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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 472

A casa era grande demais sem ele.

Era a primeira noite que passava sem Rafael e a solidão não veio como um abraço vazio, mas como uma série de ruídos amplificados.

O estalo do forro, o zumbido da geladeira, o vento batendo em uma janela mal fechada no andar de baixo.

Cada som era um convite à ansiedade, um eco dos velhos medos que eu julguei ter soterrado.

Deitei na cama grande, afundando no lado dele, respirando o cheiro que ainda impregnava o travesseiro.

Um mês de convivência intensa, e meu corpo já estranhava a ausência física dele como se faltasse um membro.

A ansiedade, aquela companheira traiçoeira, começou a dançar na borda da minha mente.

E se algo acontecer com ele? E se os Selos não cumprirem o acordo? E se…

Respirei fundo, prendendo o ar nos pulmões e soltando devagar, como a terapeuta tinha sugerido.

Não.

Ele era Rafael, sabia se cuidar e eu não era mais a mulher assustada que precisava de um homem ao lado para dormir.

Mas a racionalidade é uma coisa, o instinto é outra.

Após me revirar por quase uma hora, desisti. Levantei em silêncio, peguei meu travesseiro e fui até o quarto da Alana.

Ela dormia profundamente, em um emaranhado de cabelos loiros espalhados no travesseiro, abraçando o unicórnio de pelúcia que a Milena lhe deu.

Apenas entrar ali, sentir a respiração calma e inocente dela, já acalmou meu coração acelerado.

Deitei ao seu lado, com cuidado para não acordá-la, e finalmente o sono veio, embalado pelo cheiro de shampoo infantil e pela certeza de que estava protegendo meu maior tesouro.

Acordei no meio da noite com uma sensação estranha. Um mal-estar baixo, profundo, que começava no estômago e subia como uma maré ácida pela garganta.

Sentei na cama rapidamente, com a mão tapando a boca.

Alana resmungou, mas não acordou.

Corri para o banheiro do quarto, me ajoelhando diante do vaso sanitário com uma familiaridade sinistra e deprimente.

O jantar voltou, violento e amargo. Meu corpo se contorceu em espasmos vazios até não restar nada além de um gosto horrível e a sensação de fraqueza nos membros.

Fiquei ali, de joelhos no piso frio, com a testa suada encostada na borda fria da porcelana.

Respirava ofegante, tentando lembrar se tinha comido nada estragado.

Seria estresse? Ansiedade pela viagem dele? Era possível.

Meu estômago sempre foi o primeiro a trair meu estado emocional.

Levantei-me com esforço, lavei a boca, escovei os dentes com força, tentando apagar o gosto e a sensação de vulnerabilidade.

Voltei para a cama da Alana, envolvendo-a com cuidado. Ela aninhou-se contra mim, ainda sonhando.

Eu fechei os olhos, focando no calorzinho dela, tentando ignorar o rolo compressor de ansiedade que agora tinha um sabor concreto.

***

O dia seguinte amanheceu cinzento e eu amanheci junto. Um mal-estar difuso pairou sobre mim como uma névoa úmida.

Não era uma dor, era uma indisposição total, um cansaço que ia até os ossos e uma náusea latejante que vinha em ondas.

Olhei no espelho do banheiro e vi uma mulher pálida, com olheiras, os cabelos sem brilho.

Era só cansaço, disse a mim mesma. Aguente, ele volta em alguns dias.

Me vesti para o trabalho, escolhendo uma blusa de seda, tentando projetar uma normalidade que não sentia.

Alana, animada com a ideia de passar o dia com a avó, não percebeu muito. Beijei minha filha, prometendo buscá-la à noite, e saí, sentindo o mundo um pouco inclinado.

Na empresa, a recepção foi… normal. Maravilhosamente normal.

A Sra. Lúcia me deu um sorriso profissional e um funcionário passando com uma pilha de caixas, acenou.

Parecia uma eternidade. Ele fazia perguntas, eu respondia com frases curtas, evitando abrir muito a boca com medo do que poderia acontecer.

Finalmente, depois de marcar uma nova reunião com Rafael para a semana seguinte, ele se levantou, apertou minha mão e saiu.

Mal a porta se fechou e o mundo desabou. A onda de náusea explodiu, incontrolável.

Saí em disparada da minha sala, ignorando o olhar surpreso de uma funcionária, e entrei no banheiro feminino, trancando-me em uma cabine.

Desta vez, foi pior.

Não havia almoço para expelir porque eu mal tinha conseguido engolir uma torrada, então meu corpo se contorceu em espasmos secos e agonizantes, arrancando apenas bile amarela e ácida que queimou minha garganta e meus olhos se encheram de lágrimas.

Fiquei curvada, ofegante, tremendo e sentindo uma vergonha avassaladora se misturar ao mal-estar físico.

Quando os espasmos passaram, fiquei de joelhos no chão frio do banheiro, exausta.

Levantei com um esforço sobre-humano, lavei o rosto com água gelada, tentando evitar meu reflexo no espelho. Mas não consegui e olhei.

Uma estranha pálida, com os olhos assustados e vermelhos, me encarava. Meus lábios estavam brancos e eu parecia… doente.

Mas era um tipo de doença que eu conhecia.

Não de agora e sim de quase oito anos atrás.

Um pensamento brotou, silencioso e devastador como uma explosão em câmera lenta. Os enjoos. A sensibilidade aos cheiros. O cansaço absurdo. A ausência do meu ciclo menstrual.

Tomava o anticoncepcional certinho porque não queria engravidar de Thales novamente… mas depois que conheci Rafael, depois de tudo o que aconteceu… esqueci completamente…

Voltei a tomar tem uma semana, mas parece que já tinha acontecido… O medo que eu tinha de engravidar de novo de Thales, sumia completamente quando Rafael me tocava.

Passei a mão no rosto, sentindo minhas mãos tremerem ainda mais…

Meu corpo gelou.

Será?

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