(Alessandro)
Fazia muito tempo que eu não sentia esse nervosismo. Minhas mãos estavam suando, e eu não conseguia parar de encarar aquela porta branca à minha frente.
Diogo tinha me passado o endereço depois que eu insisti que eu precisava ir atrás do que queria. Eu nem sabia se queria ouvir conselhos, só sabia que precisava ver os dois.
Ajustei a gola da camisa, tentei ajeitar o buquê nas mãos e respirei fundo. Levantei a mão, prestes a bater, quando a porta se abriu de repente. Dei um passo pra trás, surpreso.
— Alessandro? — Catherine apareceu, olhando pra mim como se eu fosse um fantasma.
— Oi… — forcei um meio sorriso. — A Larissa está?
Ela olhou pro buquê de flores que eu segurava, depois de novo pra mim, com um olhar cheio de julgamento.
— Tá sim, vou chamar. Mas não força nada, ouviu? — ela disse séria, antes de gritar pelo apartamento. — Lari! Tem alguém aqui pra você.
Antes que eu pudesse responder, ela já estava indo embora, entrando no elevador e me deixando sozinho ali, no corredor.
A porta ainda estava entreaberta quando ouvi os passos leves e a voz que ainda mexia comigo.
— Alessandro...? — ela apareceu na porta. O tom surpreso, e aquele jeito dela... tão familiar.
Ela estava usando uma roupa simples, delicada. O tipo de roupa que ela sempre preferiu. Nada de exagero, só ela. Do jeitinho que eu sempre gostei, mesmo que na época eu não soubesse valorizar.
— Oi. — levantei o buquê. — São pra você.
Ela olhou pras flores e, sem disfarçar, disse com frieza…
— Eu te falei que não quero esse tipo de aproximação.
Engoli em seco. Aquela rejeição doeu mais do que eu esperava, mas não podia culpá-la.
— Eu sei. Não é isso, é só um agradecimento… por ter ficado comigo ontem no hospital.
Ela me encarou por alguns segundos, depois pegou o buquê com um gesto contido. Não me convidou pra entrar, nem me deu abertura. Mas não fechou a porta na minha cara também.
— Posso ver o Gabriel? — arrisquei, com a voz mais baixa. — Eu sei que ele tá se recuperando ainda… e que você não contou a ele. Mas… eu só queria ver ele um pouco, com calma.
Ela hesitou, eu percebi isso. Ficou ali, meio estática, e eu quase me preparei pra ouvir um “não”. Mas, por fim, ela abriu um pouco mais a porta e fez um gesto com a cabeça. Entrei em silêncio, o coração batendo forte demais no peito.
Ela fechou a porta atrás da gente, e eu vi quando deixou o buquê jogado no aparador, como se não significasse nada. E eu merecia isso, merecia até mais. Ainda assim, caminhei ao lado dela até a sala.
E ali estava ele. Deitado no sofá, com a lousa digital sobre as pernas, desenhando algo que eu não consegui entender. Ele ergueu os olhos e, quando me viu, sorriu.
— Tio Alessandro! — ele gritou, me desmontando inteiro por dentro.
— Oi, campeão. — sorri de volta, tentando conter a emoção. — Trouxe uma coisinha pra você.
Me aproximei e tirei da sacola o presente. Ele tentou se sentar, e antes que Larissa pudesse interferir, fui até ele e o ajudei com cuidado.
— Devagar, hein. O médico ainda não liberou corrida.
Ele riu, um riso leve e puro.
— O que é? — ele perguntou curioso, rasgando o pacote com a pressa de sempre.
Quando viu o Optimus Prime, ele gritou empolgado.
— É um Optimus! Mamãe, olha! Um Optimus Prime gigante!
— Quer que eu ligue ele? — perguntei, já me ajoelhando no chão com o controle.
— Sim! Liga, tio! Liga!
Apertei o botão e coloquei o caminhão no chão. A transformação começou, e o barulho do mecanismo, junto com o movimento do robô, fez Gabriel gritar ainda mais animado. O Optimus se ergueu quase na altura dele, com luzes piscando e a voz grave que dizia: “Autobots, roll out!”
— Quer ajuda? — perguntei, me levantando devagar.
Ela assentiu, exausta.
— Pode segurar ele no colo? Às vezes é mais fácil.
— Claro. — respondi, indo até ele. — Ei, campeão... quer vir aqui pro meu colo?
Ele me olhou, avaliando. Depois de alguns segundos, se arrastou pelo tapete e subiu no meu colo, enfiando o rosto no meu peito.
Aquele gesto… cara, aquilo me desmontou inteiro.
— Ele é assim mesmo? Foge de todos os remédios?
— Sempre. — Larissa suspirou, tentando parecer séria. — Mas esse nem é ruim, é de framboesa.
— Ouviu isso, Gabriel? — falei rindo. — É docinho, de framboesa. Igual balinha.
— Mentira, é ruim! — ele rebateu com a voz abafada contra meu peito.
Larissa riu, balançando a cabeça.
— Ele puxou isso de você, o mesmo tipo de teimosia. Você também nunca gostou de doce.
— Sério? — perguntei, surpreso. Um calor bom tomou conta do meu peito. — Então… ele puxou isso de mim?
— Puxou. Entre outras coisas. — ela disse, com um sorriso de canto que me desmontou de novo.
Aí ela mudou. Ficou mais firme, a voz mais reta. E eu conhecia bem aquele tom. Era o "fim da paciência" de Larissa.
— Gabriel. — ela chamou. Ele parou de se remexer e a olhou, mas ainda com a mão na boca. — Se você não tomar o remédio direitinho, vai ficar de castigo. Sem brinquedo, sem TV e nada de amiguinhos aqui no fim de semana. Entendeu?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...