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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 483

— Não fala — Eduardo implorou, suas próprias lágrimas finalmente rompendo a barreira, escorrendo por seu rosto endurecido.

Ele pegou a mão dela, com uma delicadeza infinita, e a pressionou suavemente.

— Não precisa falar. Você tá aqui. Isso é tudo que importa.

Foi então que vimos. No canto do olho direito de Joyce, uma única lágrima se formou.

Brilhante, pesada, ela deslizou lentamente pela têmpora, perdendo-se no emaranhado de seus cabelos no travesseiro.

Aquela lágrima me despedaçou. Era a prova, a alma dela, presa por tanto tempo, finalmente conseguindo enviar um sinal.

Um sinal de dor, de alívio, de confusão… mas um sinal de vida.

Eu me aproximei, minhas pernas parecendo de gelatina. As lágrimas escorriam tão rápido que eu mal enxergava.

Alana se agarrou à minha perna, chorando também, mas seus olhos estavam fixos em Joyce, cheios de um amor e um triunfo imensos.

— Joyce — eu sussurrei, minha voz irreconhecível.

Eu me inclinei e beijei sua testa, que estava fresca e suada.

— Você voltou. Você acordou. — Eu disse as palavras como se, ao pronunciá-las, eu pudesse torná-las ainda mais reais. Como se quisesse provar para mim mesma que não era um sonho.

Ela não moveu a cabeça, mas seus olhos, com um esforço monumental, se deslocaram de Eduardo para mim.

E ali, naquele olhar turvo, eu vi um reconhecimento. Um lampejo de quem ela era.

A Joyce que tinha protegido minha filha com o próprio corpo. A Joyce que ria fácil e tinha um coração maior que o mundo.

O médico entrou às pressas, seguido por Rafael e uma enfermeira. O profissionalismo deles tomou conta do quarto, afastando-nos gentilmente para examiná-la.

— Vamos dar um pouco de espaço para a equipe — Rafael disse suavemente, pousando uma mão no meu ombro e outra no de Eduardo, que parecia grudado ao chão, ainda segurando a mão de Joyce como uma tábua de salvação.

Antes de sair, eu me virei para a cama. Os médicos estavam ao redor dela, bloqueando minha visão, mas eu precisei dizer.

— Joyce, a gente tá aqui fora, tá? Nós não vamos a lugar nenhum. A Alana está aqui e nós vamos estar esperando por você. — Minha voz falhou na última frase. — Você foi muito, muito forte.

Saímos para o corredor, um grupo de sobreviventes de um naufrágio emocional.

Alana, ainda chorando, foi para os braços de Rafael, que a envolveu em um abraço protetor, seu próprio rosto marcado por uma emoção profunda.

Eduardo ficou parado diante da porta fechada, as mãos nos bolsos, o corpo ainda tremendo, seu olhar fixo no vazio, como se estivesse revivendo cada milésimo de segundo daquele despertar.

Eu encostei as costas na parede fria, deixando-a sustentar meu peso. Fechei os olhos, sentindo as lágrimas quentes escorrerem. Não eram mais lágrimas de desespero.

Eram de um alívio tão gigantesco, tão avassalador, que parecia limpar minha alma de uma dívida de culpa que eu carregava desde o dia do tiro.

Joyce estava de volta. A jornada seria longa, árdua, cheia de obstáculos. A fisioterapia, a fala, a recuperação dos movimentos… mas ela estava aqui.

Tinha aberto os olhos, derramado uma lágrima e ouvido o parabéns da minha filha.

Olhei para Alana, abraçada ao Rafael, e depois para Eduardo, aquele homem forte despedaçado por um amor que ele nem sabia que carregava.

E, pela primeira vez em meses, senti que não estávamos apenas esperando. Estávamos recebendo alguém de volta e de alguma forma, isso fazia toda a escuridão que havíamos atravessado valer um pouco mais a pena.

A luz, por mais fraca que fosse, tinha conseguido furar a escuridão.

***********

(Visão de Rafael)

O ar no terraço da minha casa estava carregado de um tipo de energia que eu quase não reconhecia.

Mas esta não era qualquer reunião. Era a ponte sendo finalizada, os dois lados do meu mundo se encontrando no meio.

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