(Larissa)
Depois que fechei a porta e fiquei ali parada, encostada, com os olhos fechados por uns segundos. Era tanta coisa pra processar… Alessandro ali, com o Gabriel no colo, ele dizendo tudo aquilo. E agora eu aqui, sozinha de novo, tentando manter tudo sob controle.
Fui até a cozinha, tomei um copo d’água, lavei o copinho do remédio e respirei fundo antes de ir checar meu pai, que devia estar chegando do tratamento.
Mal entrei na sala, ouvi a porta se abrindo. Ele entrou devagar, cansado, mas com aquele sorriso de sempre.
— Oi, minha filha.
— Oi, pai. — fui até ele e o abracei, com cuidado. — Como você tá?
— Tô bem. Cansado, mas bem. E você? Como estão as coisas por aqui? Fiquei sabendo que o Alessandro apareceu. — ele disse tirando os sapatos e se acomodando no sofá, com aquele jeitinho que só ele tinha de puxar assunto sem parecer que estava se intrometendo.
Suspirei e sentei no sofá ao lado dele.
— Sim… ele veio ver o Gabriel. Trouxe flores pra mim, um presente pro Gabi… ficou um tempo com ele.
— E como você tá com isso?
— Sinceramente? Confusa. Mas tentando ser racional. Agora a gente precisa resolver as coisas da guarda, organizar direitinho. Ele quer estar presente… e o Gabriel gosta dele.
Meu pai assentiu, me olhando com aquele olhar calmo que ele sempre teve.
— Você tá fazendo o certo. O Gabriel tem o direito de conhecer o pai… e você tem o direito de não querer mais nada além disso com o Alessandro, se for o caso. Só… tenta não carregar mais peso do que precisa, filha.
— É difícil, pai. Não dá pra simplesmente desligar tudo o que eu senti por ele, o que me fez passar.
— Eu sei… mas também sei o quanto você cresceu, o quanto você é forte. Só não deixa a mágoa guiar tudo, porque às vezes o que a gente precisa mesmo é de paz para seguir.
— Eu tô tentando… de verdade.
Ele sorriu, passou a mão na minha cabeça.
— Eu sei que tá. E tenho muito orgulho de você.
Meus olhos encheram d’água, mas eu respirei fundo e limpei discretamente com a manga da blusa.
— E você, me conta… como foi hoje? A quimio foi tranquila?
— Foi sim. O médico disse que meu corpo tá respondendo bem. Eu fiz os exames hoje, e o resultado sai na semana que vem. Mas tô com esperança. Sinto que dessa vez… vai dar certo.
— Amém, pai. — sorri, aliviada. — Você tá mais corado hoje, parece até mais forte.
— É o amor que recebo aqui nessa casa. Isso cura qualquer coisa. — ele disse brincando, e eu ri, mesmo com a garganta apertada.
— Você sabe que eu tô aqui pra tudo, né? Que se precisar de mim, qualquer coisa…
— Eu sei, meu bem. Mas agora, você precisa descansar também. Hoje foi um dia cheio.
— Foi. Mas ver você melhor já é um alívio imenso.
Ele se ajeitou no sofá, fechando os olhos um pouco, e eu encostei a cabeça no ombro dele, em silêncio. A casa estava em paz. Gabriel dormia no quarto, meu pai ali do meu lado. E por mais confuso que meu coração estivesse, naquele momento… tudo parecia um pouco mais suportável.
***
Acordei cedo, bem antes do Gabriel. O sol ainda nem tinha subido direito, e mesmo assim, meu coração já batia acelerado.
Fui até a cozinha e comecei a preparar o café da manhã preferido do Gabriel. Pão quentinho com queijo derretido, suco de uva e um potinho com pedaços de banana e mamão, do jeitinho que ele gostava. Coloquei tudo numa bandeja e respirei fundo, encarando o prato antes de subir.
Era hoje.
A casa estava silenciosa, só o barulhinho do vento do lado de fora. Empurrei a porta do quarto dele com o ombro e entrei. Gabriel dormia todo embolado nos lençóis, o Optimus Prime jogado no pé da cama.
