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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 486

Ela fechou os olhos, parecendo exausta de corpo e alma.

— Eu sei.

— Vou deixar você descansar — disse, me aproximando da cama.

Deixei o controle remoto da TV e o celular carregado ao seu alcance na mesinha.

— Qualquer coisa, me liga ou manda mensagem. Não hesita. A Alana chega da escola em uma hora, então aproveita a paz enquanto dura.

Ela abriu os olhos e me olhou, e pela primeira vez desde que ela tinha chegado, vi uma emoção mais profunda e quente neles.

— Obrigada, Lorena. Por tudo. Por… me trazer pra cá. Não era sua obrigação.

Meu coração apertou.

Me inclinei e beijei sua testa, como tinha feito no hospital.

— Você é parte da nossa família agora, Joyce. E família a gente cuida. Sem obrigação, só por amor.

Uma lágrima teimosa escapou do canto do seu olho e se perdeu no travesseiro. Ela não disse mais nada, apenas fechou os olhos de novo.

Saí do quarto, fechando a porta silenciosamente. A casa estava quieta e procurei por Eduardo na sala, na cozinha. Nada.

Rafael estava na sala de estar, olhando para o celular com a testa franzida.

— Ele já foi embora? — perguntei.

— Foi — Rafael confirmou, erguendo o olhar. — Saiu batendo a porta da frente, parecia muito furioso. O que aconteceu lá dentro?

— Sugeri contratar um enfermeiro bonitão para a Joyce — admiti, encolhendo os ombros, mas o susto da reação do Eduardo ainda ecoava em mim.

Rafael soltou uma risada curta.

— É, aí você cutucou o urso com a vara certa. Ele tá possesso com essa situação toda. Sente que falhou com ela, e agora qualquer coisa que ameace o controle dele sobre a recuperação dela é uma declaração de guerra.

— Eu vi — murmurei, sentando-me pesadamente no sofá ao lado dele.

A gravidez, a emoção do dia, tudo pesava de repente.

— É difícil ver eles assim. Ela tão frágil, ele tão… cheio de culpa e raiva.

Rafael puxou-me para perto dele, seu braço aconchegando meus ombros.

— Eles vão encontrar o jeito deles. Ou não. Mas você deu um lar pra ela, fez sua parte. Mais do que sua parte.

Apoiei a cabeça no ombro dele, sentindo o cansaço me invadir. Fechar os olhos por apenas um segundo parecia a coisa mais maravilhosa do mundo.

Foi então que um som cortou o silêncio da tarde.

Não era um som comum.

Era o ronco agressivo de uma moto de alta cilindrada, se aproximando rápido, muito rápido, e então entrando direto na nossa garagem com um ruído de metal raspando que fez nós dois saltarmos do sofá.

— Que diabos? — Rafael disse, já em pé, seu corpo em alerta total, a mão indo instintivamente para a cintura, onde normalmente estaria sua arma, mas ele estava em casa, de bermuda e camiseta.

Meu coração disparou e trocamos um olhar de alarme, correndo para a porta que levava à garagem interna.

Rafael abriu a porta primeiro, colocando-se à minha frente, seu corpo como uma barreira.

O cenário na garagem me fez gelar.

Uma moto preta, grande e poeirenta, estava caída de lado, como se tivesse sido abandonada no último segundo.

E diante dela, de joelhos no chão de concreto, estava a figura que a tinha pilotado.

Ele estava todo de preto, com uma jaqueta de couro, coberta de poeira da estrada. O capacete preto, opaco, ainda estava na cabeça.

Seu corpo tremia violentamente, como se estivesse com um ataque.

— Nicol… — a palavra morreu na garganta de Rafael…

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