O alívio da notícia da morte do Genildo tinha evaporado, substituído por uma tensão nova e desconfortável.
Eu estava tentando processar o que diabos tinha acontecido entre minha irmã e o guarda-costas? quando meu celular vibrou no bolso.
Pensei que fosse a Lorena. Um sorriso involuntário começou a se formar nos meus lábios enquanto eu puxava o aparelho.
Não era ela.
Era um número desconhecido com uma mensagem de texto.
O sorriso morreu antes mesmo de nascer e abri a mensagem.
As palavras, simples e cruas, pareceram gritar da tela, apagando tudo o mais.
“Nada terminou. Você ainda está marcado.”
O sangue esfriou nas minhas veias. O barulho da minha família, os planos felizes, a preocupação com Milena… tudo virou um ruído distante.
Meus dedos se apertaram em volta do celular. Olhei instintivamente para as janelas, depois para a porta.
A sensação doce de liberdade que tinha enchido a sala minutos atrás se transformou em uma armadilha. A ameaça não tinha morrido com o Genildo, estava viva.
E, pior, sabia que eu achava que estava seguro.
(Visão de Thales)
A dor é uma batida constante, um tambor imundo marcando o fracasso. Cada pontada nas costelas, cada latejada no ombro enfaixado, é um lembrete.
Um lembrete daquele delegado desgraçado, da operação que veio como um trator no meio da noite, arrastando meses de trabalho, de dinheiro, poder.
E arrastando os homens. O Genildo era um idota, mas era útil. E agora tá morto, virado estatística no necrotério junto com os outros.
O ar do apartamento seguro cheira a medicamento e raiva estagnada. Eu estou sentado na poltrona, tentando não me mover muito, mas o fogo por dentro não deixa. Ele consome tudo, até a dor física.
Tom está parado na minha frente, ereto, com as mãos para trás. O único que sobrou com um mínimo de cérebro e lealdade.. Viu o império de areia ser varrido pelo mar.
E viu aquele merdinha, o Rafael.
O nome dele amarga na minha boca como veneno. O sobrinho de Genildo o "homem de bem". O que acha que vai roubar o que é meu. Lorena.
O pensamento nela é uma facada mais certeira que qualquer bala. Ela acha que escapou, que vai conseguir se divorciar e correr para os braços daquele desgraçado. Que pode brincar de casinha com o bom moço.
O fogo dentro de mim cresce, latejando nas têmporas.
— Tom — a minha voz sai áspera, carregada de tudo que eu não posso gritar.
Ele se concentra mais, com o olhar fixo em mim.
— Chefe.
— Rafael, o sobrinho do Genildo — Eu faço uma pausa, controlando a respiração para a dor não embaçar as palavras. — Ele tá achando que ganhou, que tudo acabou. Que pode dormir em paz agora que o tio problema virou comida de minhoca.
Engulo um gole de uísque puro. Queima na garganta, mas é uma sensação que eu controlo. Diferente das outras.
— Quero que você vá pessoalmente. Dê um jeito de mandar um recado pra ele.
Tom não pergunta o que, não hesita. Só espera. É por isso que ele ainda está de pé aqui.
— Espera — eu continuo, com os dedos apertando o copo. — Deixa ele se achar seguro. Soltar a respiração, baixar a guarda. Deixa ele acreditar que o pesadelo acabou.
Um sorriso feio e torto estica meus lábios. É difícil sorrir com o rosto inchado, mas a raiva dá um jeito.
— Quando ele menos esperar… você dá um susto. Algo que ele nunca esqueça e que faça ele entender que nada acabou. Que ele ainda está marcado e que a marca… sou eu.
Olho nos olhos de Tom. Preciso ter certeza de que ele entendeu. Não é só uma tarefa. É um aviso. O primeiro movimento para recuperar o que é meu. Tudo o que é meu.
— Nada de matar, ainda não. — Minha voz desce para um sussurro rouco. — Só quero ver o medo nos olhos dele. Quero que ele saiba que, se eu quiser, chego nele. E chego em tudo que ele ama. Ele precisa sentir a própria impotência.
Tom finalmente acena com a cabeça, uma única inclinação firme e respeitosa. O respeito que eu exijo e que ainda me é devido, mesmo ferrado nesta cadeira.
— Entendido, chefe. Vou cuidar pessoalmente no tempo certo.
— Bom. — Eu me afundo na poltrona, a exaustão da raiva começando a pesar. — Agora some. E fica quieto até a hora.
Ele vira e sai, silencioso como uma sombra. Fico sozinho com o tambor da dor e o gosto de uísque e vingança na boca.
Meu coração apertou de novo, de uma forma boa. Ele estava cuidando deles.
— Você quer uma carona até lá? — ofereci, querendo prolongar aquele frágil fio de reconexão. — Ou tá cansado?
— Cansado eu? Olha pra você — ele disse, com um toque da velha ironia protetora. — Você veio direto do trabalho. Tá com cara de quem precisa de uma noite de dez horas de sono.
Eu ri, abanando a cabeça.
— Não, tô bem. Posso te levar, sem problemas.
— Então aceito. Já ia ligar pro Maicon vir me buscar, mas é melhor ir com a minha irmã — ele sorriu, e aquilo valeu mais que qualquer coisa.
Depois da alta, com uma pasta de medicamentos na mão, o ajudei a caminhar devagar até o meu carro.
A viagem até a casa dele foi silenciosa, mas não era um silêncio pesado. Ele me guiava, dando as direções, porque eu nunca tinha ido à casa dele. A culpa antiga voltou, amarga. Quantas coisas eu tinha perdido?
Quando paramos em frente ao prédio, vi o carro dos meus pais estacionado. Ajudando Eduardo a sair e subir até o apartamento, uma emoção estranha me invadiu.
Era a primeira vez.
A primeira vez na casa do meu irmão adulto. A porta se abriu, e minha mãe estava lá, os olhos ainda inchados de preocupação, mas agora brilhando.
— Meus filhos — ela disse, com a voz embargada, puxando os dois para um abraço coletivo ali na entrada.
Meu pai veio atrás, batendo nas costas do Eduardo com afeto e me apertando o ombro. O alívio deles era quase palpável, um calor que preenchia a sala.
A casa cheirava a comida caseira. Minha mãe, claro, tinha preparado um jantar.
— Vem, Lorena, senta. Você também precisa comer — ela insistiu, carinhosa.
Mas o coração deu um salto. Alana. Eu tinha passado o dia todo fora, Joyce já devia estar saindo.
— Não dá, mãe. Preciso ir ficar com a Alana. A Joyce tem hora pra sair — expliquei, vendo uma sombra de desapontamento no rosto dela.
Eduardo, apoiado no sofá, falou.
— Quero conhecer logo essa minha sobrinha, viu? Não enrola.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...