Os mesmos olhos castanhos e doces, mas agora cercados por sombras roxas, e carregando um peso, uma resignação silenciosa que me cortou a alma.
Sete meses de coma tinham roubado não só a força do seu corpo, mas uma centelha daquela luz que ela sempre teve.
Mesmo assim, quando ela me viu, seus lábios finos e pálidos tentaram se curvar. Foi um esforço visível, mas foi um sorriso. O sorriso da Joyce.
— Olá, Ló — a voz dela saiu rouca, fraca e arrastada.
Um sussurro que exigia esforço.
Qualquer hesitação que eu tivesse evaporou. Avancei e me ajoelhei ao lado da cadeira, tomando suas mãos, tão finas e leves nas minhas.
Elas estavam frias.
— Joyce, bem-vinda à sua casa — disse, com minha voz embargada. — Você não tem ideia de como a Alana está feliz. Eu estou feliz. Vamos cuidar muito bem de você, tá?
Ela fez que sim com a cabeça, em um movimento lento e controlado. Seus olhos pularam para o Rafael atrás de mim, e ela tentou outro sorriso. Ele acenou com a cabeça, seu rosto sério, mas seus olhos eram gentis.
— Vai ser um prazer ter você aqui, Joyce — ele disse, sua voz firme oferecendo uma segurança que ela parecia precisar.
Eduardo, que tinha ficado parado com os braços cruzados, resmungou:
— Ela não quis trazer metade das coisas que o terapeuta indicou. Disse que ‘depois vê’.
Olhei para ele e meu irmão estava um caos.
A frustração de lidar com a teimosia da Joyce, somada ao cansaço de meses de vigília, estava escrita em cada linha do seu corpo.
E, no fundo dos olhos dele, aquele sentimento que ia muito além da culpa ou da responsabilidade.
Um sentimento que ele ainda não nomeava, mas que todos nós víamos.
— Eduardo, relaxa — pedi, levantando-me. — Vamos levá-la para conhecer o quarto. Está tudo pronto.
Havia dois quartos de hóspedes no andar de baixo. Preparamos o maior, com uma cama especial que Rafael conseguiu e um colchão antiescara. A janela dava para o jardim, era claro e arejado.
Empurrei a cadeira pelo corredor largo, com Eduardo seguindo atrás, como uma nuvem de preocupação ambulante.
Quando entramos no quarto, Joyce olhou em volta, seus olhos passando pela cama, a poltrona confortável, pela mesinha de cabeceira com um vaso de flores frescas que foi ideia da Alana.
— É… muito bom, Lorena. Obrigada — ela sussurrou.
— Tudo seu. O que precisar, é só pedir.
Foi então que ela virou a cabeça, com dificuldade, para olhar para o Eduardo parado na porta.
— Delegado… você não precisa ficar. Pode ir.
Ele franziu o cenho.
— Joyce…
— Sério. Vai trabalhar, faz o que você tem que fazer. Não quero… não quero mais babá — a frase saiu entrecortada, mas a determinação estava lá.
Eduardo soltou um som de exasperação.
— Não sou sua babá, deixa de ser teimosa e para de falar besteira.
— Não é besteira. Eu só não preciso mais disso…
O olhar entre eles estava carregado.
Mas, ele apenas resmungou de novo e deu meia-volta, saindo do quarto com passos pesados.
Eu soltei um sorriso pequeno. A dinâmica daqueles dois era a única coisa previsível naquela situação.
Joyce, tentando recuperar um pouco de independência, mesmo de uma cadeira de rodas e Eduardo, querendo controlar tudo, protegê-la de tudo, inclusive de si mesma.
Ajudei Joyce a se mover da cadeira para a poltrona, com um esforço que deixou os dois ofegantes.
Ela estava suada de cansaço depois daquele movimento simples que aprendeu no hospital.
— Precisa de mais alguma coisa? Água? Uma manta? — perguntei, ajustando um travesseiro atrás das costas dela.
Ela negou com a cabeça.
— Tá bom, Lori. Obrigada.

— Eduardo! Pode me largar! — ela gritou, ou tentou gritar, mas sua voz falhou, e o protesto saiu como um rosnado fraco.
Ela bateu os punhos fracos no peito dele, o que não deve ter doído mais que uma cócega.
— Para de ser teimosa e relaxa — ele ordenou, colocando-a com suavidade no centro da cama grande.
Ele puxou o lençol sobre ela, com uma precisão militar.
Eu não aguentei e um riso escapou dos meus lábios. A cena era ao mesmo tempo triste e hilária.
A fúria impotente dela, a determinação dele.

O efeito foi instantâneo e melhor do que eu esperava.
Joyce, por um segundo, pareceu considerar a ideia com um brilho divertido nos olhos. Mas foi Eduardo quem reagiu.
Ele se virou para mim, e seu rosto não era mais de exasperação.
Era de fúria pura e genuína. Seus olhos escureceram, e a mandíbula ficou tão tensionada que eu pude ouvir os músculos rangendo.
— Você não vai contratar ninguém — ele rosnou, com a voz baixa e perigosamente calma.
Fiquei paralisada por um segundo. A brincadeira tinha atingido um nervo que eu nem sabia que estava tão exposto.
Joyce olhou para a porta, e depois para mim, e um suspiro trêmulo escapou dela.
— Desculpa, Lori, ele… ele tá assim.
— Eu sei — murmurei, com o sorriso desaparecendo.

— Ele só se importa muito, Joyce. De um jeito todo errado, mas se importa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....