A casa era grande demais sem ele.
Era a primeira noite que passava sem Rafael e a solidão não veio como um abraço vazio, mas como uma série de ruídos amplificados.
O estalo do forro, o zumbido da geladeira, o vento batendo em uma janela mal fechada no andar de baixo.
Cada som era um convite à ansiedade, um eco dos velhos medos que eu julguei ter soterrado.
Deitei na cama grande, afundando no lado dele, respirando o cheiro que ainda impregnava o travesseiro.
Um mês de convivência intensa, e meu corpo já estranhava a ausência física dele como se faltasse um membro.
A ansiedade, aquela companheira traiçoeira, começou a dançar na borda da minha mente.
E se algo acontecer com ele? E se os Selos não cumprirem o acordo? E se…
Respirei fundo, prendendo o ar nos pulmões e soltando devagar, como a terapeuta tinha sugerido.
Não.
Ele era Rafael, sabia se cuidar e eu não era mais a mulher assustada que precisava de um homem ao lado para dormir.
Mas a racionalidade é uma coisa, o instinto é outra.
Após me revirar por quase uma hora, desisti. Levantei em silêncio, peguei meu travesseiro e fui até o quarto da Alana.
Ela dormia profundamente, em um emaranhado de cabelos loiros espalhados no travesseiro, abraçando o unicórnio de pelúcia que a Milena lhe deu.
Apenas entrar ali, sentir a respiração calma e inocente dela, já acalmou meu coração acelerado.
Deitei ao seu lado, com cuidado para não acordá-la, e finalmente o sono veio, embalado pelo cheiro de shampoo infantil e pela certeza de que estava protegendo meu maior tesouro.
Acordei no meio da noite com uma sensação estranha. Um mal-estar baixo, profundo, que começava no estômago e subia como uma maré ácida pela garganta.
Sentei na cama rapidamente, com a mão tapando a boca.
Alana resmungou, mas não acordou.
Corri para o banheiro do quarto, me ajoelhando diante do vaso sanitário com uma familiaridade sinistra e deprimente.
O jantar voltou, violento e amargo. Meu corpo se contorceu em espasmos vazios até não restar nada além de um gosto horrível e a sensação de fraqueza nos membros.
Fiquei ali, de joelhos no piso frio, com a testa suada encostada na borda fria da porcelana.
Respirava ofegante, tentando lembrar se tinha comido nada estragado.
Seria estresse? Ansiedade pela viagem dele? Era possível.
Meu estômago sempre foi o primeiro a trair meu estado emocional.
Levantei-me com esforço, lavei a boca, escovei os dentes com força, tentando apagar o gosto e a sensação de vulnerabilidade.
Voltei para a cama da Alana, envolvendo-a com cuidado. Ela aninhou-se contra mim, ainda sonhando.
Eu fechei os olhos, focando no calorzinho dela, tentando ignorar o rolo compressor de ansiedade que agora tinha um sabor concreto.
***
O dia seguinte amanheceu cinzento e eu amanheci junto. Um mal-estar difuso pairou sobre mim como uma névoa úmida.
Não era uma dor, era uma indisposição total, um cansaço que ia até os ossos e uma náusea latejante que vinha em ondas.
Olhei no espelho do banheiro e vi uma mulher pálida, com olheiras, os cabelos sem brilho.
Era só cansaço, disse a mim mesma. Aguente, ele volta em alguns dias.
Me vesti para o trabalho, escolhendo uma blusa de seda, tentando projetar uma normalidade que não sentia.
Alana, animada com a ideia de passar o dia com a avó, não percebeu muito. Beijei minha filha, prometendo buscá-la à noite, e saí, sentindo o mundo um pouco inclinado.
Na empresa, a recepção foi… normal. Maravilhosamente normal.
A Sra. Lúcia me deu um sorriso profissional e um funcionário passando com uma pilha de caixas, acenou.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...