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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 441

Diogo fez que sim com a cabeça, com uma expressão quase de pena no rosto.

— É complicado. Mulher em relacionamento abusivo é uma prisão sem grades. Difícil sair.

— Pois é. E eu não vou ser o cavaleiro branco otário. — Dei mais um gole. — Na verdade, vim falar com vocês também por isso. Vou viajar e sumir por um tempo. Tenho uns negócios pra fechar no exterior, e… bem, preciso me afastar dessa situação. Do ar dessa cidade, vai ser melhor pra todo mundo.

Alessandro me olhou fixamente, entendendo perfeitamente o que eu estava fazendo.

— Por quanto tempo?

— Uns dois, três meses. Pode ser mais. — Encolhi os ombros. — O importante é que, quando eu voltar, espero que esse capítulo esteja bem fechado. E se a Lorena ainda estiver com aquele merda, problema dela. Eu vou seguir a minha vida.

Fiquei em silêncio, deixando as palavras pairarem no ar. Os dois homens no balcão já não estavam nem fingindo mais.

Estavam claramente ouvindo e um deles até puxou o celular discretamente.

Diogo falou um pouco da mulher que estava interessado… e eu estava de olho naqueles caras. A mensagem estava sendo passada.

Para os ouvidos do Thales, eu era um cara desiludido, que tinha desistido da Lorena e estava saindo da cidade.

Eu não era mais uma ameaça, nem um aliado potencial para ela. Era um obstáculo a menos na cabeça doente dele.

Quando finalmente estava para ir embora, Alessandro me entregou um pequeno envelope… Contendo os dados que ele queria me passar. Os homens no balcão já tinham ido embora, provavelmente correndo para fazer seu relatório.

Alessandro me deu um tapinha no ombro ao sair, um gesto que dizia "boa jogada".

Fui até meu carro, liguei o motor e saí, mas em vez de ir para casa, dei voltas, checando se realmente não tinha mais ninguém me seguindo.

***

O trajeto até o aeroporto foi um jogo de espelhos. No retrovisor, dois carros se alternavam, mantendo uma distância profissional, mas constante.

Era os homens do Thales ou dos Doze Selos. Ou de ambos. No momento, tanto faz, eles estavam engolindo a isca.

Deixei o carro de um dos meus homens num estacionamento de longo prazo, peguei a mala, para manter a farsa e entrei no terminal privativo com a sensação de estar entrando em um palco.

Estava de boné baixo e casaco escuro. A imagem do executivo cansado, fugindo de um problema de coração e de cidade.

A sala VIP particular era silenciosa, com poltronas de couro e um bar discreto. Sentei-me perto da janela, de onde podia ver o jatinho do Alessandro já em posição na pista, seus motores frios mas prontos.

Fingi ler algo no celular, mas minha atenção estava dividida entre a porta da sala e os outros dois "executivos" que estavam lá dentro, tomando café com uma concentração suspeita demais para quem está apenas esperando um voo.

Eles estavam de olho. Claro que estavam.

Após uns dez minutos, levantei-me com um suspiro audível, peguei a mochila e saí da sala em direção aos banheiros privativos do setor.

A sensação de ser observado era um peso na minha cabeça.

Passei pela porta dos banheiros e, em vez de ir até os mictórios, virei à direita, para uma pequena área de serviço que dava acesso aos fundos das copas.

A porta estava entreaberta. Empurrei e entrei.

— Achei que você não ia aparecer.

(Visão de Lorena)

O médico terminou de trocar os curativos da minha mão, com sua expressão séria enquanto observava a pele vermelha e irritada.

O toque era leve, mas ainda assim fazia cócegas de dor.

— A febre baixou um pouco, mas ainda não saiu do todo — ele disse, apoiando o termômetro digital na mesa de cabeceira. — Você precisa repousar, Lorena. Seu corpo passou por um trauma violento. Não adianta a mente querer se o corpo não acompanha.

Tentei sorrir, um sorriso que deve ter parecido mais um trejeito de dor.

— Eu sei, doutor. Obrigada por tudo, vou tentar repousar melhor.

— Não tente. Faça. Você é uma mulher forte, eu vi isso nos seus olhos. Mas até os fortes precisam de tempo para se recuperar. — Ele começou a guardar seus instrumentos na maleta.

Foi então que ouvimos o som distinto de um carro se aproximando na estrada de terra, o ronco do motor crescendo.

Meu corpo inteiro travou, com o coração disparando num instinto puro de pânico. Meus olhos foram para a porta do quarto, como se esperasse vê-la se abrir com violência.

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