— Bom dia, meu amor… — falei baixinho, me aproximando da cama. — Mamãe trouxe café da manhã especial hoje.
Ele abriu os olhos devagar, piscando contra a luz que entrava pela fresta da janela. Quando me viu, abriu um sorriso sonolento.
— Pra mim?
— Pra você. — sorri, sentando na beira da cama. — Mas... também preciso conversar com você um pouquinho, tudo bem?
Ele assentiu com a cabecinha, já animado com o sanduíche.
— Pode comer, filho. Mamãe vai falando, tá bom?
Ele pegou o sanduíche com as duas mãos e deu uma mordida, me olhando curioso.
Respirei fundo. Meu coração doía, mas eu sabia que ele precisava saber. E com calma.
— Você lembra do tio Alessandro, que veio aqui ontem? Que trouxe aquele Optimus Prime incrível?
— Lembro! — ele disse com a boca cheia. — Ele é legal.
— Então… — forcei um sorriso. — Há muito tempo, a mamãe foi casada com ele.
Ele parou de mastigar e me olhou, curioso.
— Filho… você pode chamar como quiser. A mamãe vai conversar com os dois, tá bem? O importante é você se sentir feliz e seguro. Não tem problema. Eles vão entender.
Ele assentiu com a cabeça e deu outra mordida no sanduíche.
E assim, como se fosse a coisa mais simples do mundo, ele voltou a comer.
Meu coração, por outro lado, estava virado do avesso.
Mas ao olhar pra ele… tão inocente, tão aberto ao amor… eu soube que estava fazendo o certo.
***
Era estranho voltar pra empresa depois de tudo, como se eu estivesse tentando encaixar uma parte de mim de novo no lugar. Gabriel estava com a Catherine, ela tinha insistido em ficar com ele, e eu confiei. Sabia que ele estaria em boas mãos e aproveitei o tempo livre e vim.
O prédio da empresa parecia o mesmo, mas eu não era exatamente a mesma. Caminhei pelos corredores cumprimentando as pessoas que me olhavam com aquele ar misto de curiosidade e carinho. Alguns sabiam da explosão, da confusão toda. Outros só sabiam que eu estava voltando de uma licença e sorriam como se nada tivesse acontecido.
Contei por alto o que aconteceu, deixei de lado os detalhes mais pesados. Fui acolhida com abraços, sorrisos e palavras de apoio. Foi bom. Reconfortante até.
Na saída, encontrei o Diogo me esperando na recepção, com aquele jeitão calmo e aquele sorriso de canto de boca que sempre me passava segurança.
— Tá com tempo? Vamos tomar um café? — ele perguntou, já caminhando ao meu lado.
— Tô sim. Gabriel tá com a Cathe. Deu pra dar uma respirada.
Caminhamos até um restaurante pequeno e aconchegante ali perto. Sentamos em uma mesa no canto, perto da janela, e depois de pedirmos o de sempre, café com leite pra mim, expresso pra ele e um pedaço de torta de limão dividida, ele me olhou com um daqueles olhares de amigo que já sabe a resposta, mas quer ouvir de você.
— E aí... como você tá? De verdade.
Soltei o ar devagar, apoiando os braços na mesa.
— Eu tô bem, acredita? Cansada, mas com a sensação de que agora... tudo vai começar a se encaixar. — dei um meio sorriso. — Pelo menos eu espero.
Ele assentiu devagar, olhando pra fora por um segundo antes de voltar os olhos pra mim.
— Pode ser. Tem coisa que precisa do tempo certo pra acontecer.
Ficamos um tempinho em silêncio, até que ele completou:
— O Matheus vai ser transferido amanhã para Itália. Ele e o Enzo vão ser julgados lá pela morte do pai.
A notícia me pegou de surpresa, mesmo eu já esperando por isso em algum momento.
— Amanhã? — perguntei, franzindo a testa. — Então hoje é minha última chance de ver ele antes…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...