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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 326

"Érick"

O trajeto de carro da holding até a casa da minha mãe durou cerca de vinte minutos, eu estava em êxtase, as minhas emoções pareciam estar correndo na velocidade de um trem-bala desgovernado. Eu não soltei a mão da Lorena nem por um milésimo de segundo no banco de trás. Mas estava emocionado, com o mesmo tipo de emoção que eu senti antes de ter a Alice nos meus braços pela primeira vez.

Assim que o Alberto o carro em frente a casa, eu empurrei a porta e praticamente carreguei a Lorena comigo para dentro do hall de entrada. Eu queria correr, queria gritar, queria não ter perdido todos esses meses e estava determinado a não perder nem mais um minuto.

A casa estava em completo silêncio, até que o som de saltos repicando o piso chamaram a minha atenção. A Marcelina veio do corredor da cozinha comendo uma maçã e nos encarou.

- Você perdoa muito rápido, Lô! Eu, faria sofrer uns meses. - A Marcelina sorriu. - Bem-vindo de volta, idiota!

- Você vai me fazer sofrer uns meses? - Eu perguntei para a Marcelina, pois eu conhecia bem a ferocidade dela para proteger a amiga.

- Eu queria! - Ela mordeu a maçã e veio em nossa direção. - Mas a Lô me fez prometer que eu seria boazinha com você. E sorte sua que eu gosto de você. Mas vê se não estraga tudo de novo, hein, Albelini!

- Prometo que não! - Eu garanti e recebi um abraço apertado da Marcelina. - O bebê...? - Eu perguntei sentindo o meu coração já saindo pela boca.

- Está com a Dalva no quarto. - A Marcelina respondeu.

- Ah, finalmente eu vou conhecer a Dalva! - Eu comentei e antes que eu pudesse correr pelas escadas, a Maria já estava descendo por elas, com passos lentos e nos braços dela, um rolinho de lã.

O meu filho.

O meu sangue congelou nas veias e eu fiquei paralisado. Os meus pés não se moviam e eu senti uma explosão de amor inexplicável e puro de pai que me tirou todo o ar dos pulmões. Eu cambaleei dois passos para a frente e as minhas pernas simplesmente cederam de vez. Eu desabei de joelhos no chão, com o rosto já banhado em lágrimas.

A Marria entregou o bebê para a Lorena, que se ajoelhou na minha frente com total delicadeza, depositando o peso leve do bebê nos meus braços trêmulos, que se fecharam ao redor dele com um cuidado extremo. Ele era tão frágil que eu tinha medo de quebrá-lo. Olhei para o rostinho dócil daquela criaturinha de apenas um mês e as minhas lágrimas de remorso e arrependimento transbordaram sem freio.

- Este é o seu filho, Érick! Marco Albelini. E este é o seu papai, Marco. - A Lorena nos apresentou com a voz suave.

O menino abriu os olhinhos no meu colo e me desmantelou completamente: ele ostentava os mesmíssimos grandes olhos azuis dos Albelini.

- Meu Deus... meu filho... o meu menininho... - Eu solucei baixo, quebrado por dentro, apertando o corpinho dele contra o meu tórax arfante, lamentando cada mês que eu perdi da sua jornada pela vida. As lágrimas não paravam de cair. Eu dei um beijo na cabecinha dele, de fartos cabelos castanhos. - O papai está aqui, Marco. E vai compensar todo esse tempo que esteve longe. Eu te amo, meu filho, te amo muito e vou te mostrar isso todos os dias.

A Lorena se aprooximou mais e passou os seus braços ao nosso redor. Seus olhos brilhavam com as lágrimas que ela também deixava cair. No segundo seguinte, a Alice cruzou a porta num rompante, jogou a mochila de qualquer jeito e correu direto para prender os bracinhos finos ao redor do meu pescoço, deitando a cabeça nas minhas costas e dando a sua risadinha traquina.

- Eu não disse, papai? - A pequena estava radiante de felicidade. - Que a mágica ficou pronta e o banquete agora era muito, muito maior?!

Nós começamos a rir e a Lorena puxou a Alice para ficar entre nós, a cobrindo de beijos.

- Afinal de contas, minha menina, que recado foi esse que você deixou para o seu pai? - A Lorena perguntou, mas a Alice já estava totalmente focada no irmão.

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