"Érick"
As coisas não eram o que pareciam. A adrenalina disparou na minha mente no momento em que a Lorena soltou aquelas palavras. Eu levei um segundo para processar aquilo. Eu ouvi calado cada verdade dura que a Lorena jogou na minha cara, mas isso... isso mudava tudo. Que ela esteve grávida eu não tinha dúvida, mas se as coisas não eram o que pareciam, só podia significar que ela não estava com aquele homem.
Eu não consegui conter a minha satisfação e, antes que eu pudesse controlar as minhas reações, eu já estava sorrindo. Ela havia acabado de me dar o que eu mais queria desde que a vi com aquele homem, um fiapo de esperança. Ela falou com todas as letras que eu havia entendido errado, que o que eu pensei que vi não era real.
- Não era o que eu imaginei, Lorena? - Eu repeti as palavras dela num sussurro tenso e me levantei da cadeira num ímpeto.
Eu dei dois passos firmes em direção a ela e me curvei sobre a cadeira onde ela estava, ficando cara a cara com ela. Ela ainda cheirava a açúcar mascavo e coco. Eu fechei os olhos por um segundo, sendo catapultado no tempo, arremessado direto para as lembranças de nós dois. Eu senti como se agora finalmente estivesse voltando para casa de verdade. Aquela mulher era o meu lar, a minha vida, e segurava nas mãos o meu coração. Não importava o que eu tivesse que fazer, eu a teria de volta. Eu sentia como se estivesse atravessando o inferno e agora eu enxergasse os portões para a minha redenção finalmente.
- Como eu sinto a sua falta, Lorena! - A confissão me escapou sem que eu percebesse, a minha voz saiu num fio rouco e muito baixo. Eu abri os olhos e limpei a garganta, voltando ao momento. - Me diz, Lorena, o que eu vi? Abra os meus olhos. Arranque as vendas que me cegam.
- O que te cega, Albelini, é o seu orgulho! - Ela disparou e eu não podia dizer que estava errada. - O que te cega é você pensar que sabe de tudo. Você não sabe o que acontece debaixo dos seus olhos. Você enxerga apenas o que você quer ver. E é isso o que te cega.
- Você tem razão, Lorena. E esse orgulho me fez em pedaços, fez de mim o homem mais infeliz desse mundo e eu ainda estou tentando juntar os cacos. Nesse processo, o orgulho virou pó, eu sou só a sombra de um homem agora. E sobre pensar que eu sei tudo... minha mãe já fez a gentileza de me mostrar bem didaticamente esta manhã que eu sou como um cachorro correndo atrás do próprio rabo. Ela está me fazendo correr de um lado para o outro atrás de fragmentos de informação, garantindo que eu descubra só o que ela quer, garantindo que eu aprenda a lição por ter sido prepotente o suficiente para tirar conclusões e não ouvir a mulher que eu amo.
- Ela é inteligente! - A Lorena retrucou, com um leve levantar do canto da boca.
- É, vocês mulheres são criaturas muito mais espertas e inteligentes. E eu sou um completo tolo que está prestes a pegar o telefone e mandar um investigador particular descobrir o que anda acontecendo por aqui. Me parece uma solução mais fácil. - Eu declarei.
- Voce deveria ter feito isso quando a Adelaide te entregou aquela mentira. - Ela deu de ombros. - Se não confiava em mim, poderia ter mandado investigar. E provavelmente nós não estaríamos aqui agora.
- É, Lorena, eu deveria ter feito isso. E eu me arrependo por não ter feito, mas eu me arrependo ainda mais por não ter ouvido você, por ter te julgado e te condenado sem te ouvir, sem ouvir o meu coração que me dizia que aquela merda não significava nada, que pouco importava o que você tinha feito antes, se tinha feito. Eu deveria ter ouvido o meu coração que só importava que você estava comigo, que eu te amava e eu sei que você me amava também. Isso acabou, Lorena? Porque eu ainda te amo e mais do que antes. Mas e você, o que você sentia por mim deixou de existir? Eu sei que eu sou um idiota, mas...

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