O carro seguia pela estrada silenciosa, mas o barulho do motor parecia gritar no meu ouvido. Diogo tinha ficado com Fernando, organizando a prisão dos capangas e cuidando de todo o resto. Eu, por algum motivo que ainda não entendi totalmente, aceitei vir com Alessandro.
Talvez fosse o cansaço ou o alívio. Até mesmo eu só quisesse distância daquele lugar o mais rápido possível.
E agora estávamos aqui, com o silêncio sufocante entre a gente.
Até que ele falou.
— Larissa... — a voz dele saiu baixa, meio hesitante. — Ele te machucou? O Enzo... enquanto você tava lá... ele fez alguma coisa com você?
Olhei pela janela por um instante, respirei fundo e depois neguei com a cabeça.
— Não... não muito. Eu tô bem. — menti um pouco. Pelo menos fisicamente.
Vi pelo canto do olho o maxilar dele travar. O músculo da bochecha se movendo, tenso. Mas ele não disse nada.
— Foi arriscado — falei, quase num sussurro. — Você ter vindo atrás de mim. Você mal tinha saído do hospital...
Hesitei, mas continuei:
— Se alguma coisa tivesse acontecido comigo, o Gabriel… ele ia precisar do pai.
Ele me olhou rapidamente, depois voltou os olhos pra estrada.
— Eu não podia ignorar o que estava acontecendo. — A voz dele saiu mais firme agora. — Se eu soubesse onde você estava desde o começo, eu teria ido atrás. No mesmo segundo.
— Mas você não devia nem estar aqui... — murmurei, me virando pra ele com a testa franzida. — Você devia estar internado ainda. Alessandro... você doou um rim!
Ele soltou um suspiro pesado.
— Eu tô bem, de verdade.
— Você sempre foi teimoso. — falei, tentando conter a preocupação na minha voz.
Ele sorriu de leve, sem tirar os olhos da estrada.
— E você me conhece bem, sabe que eu não ia te deixar.
Silêncio.
Aquela frase ecoou dentro de mim, como uma provocação silenciosa.
— Eu achava que conhecia — retruquei, mais amarga do que gostaria. — Mas você me deixou. Quando eu mais precisava. Quando eu tava grávida. Então... não sei mais quem você é.
A tensão voltou, mais forte. O ar pareceu pesar dentro do carro.
Ele abriu a boca pra responder, e eu sabia o que viria. Um pedido de desculpas, uma tentativa de justificar. Mas eu não queria ouvir, ainda não.
— Alessandro — cortei, virando o rosto pra ele, séria — você me machucou. De um jeito que eu não sei se dá pra consertar. E eu não tô preparada pra ter essa conversa. Talvez nunca esteja.
Ele fechou a boca, engolindo em seco. Apenas assentiu com a cabeça.
— A gente pode... ir em silêncio?
Ele respirou fundo e assentiu de novo.
E o silêncio voltou. Só que dessa vez, ele não doía tanto.
Era só... necessário.
O carro seguia pela estrada já mais tranquila, os primeiros raios do sol atravessando o para-brisa e dourando os meus dedos entrelaçados no colo. Eu só queria chegar no hospital. Ver o Gabriel e sentir o cheirinho dele, saber que ele estava bem.
Mas ainda havia algo preso no ar. Um silêncio que não era exatamente confortável.
Foi Alessandro quem o quebrou de novo.
— Você quer ir direto pro hospital? — ele perguntou, sem tirar os olhos da estrada.
Assenti, cansada.
— Quero. Eu preciso ver o Gabriel... saber que ele tá bem. — minha voz saiu mais baixa do que eu esperava. O cansaço me atingia como um peso concreto no peito.
Ele olhou de relance pra mim, depois voltou a encarar a estrada.
— Larissa... você precisa parar um pouco. Olha pra você, está toda suja... ainda tem sangue na sua blusa.
Olhei para mim, como se só agora estivesse percebendo. As marcas nas mangas, o cheiro metálico e seco que me dava náusea. Soltei um suspiro.
— É, eu sei. Mas eu só... — travei. Eu só queria ver meu filho.
Assenti lentamente. Por alguma razão, não fiquei surpresa. Parte de mim já sabia que ela correria ao menor sinal de risco, como sempre fez.
Virei o rosto pra ele e o olhar de Alessandro estava cravado em mim, pesado. Tinha arrependimento ali, culpa... mas também algo mais profundo. Algo que eu me recusava a identificar. Eu não podia me deixar levar por isso. Ele fez a escolha dele. Ele nos deixou.
Abri a porta sem dizer nada e saí do carro. O som dos meus passos na entrada ecoava como um lembrete de tudo que ficou pendente entre nós.
Atravessar o hall foi como andar por dentro de um álbum de memórias distorcidas. Eu conhecia cada canto daquela casa, mas não sentia saudade. O que me tomava era um aperto no peito, uma tristeza silenciosa.
Ouvi a voz dele atrás de mim, baixa, próxima demais:
— Suas coisas estão no mesmo quarto... não mexi em nada.
Engoli seco e nem olhei pra trás. Apenas subi as escadas.
A cada degrau, meu coração apertava mais. As paredes pareciam me observar. As lembranças me espreitavam de todos os cantos.
Quando abri a porta do quarto, a sensação foi quase surreal. Estava tudo ali. Como se o tempo tivesse congelado. Meus livros empilhados, o cobertor dobrado do jeito que eu gostava... até uma pulseira esquecida sobre a cômoda.
Fechei a porta com firmeza e tranquei. Queria e precisava de um momento sozinha.
Me sentei na beirada da cama e levei as mãos ao rosto. As lágrimas vieram antes mesmo que eu pudesse evitar e quando percebi, estava desmoronando.
As lembranças bateram de uma vez só, como uma onda gigante e furiosa: a dor da rejeição, o abandono, a gravidez sozinha, o medo, a força que precisei ter por dois... E agora, esse retorno forçado ao lugar onde tudo desmoronou.
Levei a mão à garganta, tentando conter o nó que apertava mais do que qualquer ferida. Mas não dava.
Me levantei cambaleando até o banheiro e sem pensar duas vezes, liguei o chuveiro.
A água gelada me atingiu com a roupa e tudo, mas eu nem senti. Era como se o mundo tivesse silenciado do lado de fora. E ali, debaixo daquela água, eu chorei.
Soluçando baixinho.
Com o peito rasgado de medo, de alívio... de confusão. Chorei pelo que vivi. Pelo que sobrevivi.
Pelo que ainda não entendi. E por aquilo que, talvez, ainda sentia mesmo que eu não quisesse.
Eu não queria estar ali. Mas estava. E precisava, de algum jeito, aguentar só mais um pouco.
Porque o que me esperava agora... era Gabriel e ele sim, era o meu lar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...