A pergunta caiu como uma bomba no silêncio do quarto.
Os olhos de Eduardo se fixaram em mim, frios e prontos para matar qualquer um.
— O que você quer dizer?
— Quero dizer que a vizinha que eu coloquei para vigiar ela relatou marcas no seu pescoço. Marcas de dedos, o lugar estava roxo e recentes. — Cada palavra saía como um estalo. — Ele tocou nela, não foi? Ele tá batendo na minha… na sua irmã.
Vi o policial nele se contrair e um músculo na sua mandíbula pulsou.
— Como você sabe disso? Por que você tem alguém vigiando ela?
— Porque eu me importo!
Minha voz aumentou, e eu não me importei. A fachada de controle caiu completamente. Não valia mais a pena fingir, iria abrir o jogo de vez.
— Porque eu a amo, Eduardo! Ela estava indo pedir o divórcio pra ficar comigo, e aquele filho da puta descobriu e está fazendo alguma coisa, mantendo ela presa ali dentro, não sei… ela não fala mais comigo direito e quase não está indo a empresa.
— Lorena sempre foi muito profissional, por mais que tenha acontecido algo entre a gente, ele nunca faltaria com o trabalho assim. E sim, eu vou me envolver nessa questão porque a pessoa que amo, está lá, sendo machucada por aquele filho da mãe. Que você queira ou não.
Eduardo me olhou surpreso, sua expressão de choque e incredulidade….
— Você não tem ideia com o que está se metendo, Fonseca. Isso é perigoso e você pode piorar a situação dela.
— Piorar? ELA JÁ TEM MARCA DE DEDO NO PESCOÇO! — gritei, a impotência e a raiva me engolindo. — Eu vou me meter nisso sim. Você pode escolher me ajudar e contar o que está acontecendo, o que você sabe… ou eu mesmo mando invadir aquele apartamento e tiro ela de lá à força. Escolha.
Ele me encarou, com uma batalha visível em seus olhos. O irmão protetor contra o policial que sabia que um civil emocionado podia estragar tudo. Raul se moveu um centímetro para frente, em um aviso silencioso.
— Você tem um caso com a minha irmã? — a pergunta de Eduardo saiu baixa, carregada de desaprovação e de algo mais… uma tentativa de entender.
— Tentamos evitar — admiti, com a voz voltando a um tom mais baixo, mas ainda intensa. — Mas aconteceu e não foi só… físico. Eu a amo, como nunca amei ninguém na vida. Eu só quero protegê-la. Tirar ela daquele inferno. Me ajuda a fazer isso da maneira certa.
Eduardo ficou em silêncio por um longo momento, seus olhos vasculhando meu rosto, procurando por mentiras e jogos.
Ele deve ter visto apenas a verdade crua e desesperada, porque seus ombros afundaram um pouco.
A resignação substituiu parte da tensão.
Ele suspirou, com um som pesado.
— Thales está mantendo ela sob ameaças. Ele… sequestrou a babá da Alana, a Joyce. É a moeda de troca dele. Se a Lorena se mexer, se denunciar ou tentar sair… a babá paga.
Um novo tipo de fúria, fria e calculista, brotou em mim. Sequestro, cárcere privado. Agressão. O cara era um manual do crime.
— Você já sabe onde está a babá? — perguntei, minha mente já trabalhando em planos de resgate.
— Estamos rastreando. Temos algumas pistas, levando a um sítio abandonado. A prioridade é resgatar a Joyce com vida e com segurança. Só depois podemos mover contra o Thales sem ele ter uma arma contra a Lorena. Infelizmente, até lá… ela tem que fingir que nada mudou. Ela tem que aguentar.
— Ela não vai aguentar e pode se machucar de novo! — a ideia era insuportável.
— Eu sei que é perigoso! — ele retrucou, com a voz também subindo. — Mas é o plano para ninguém se machucar de verdade. Se a gente agir agora, ele mata a Joyce e some com a Lorena e a criança. Você quer isso?
Claro que não.
Mas a ideia dela lá, à mercê daquele monstro… meu estômago embrulhava.
Desviei o olhar, encontrando Raul imóvel perto da porta, um bloco de músculo vigilante.
Eduardo deixou escapar um suspiro pesado, o som de alguém carregando o mundo nos ombros, e sentou-se novamente com seus dedos tamborilando no joelho.
— Tudo bem — a palavra saiu arrastada, relutante. — Mas é minha investigação. Você segue o que eu disser quando for sobre a minha irmã e a babá. Nenhuma ação de heroi. A vida delas não é um jogo.
— Desde que você seja transparente — contra-ataquei, mas acenei com a cabeça.
Era o que eu tinha.
— Eu também tenho informações que podem conectar os pontos.
— Os Doze Selos? Como você sabe tanto sobre eles, Fonseca? A operação que me colocou no hospital foi para derrubar justamente o braço armado deles!
— Você sabe que meu tio estava atrás de mim e como estávamos supeitando, ele realmente tinha envolvimento com os doze selos… era um simples peão, laranja e um completo idiota.
Suspirei, pensando em tudo que aconteceu, tudo por causa do meu tio.
— E desde a morte dele, alguém do mesmo grupo está atrás de mim.
Apontei para minha perna engessada.
— Isso foi um recado e o nome que surge nas minhas investigações, o cara que dá as ordens agora, é “O Notário”. Alguém que homologa, que assina o fim das discussões. Thales tem alguma coisa a ver com esse grupo, eu sei que sim.
Eduardo passou a mão no rosto, esfregando os olhos. Podia ver sua mente trabalhando a mil por hora, conectando as peças.
— Aquele desgraçado… — ele murmurou com a voz rouca. — Ele não está só ameaçando ela e sim, escondendo. Usando-a como fachada, cobertura, e agora como refém para se proteger. Se ele está desesperado a ponto de sequestrar a própria babá da filha…
Ele não terminou a frase porque não precisava. Se Thales estava com medo de ser exposto ou eliminado pelo próprio grupo, ele era uma bomba-relógio.
E Lorena estava no meio disso tudo, junto com Alana e a babá. Preciso encontrar uma forma de descobrir como resgatar todos eles.
— Exatamente.
Concordei, sentindo um alívio amargo por finalmente ter alguém que entendia a gravidade.
— E a Joyce… ela não é só uma moeda de troca contra a Lorena. Ela pode ser uma testemunha. Ele pode tê-la levado porque ela viu algo, ouviu algo sobre os negócios dele.
Eduardo assentiu, os traços do seu rosto endurecendo em uma máscara de determinação profissional.
— Isso muda tudo. Torna a recuperação da Joyce ainda mais urgente, mas também mais perigosa. Se o Thales está ligado aos Selos, ele pode ter mais recursos, mais homens…
— Por isso você não pode fazer isso sozinho, com os trâmites normais — interrompi, falando direto ao ponto. — Ele vai sentir o cheiro da polícia a um quilômetro de distância. E se ele se sentir encurralado…
******* Meninas, demorei a colocar capítulos aqui. Estava viajando nesse final de ano, então mal tive tempo para escrever e quando fazia era no celular. Mas, hoje mesmo vou enviar mais capítulos... podem aguardar. E Feliz ano novo para vocês, meus amores. Ah, outra novidade atrasada rs. Vamos ter um especial de natal da Alessandra e da Larissa. Quando liberar aqui, vou falar para vocês. Já está completa, então vocês podem ler tudo de uma vez. Um beijão!! Amo vocês.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....