós havíamos passado o restante da madrugada no telefone, ambas ansiosas demais para voltar a dormir. Nós planejamos, queríamos que ele voltasse, mas não facilitaríamos as coisas para ele. A D. Heloísa organizou toda a reunião de emergência do Conselho, enquanto a Marcelina cuidava do meu bebê. O plano era uma traquinagem da D. Heloísa, manter o Érick no escuro até ele estar frente a frente comigo.

Eu havia chegado cedo ao escritório, tentando esconder toda a ansiedade que permeava a minha pele. E ao mesmo tempo, eu sentia medo, medo que ele me rejeitasse, que tivesse me esquecido, que não acreditasse em mim, que não aceitasse o nosso bebê. Mas acima de tudo eu tinha medo de ser colocada para fora outra vez. Eu tentei me manter firme, fria, como a D. Heloísa disse, mas eu quase derreti por completo naquela cadeira no exato milésimo de segundo em que escutei o rastro ruidoso de passos firmes e aquela voz que me deixava de pernas bambas ecoar na sala de reunião.

Era ele. O Érick estava ali.

As minhas mãos tremeram sutilmente e eu as prendi no meu colo, o suor frio brotou na minha nuca enquanto ouvia os rapazes festejarem o retorno do "chefe ranzinza" e a D. Heloísa dar as suas respostas afiadas.

Quando o Érick, irritado e claramente tomado por uma ansiedade que ele já não conseguia mais controlar, exigiu que o sócio se apresentasse, eu girei a cadeira, tentando conter todas as minhas emoções e fazendo um esforço hercúleo e quase doloroso para manter a minha postura de executiva. E quando eu parei de frente para ele na mesa, a minha vida inteira pareceu se resumir a nossa história. Eu só queria que fosse fácil e simples, queria só poder correr para ele, mas não era assim. Havia um abismo de tristeza, mágoa e tantas coisas entre nós.

Ver o Érick paralisado na minha frente, com as olheiras profundas e arroxeadas, os olhos azuis injetados e todos os seus sentimentos claros em seus olhos para quem quisesse ver, um amor avassalador misturado com uma saudade que parecia querer rasgar o seu peito e as lágrimas quentes brilhando nas bordas das pálpebras, quase arrancou a minha alma do peito. E quando as lágrimas dele caíram e ele nem percebeu eu soube que ele estava quebrado. Eu soube que ele sofreu tanto quanto eu.

O Julian, o Andrey e o Balthazar recolheram as pastas em silêncio absoluto e marcharam para fora da sala atrás da D. Heloísa, fechando a porta enquanto exibiam para mim os dedos literalmente cruzados, deixando clara a torcida.

Nós estávamos sozinhos a sala outra vez.

Eu estava paralisada, o meu corpo estático na ponta oposta da mesa, sustentando o olhar dele enquanto tentava desacelerar o meu coração que me traía. Eu não recuei um milímetro. Não desviei o olhar. Não emiti um único som. Eu estava pacientemente esperando que ele falasse. Eu queria ouví-lo dizer que não se importava com nada. Eu queria que ele me quisesse de volta.

Depois do que pareceu uma eternidade, o Érick se levantou e caminhou até onde eu estava e se ajoelhou ao meu lado, a sua voz saindo num sussurro rouco que me fez desmoronar.

- Lorena... por favor... diz que vai me perdoar? - Ele implorou, quebrado por dentro.

Eu me recostei na cadeira, me mantendo tão firme quanto podia, sustentando a sua agonia com a maior serenidade que consegui reunir no meu ser.

- Sente-se, Érick. Talvez, se você estiver disposto a me ouvir agora, nós possamos conversar.

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