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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 471

Rafael entrou por uns minutos, cumprimentou Eduardo com um aceno de cabeça silencioso e ficou parado ao pé da cama, sua presença sólida foi um contraste com a fragilidade do ambiente.

Ele não falou muito, mas seu olhar ao observar Joyce era respeitoso, quase reverente. Ele também tinha uma dívida com ela.

Na volta para casa, o silêncio no carro era pensativo.

— Ele não tá bem — comentei, olhando a cidade passar pela janela.

— Não — concordou Rafael, sua mão firme no volante. — Mas ele não vai sair dali. É a âncora dele agora. Só ela vai poder tirá-lo daquele lugar, quando acordar.

Se acordar.

A palavra não dita pairou no ar. Nós não a pronunciamos.

Era uma traição à Joyce pensar nisso.

***

Os dias seguintes foram um esforço consciente para me inserir em uma vida que parecia de outra pessoa.

O julgamento de Célia, minha ex-sogra, aconteceu rápido. Ela foi condenada por cumplicidade no sequestro e por uma série de fraudes menores que a investigação descobriu.

A sentença foi duríssima com uma prisão em regime fechado.

Algumas semanas depois, por um descuido do Eduardo que comentou algo na minha frente, soube que ela já tinha ido parar no isolamento por má conduta.

Ela estava se afundando no próprio veneno, longe de qualquer um que pudesse ser sua vítima.

Fiquei sabendo e, em vez de alívio ou satisfação, senti apenas um vazio gelado. Era o epílogo de uma história de ódio e amargura que começara muito antes de mim.

Só queria que aquilo sumisse da minha mente, como um pesadelo mal lembrado.

Apagar. Era tudo que eu queria.

Apagar Thales, apagar Célia, apagar o medo.

Foi nesse clima que decidi me encontrar com Tatiane. Tinha tanto tempo que não conversava com ela… mas não queria envolvê-la em toda loucura que estava a minha vida.

Sentei em uma cafeteria aconchegante, longe do bairro da empresa e de tudo que pudesse nos conectar ao passado recente.

Quando ela me viu, seus olhos se encheram de lágrimas imediatas, e ela me envolveu em um abraço tão forte que espremeu o ar dos meus pulmões.

— Meu Deus, Ló, meu Deus! — ela chorou, sem se importar com as pessoas ao redor. — Quando eu soube de tudo… o sequestro, que você tinha se separado… eu fiquei em pânico! Por que você não me ligou? Por que não me contou nada?

Deixei-me ser abraçada, absorvendo a calorosa e descomplicada amizade que emanava dela. Tatiane era sol, ruído, vida real.

Fez tanta falta.

— Eu… não queria envolver mais ninguém, Tati — expliquei, quando nos sentamos, com nossos capuccinos fumegantes entre nós. — A minha vida nesse momento era um imã para problemas. Você tem sua família, está começando sua vida agora… Eu tinha medo que qualquer contato meu pudesse trazer perigo para vocês. Era uma loucura.

Ela pegou minha mão sobre a mesa, com seus olhos agora sérios.

— É pra isso que serve a amizade, idiota. Pra dividir a loucura. Você passou por um inferno e eu podia ter estado aqui e te ouvido.

Balancei a cabeça, um sorriso triste nos lábios.

— Eu não conseguia falar. Nem pensar direito, era como se eu estivesse dentro de um vidro, vendo o mundo desmoronar lá fora e sem conseguir gritar. Mas olha… — respirei fundo, buscando as palavras certas. — Tá acabando. Ou pelo menos, a parte mais terrível acabou. Thales morreu e eu… já estou com alguém.

Os olhos de Tatiane brilharam de curiosidade e alívio.

— Conta! Conta tudo! Do começo!

E eu contei. Não tudo, claro, não os detalhes sangrentos nem a violência necessária para acabar com o Thales ou sobre os doze selos.

Contei do começo tímido, da atração, da proteção dele e da forma como ele cuidava da Alana. Contei sobre reencontrá-lo depois de tudo, sobre estar morando com ele.

Mantive o tom leve, focando no bem, no novo começo. Ela sorriu, chorou um pouco mais, fez mil perguntas.

Quando sai dali me senti mais leve, como se uma peça do meu eu antigo tivesse sido recolocada no lugar.

Essa leveza me acompanhou até a casa de Rafael.

Entrei, esperando o silêncio domingueiro, mas a atmosfera estava diferente. O silêncio era tenso, carregado.

Encontrei Milena na sala de estar. Ela estava sentada no sofá, não deitada como de costume.

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