(Visão de Mariana)
Desci as escadas mancando só um pouquinho. Meu pé doía, mas era mais um incômodo do que qualquer coisa. A mente, por outro lado… estava um caos completo.
A noite inteira foi um loop daqueles minutos na cozinha. Nós dois no chão e aquele momento na cadeira… quando ele se inclinou.
O rosto tão perto que eu consegui contar cada cílio, cada minúscula imperfeição na pele que só deixava ele mais… real. O seu cheiro, limpo e masculino, mesmo depois da confusão.
E os olhos. Deus, os olhos. Aquele castanho escuro tão profundo, passando pelo meu rosto como um toque físico.
Eu jurei que ele ia me beijar e o pior? Por um milésimo de segundo, meu corpo todo esperou por aquilo. Travou, mas não de medo e sim… antecipação.
Foi a coisa mais absurda e perigosa que já pensei.
O cara que me odeia, me trata como um móvel com função, quase me matando e quase… aquilo. Minha cabeça ainda estava zonza.
Cheguei na cozinha e parei na porta.
Ele estava lá, sentado na cabeceira, lendo algo no tablet com uma xícara de café ao lado.
A luz da manhã batia nele, e parecia… normal e impecável. Como se não tivesse passado a noite com a testa sangrando e quase nos beijando no chão da cozinha.
Meu coração deu uma acelerada besta. Eu só queria passar direto, fingir que não existia.
— Bom dia — soltei rápido, olhando pro chão, e já virei pra seguir o corredor que levava ao quarto da Laura.
Foi quando a voz dele cortou o ar.
— Mariana.
Eu congelei no lugar.
Não acreditava no que ouvi.
Ele não me chamava pelo meu nome. Nunca. Era sempre a babá, ou um “você” seco, ou só um olhar que dizia tudo.
Meu nome soou estranho saindo da boca dele e íntimo, de um jeito que não devia ser.
Me virei lentamente, enfrentando o seu olhar.
Ele havia baixado o tablet.
— Eu vou sair agora — disse, com a voz neutra e profissional. — Mas volto às dezoito horas para pegá-las para o jantar.
Eu devo ter ficado com cara de peixe fora d’água, porque ele explicou, como se estivesse falando com alguém lento.
— Você vai, é a babá da Laura. Precisa ficar de olho nela.
Ah. Claro, não era um convite.
Era uma obrigação do meu trabalho. A babá acompanha a criança, simples assim.
A esquisitice do meu nome sendo usado se dissipou, substituída por uma pontadinha de… decepção?
Não, era só alívio. Alívio por ele estar agindo normal, mantendo as paredes no lugar.
— Tudo bem — respondi, tentando soar igualmente neutra. — Nós estaremos prontas.
Ele apenas acenou com a cabeça e voltou a atenção para o tablet, me dispensando.
Soltei a respiração que não sabia que estava prendendo e subi as escadas, com o coração ainda um pouco acelerado.
Cheguei no quarto da Laura a vendo em um montinho sob os cobertores, só uns fios de cabelo castanho escuro aparecendo.
Me sentei na beirada da cama, com o coração aos poucos se acalmando. Aquele momento tinha sido um delírio. Um produto do susto, da adrenalina e do caos. Era a única explicação que fazia sentido.
Coloquei a mão no ombro quentinho da Laura e balancei levemente.
— Acorda, princesa. Tem um dia especial pela frente. Vamos escolher aquele vestido hoje, lembra?
Ela murmurou algo e se virou, abrindo um olho sonolento.
***
A casa estava num silêncio gostoso depois do almoço.
Eu tinha ajudado Eliete a limpar a cozinha, e agora a Laura estava na sala de brinquedos, totalmente imersa em construir um castelo de blocos que estava ficando alarmantemente alto.
Estava na sala de estar, organizando algumas revistas, quando o telefone fixo, um aparelho antigo e elegante na mesinha de centro, começou a tocar.
Atendi.
— Alô?
Do outro lado veio uma voz masculina, grave e cheia de uma autoridade que parecia vir de outra era.
— Onde está a Laura?
— Ela está brincando no momento — respondi, no meu tom mais profissional de babá. — Quem gostaria de saber?
Houve uma pausa carregada. Quando ele falou de novo, sua voz estava cortante e irritada.
— Você tem a obrigação de saber quem eu sou.
Eu revirei os olhos, mesmo sozinha na sala. O que era isso, um teste?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...