(Visão de Lorena)
O tempo parecia ter dobrado a si mesmo nos últimos meses.
A barriga redonda e firme de Milena era um lembrete diário da passagem dos dias, um contraste agridoce com o vazio que ela carregava no olhar.
Nicolas continuava um fantasma. Rafael e Alessandro tinham rastreado aquele único fio na Turquia até ele se perder no ar e depois, nada.
Era como se a terra o tivesse engolido. Minha cunhada, com seus sete meses e meio de gravidez, era uma mistura de força e fragilidade que me partia o coração.
Eu tentava ocupá-la com tudo, como preparar o enxoval, maratonar séries ridículas, planejar o chá de bebê que ela relutava em fazer.
Qualquer coisa para que os longos silêncios não dessem espaço ao pensamento que eu via pairando sobre ela.
Meu próprio corpo também mudava. Ao seis meses, a gravidez de gêmeos era uma presença inegável.
A barriga arredondada, o cansaço que vinha em ondas, mas também a alegria que Rafael e eu compartilhávamos em cada ultrassom, em cada chute coordenado que parecia uma dança interna.
Era uma felicidade que eu tentava estender para Milena, num fio de esperança compartilhada.
Hoje, porém, era um dia só nosso. Da Alana, melhor dizendo. Seus oito anos.
A minha guerreirinha, que sobreviveu a um inferno silencioso e agora sorria com os dentes faltando, cheia de planos e de uma resiliência que me inspirava.
E ela tinha um pedido muito específico para o aniversário.
— Eu quero levar um bolo para a Joyce, mamãe. Um bem bonito e cantar parabéns com ela.
Meu coração deu um nó. Como explicar a uma criança de oito anos que a pessoa que ela amava, a jovem que tinha sido sua segunda mãe, talvez nunca ouvisse aquela música?
Joyce continuava lá, naquela cama imóvel do hospital, um monumento de branco e sons eletrônicos.
Sete meses de visitas, sussurros, de contar as novidades e ver o seu corpo ficando mais magro, mais dependente dos tubos, mesmo após a retirada do respirador.
A esperança era uma chama cada vez mais fraca, abafada pelo realismo cruel dos boletins médicos.
Mas olhei para os olhos azuis e sérios da minha filha, cheios de uma fé inabalável, e não consegui dizer não.
— Claro, amor. A gente leva um bolinho especial.
Foi um cupcake pequeno, com cobertura rosa e uma única vela cor-de-rosa. Alana o carregou com as duas mãos, com a concentração de quem transporta o Santo Graal.
Rafael dirigiu, com seu olhar encontrando o meu no retrovisor, cheio de um apoio silencioso. Ele tinha sido uma rocha através de tudo isso.
Eduardo já estaria lá, como sempre estava.
O corredor do hospital parecia mais longo e frio. O ritual era o mesmo e quando entramos, encontramos Eduardo sentado na cadeira de sempre, com a postura curvada, lendo algo no celular.
Ele se levantou quando nos viu e percebi como seu rosto estava marcado pelo cansaço eterno, mas se iluminando ao ver Alana e minha barriga enorme.
— Minha aniversariante! — ele disse, pegando-a no colo em um abraço que a fez rir, e o cupcake em perigo por um segundo.
— Olha, tio Edu! É pra cantar parabéns com a Joyce! — ela anunciou, mostrando o bolinho.
Eu vi o olhar de Eduardo suavizar, com uma dor profunda passando por seus traços. Ele acariciou o cabelo dela.
— Ela vai adorar, princesa.
Rafael ficou perto da porta, com sua presença sólida observando a cena. Eu me aproximei da cama e de Joyce.
Ela parecia mais pálida hoje, ou era impressão minha? Seu cabelo, que uma enfermeira dedicada mantinha limpo e trançado, estava espalhado no travesseiro.
As mãos, sobre o lençol, finas, com as veias azuladas visíveis. O monitor cardíaco mantinha seu bip… bip… bip… monótono, com uma sinfonia da ausência.
Alana se soltou do Eduardo e veio até a beira da cama, subindo na cadeira reservada para ela.
Ela colocou o cupcake com cuidado na mesa de cabeceira, ao lado de uma foto delas duas, tirada num parque em uma vida que parecia de outro século.
— Olha, Joyce. Hoje eu faço oito anos — ela disse, com sua voz séria e clara no quarto silencioso. — Trouxe um bolinho pra gente. O Rafael e a mamãe deixaram.
Ela olhou para nós, pedindo permissão. Acenei, engolindo o nó na garganta e Rafael fez o mesmo, ainda com seus braços cruzados, seu rosto impenetrável, mas eu via a tensão em sua mandíbula.
Alana, então, com uma cerimônia que era ao mesmo tempo comovente e de cortar o coração, fincou a vela cor-de-rosa no cupcake.
Eduardo, com um isqueiro que tirou do bolso, acendeu-a. A pequena chama tremulou, um ponto de vida vibrante no meio de toda aquela inércia clínica.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...