O jantar seria na varanda privativa do nosso resort, mas para isso eu precisei mudar um pouco a decoração.
Enquanto Lorena fazia um tratamento de spa na pousada, uma equipe discreta montou o cenário.
Uma mesa de madeira rústica para três, toalha branca, velas em globos de vidro para não apagarem com a brisa, e muitas lanterninhas solares penduradas nas árvores ao redor, criando um bosque de luzes cintilantes.
A trilha sonora era a própria natureza, o coro de grilos, o susurro das folhas, o rumor constante do mar.
Quando Lorena voltou, relaxada e com a pele cheirando a óleos essenciais, encontrou Alana e eu prontos para o jantar especial.
Ela vestiu uma saia leve e um top, e eu a vi prender o fôlego por um segundo ao ver a varanda transformada.
— Rafael, que lindo! — ela exclamou, com uma mão no peito. — Mas era só a gente…
— E é só a gente — assegurei, puxando a cadeira para ela. — Os três. É uma celebração.
— Do quê? — ela perguntou, sentando-se, com seu olhar percorrendo as luzes com um deslumbramento que me aqueceu por dentro.
— Da família — respondi, simples, e beijei sua testa.
O jantar foi servido por um garçom silencioso que desaparecia depois de cada prato.
A comida estava leve, deliciosa, mas eu mal conseguia prestar atenção.
Meus sentidos estavam todos sintonizados nela, no brilho dos seus olhos à luz das velas, na curva do seu sorriso, na mão que pousava de vez em quando na barriga, como para incluir os pequenos naquela festa.
Alana, do outro lado da mesa, era uma atriz nata. Comia com uma educação exagerada, fazia perguntas bobas sobre os peixes do mar, e trocava comigo olhares furtivos que só nós entendíamos.
O plano era dela.
Chegou a hora da sobremesa, com uma pequena torta de frutas tropicais. O garçom serviu e se afastou pela última vez.
O momento era agora.
Fiz um sinal quase imperceptível para Alana. Ela ficou séria, concentrada, como se estivesse prestes a pular de paraquedas.
Lorena estava levando uma colher à boca, com seu olhar perdido no mar escuro e um sorriso tranquilo nos lábios.
Então, Alana acidentalmente bateu o joelho na mesa e gemeu de dor, fingindo ser uma boa atriz mirim.
E como previsto, Lorena se virou instantaneamente, com o instinto materno em alerta máximo.
— Tudo bem, amor? Se machucou?
Foi minha deixa.
Enquanto o seu olhar estava fixo na filha, eu deslizei da minha cadeira e me ajoelhei no chão de tábuas da varanda, ao lado dela.
Minha mão direita estava fechada no bolso do meu bermudão, segurando a pequena caixa de veludo como se fosse a única âncora em um mar tempestuoso.
Lorena, vendo que Alana estava bem e com um sorriso de orelha a orelha que nada tinha de acidental, voltou o olhar para a mesa.
Para a minha cadeira vazia.
Seus olhos se encontraram com os meus, ali, no nível dela.
Ela parou. A sua respiração pareceu travar e seus olhos arregalaram, confusos, buscando entender a cena comigo de joelhos.
— Ra… — ela começou, mas a palavra morreu.
Foi quando as luzes surgiram no céu.
Era um espetáculo silencioso. Drones subiram em uníssono, formando um único ponto brilhante.
E então, como por magia, começaram a se mover e linhas de luz branca e suave desenharam letras no tapete negro do céu estrelado.
Um alívio e uma alegria tão brutais me atingiram que um riso rouco escapou da minha garganta.
Tirei o anel da caixa com mãos que tremiam levemente e peguei sua mão esquerda. Seus dedos estavam gelados e trêmulos.
Deslizei a aliança de noivado, fria e depois quente, pelo seu dedo anelar. Ela se encaixou perfeitamente.
Olhei para ela, para o anel, para ela de novo. E então me levantei, puxando-a comigo, com um cuidado infinito por causa da barriga que abrigava nossos tesouros.
Envolvi-a em meus braços, a erguendo do chão só um pouco, o suficiente para sentir seu peso, sua realidade, contra mim.
Ela enterrou o rosto no meu pescoço, seus braços me envolvendo com uma força que me surpreendeu, seu corpo tremendo de emoção.
— Eu te amo — ela sussurrou, repetidas vezes, contra minha pele. — Eu te amo tanto.
— Eu te amo mais — respondi, minha voz sumindo no seu pescoço.
Foi quando sentimos um pequeno impacto em nossas pernas. Alana, que tinha assistido a tudo com olhos arregalados e uma felicidade contagiante, não aguentava mais.
Ela se jogou contra nós, seus braços pequenos tentando abraçar nossas pernas, seu rosto esmagado contra nós.
— Vocês vão casar! Vocês vão casar! — ela gritava, e sua voz era pura celebração.
Lorena se soltou o suficiente para se abaixar, com minha ajuda, e envolver Alana no nosso abraço.
Ficamos ali, os três, cinco, na verdade, em um emaranhado de amor, lágrimas e risos, sob o céu onde os drones agora faziam uma volta de honra, desenhando corações que se dissolviam no vento.
Na varanda iluminada, com o som do mar como testemunha, eu segurava meu mundo inteiro nos braços.
Minha noiva, minha filha, meus filhos a caminho e sabia, com uma certeza absoluta que vinha do mais profundo do meu ser, que nenhuma batalha, nenhuma dívida, nenhum fantasma do passado, poderia alguma vez superar a força daquele abraço.
Eu tinha tudo e ia proteger aquilo tudo, com a minha vida, para sempre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....