"Érick"
A porta da sala de reunião foi empurrada e os outros entraram ostentando os sorrisos mais cínicos, vitoriosos e convencidos que eu já tinha visto. O Julian, o Andrey e o Balthazar De La Vega retomaram os seus assentos na mesa, enquanto a minha mãe, deslizava até a cabeceira exalando elegância e determinação.
- Vai para o seu lugar! - A Lorena falou toda mandona quando se sentou na mesma cadeira de antes e eu peguei a sua mão.
- Eu estou bem aqui, Fada. Não vou me sentar do outro lado da mesa, longe de você.
Eu me sentei ao lado dela, tentando manter a calma, mas eu estava louco para me livrar daquela reunião. Eu tentava respirar e desacelerar o coração que batia como um louco de ansiedade no meu peito. Lancei um olhar fuzilante na direção do Julian, me lembrando que ele sabia que ela estava grávida de um filho meu, mas a Lorena pigarreou sutilmente, me enquadrando com o seu olhar castanho severo. Eu prometi não brigar com ninguém e eu ia cumprir, porque eu sabia que do jeito dela seria o único jeito. Além do mais, eu estava tão feliz por ter a minha Fada de volta e por ter um filho, um filho com ela, que eu nem queria brigar, eu só queria levar a minha família para casa.
- Olha aí, Albelini... você é um bom negociador mesmo, conseguiu o perdão antes das dez da manhã! - O Julian zombou com a sua habitual ironia. - E já que você já foi perdoado e está prestes a receber muitas informações, eu gostaria de lembrá-lo do nosso acordo: nenhuma reclamação ou sentimento de raiva ou coisas afins, nenhuma briga sobre as minhas omissões e as minhas atitudes. Mente aberta e se lembre de que eu fiz tudo pensando no seu bem.
- Ah, tá, tá, Julian! A minha Fada já me advertiu que eu não posso brigar com ninguém. - Eu respondi impaciente e enquanto o Julian ria, eu me virei para a Lorena. - Onde está o nosso filho, Lorena? - A minha voz vacilou de emoção e ansiedade para conhecer o bebê. - Nós podemos trazê-lo para a sala? Eu preciso conhecer o nosso filho.
- Pode ser filha, Érick. - O Julian disparou, ele estava cheio de gracinhas.
- Menino ou menina eu já amo do mesmo jeito, idiota! - Eu respondi e a Lorena estreitou os olhos, me chamando a atenção, e eu revirei os meus.
- O bebê está em total segurança sob os cuidados da Marcelina na minha casa, Érick. O Alberto trouxe você e levou os dois. - A minha mãe respondeu. - Segure a sua ansiedade, nós temos assuntos que precisam ser resolvidos aqui e agora. A apresentação formal das ações vai acontecer agora, e nós precisamos dessa formalidade para divulgar no mercado. Trate de se concentrar nos negócios.
- Então eu vou mudar a pergunta, D. Heloísa. - Eu me virei para a minha mãe. - Onde está o sócio misterioso?
- Para onde você foi nos últimos meses, Érick? Por acaso bateu a cabeça ou algo assim? - O Balthazar perguntou com um sorriso e eu olhei para ele já fechando a minha expressão.
- Ah, minha nossa, ele não se deu conta! - O Andrey começou a rir. - E nos chama de idiotas.
- Mãe, por acaso você é o sócio...
- Eu comprei as ações, Érick, para evitar um desastre, mas decidi transferí-las para a Lorena. O Balthazar trabalhava sob minhas ordens. Mas agora, a sua nova sócia é a Lorena.
Eu me virei para a Lorena, me dando conta, com um choque de magnitudes impensadas, de que a Lorena não estava ali apenas para me encontrar. Ela sorriu e assumiu a condução da pauta de votação com uma altivez que arrancava o respeito profissional imediato de todos, principalmente do meu. Felizmente os assuntos urgentes foram resolvidos em meia hora apenas, agora eu estava livre.

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