"Érick"
Eu comecei a fazer contas. Pela primeira vez aquela ideia cruzou a minha mente e eu estava fazendo contas. Pela primeira vez eu pensei que o bebê dela... realmente poderia ser... meu.
- Lorena, onde está o bebê? - Eu perguntei, a voz vacilando.
- O meu bebê? - Ela retrucou com a voz fria.
- Não, Lorena. O nosso bebê! - Eu olhei para ela. - O filho que você estava esperando... é meu filho, Lorena. Não é? Me diz, Lorena, é o nosso filho? Me diz, Lorena!
A Lorena passou as mãos no rosto e olhou firme na minha direção, me fuzilando com o olhar.
- É meu bebê, Érick, porque até agora o pai dele não se importou com ele. - A minha Fada sibilou, as lágrimas finalmente vencendo as pálpebras dela e caindo livres. - O meu bebê, saudável e forte, que tem apenas um mês de vida, está sob os cuidados da Marcelina. E mesmo que eu quisesse dizer para o estúpido do pai dele que não é filho dele, eu não posso... porque o meu bebê carrega os mesmos olhos azuis do pai! Ele me faz pensar todos os dias no pai dele! Sim, seu idiota estúpido, é seu filho! E você saberia antes se tivesse me perguntado.
A revelação dela me fez sentir como se levasse um choque que me partisse ao meio. Eu senti uma mistura de pânico e amor. Senti tudo dentro de mim se quebrar e se rearranjar. Senti uma raiva crescente de mim mesmo por ter me privado daqueles meses tão preciosos. Senti a ansiedade formingando para conhecer o meu filho. E lá estava, o amor que eu sentia por aquela mulher ficando maior.
Mas eu sabia que tinha errado e que precisava merecer aquela família, precisava ser digno dela. Eu segurei as duas mãos macias da Lorena com um aperto trêmulo e suplicante, enterrando o meu rosto no colo dela, chorando humilhado e envergonhado. As minhas lágrimas de arrependimento caíam compulsavamente enquanto eu sentia a dor por todo o tempo que eu me fiz perder.
- Meu Deus... me perdoa, Lorena... por favor, me perdoa... eu não mereço vocês, mas eu não suporto não ter vocês em minha vida. - Eu implorei num soluço desesperado, despido de qualquer soberba ou arrogância. - Eu sou culpado por todos esses meses de dor e sofrimento. Eu acreditei na sujeira da Adelaide, agi como um monstro com você, eu fui até você na boate e te humilhei quando tudo o que eu queria era você de volta. Eu me afoguei na minha própria estupidez. Mas eu te amo com verdadeira loucura, Lorena. Eu quase enlouqueci esses últimos meses. E se não fosse o recado da Alice...
- Se não fosse o recado da Alice você continuaria com a cabeça enfiada num buraco! - Ela conclui com tristeza. - Você não imagina o quanto a sua mãe sofreu, o quanto a Alice sofreu... o quanto eu sofri!
- Eu quase morri longe de vocês, Lorena. Coloque as suas regras, estabeleça as suas condições, me faça rastejar... mas não me tire da sua vida! Eu quero ser o pai do nosso bebê, eu quero a nossa família... eu quero ser o homem que merece o seu amor, Lô. Me diz que nós podemos consertar isso!
A Lorena continuou estática por cinco segundos longos de agonia, seus olhos lendo os meus como se quisessem ver a minha alma, mas a minha alma estava derramada ali aos pés dela. A minha respiração era rápida contra o meu peito, mas eu senti os dedos rígidos dela cederem sutilmente e se enroscarem nos meus cabelos com um cuidado e uma doçura que faiscou no meu coração.
- Fique de pé, Érick. - Ela falou devagar, um pequeno sorriso se desenhando finalmente nos cantos da boca.
Eu me levantei devagar e ofereci a mão a ela. Eu só precisava que ela colocasse a mão na minha de novo, eu só precisava dessa certeza. E quando ela segurou a minha mão, eu a puxei para cima, a tirei da cedeira e a segurei contra o meu peito, a apertando, como medo que ela desistisse e fugisse. Aos poucos ela foi cedendo, as mãos subiram pelos meus braços e os braços dela se prenderam em mim, como um laço no meu pescoço.
- Eu juro que não vou te magoar de novo. - Eu sibilei. - Me perdoa, Lô, me perdoa. Eu te amo demais. Me diz o que você quer, o que eu preciso fazer, qual garantia te dar.
- Eu só tenho uma condição, Albelini, que você aprenda a ouvir. Que você pare de tirar conclusões precipitadas, aprenda a perguntar, a conversar. E definitivamente que você nunca mais viaje e deixe o seu único contato com umas garotinha de oito anos! Você tem ideia do quanto foi difícil arrancar esse segredo dela? E engula o seu orgulho quando se tratar de nós.
- Isso é mais do que uma só condição, Fada. - Eu brinquei com ela, ainda sentindo o meu coração como um louco no peito. Sentindo uma felicidade enorme me invadir quando ouvi um pequeno riso escapando dela.


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