O celular vibrou em cima da minha mesa e, ao ver o nome do Diogo na tela, já imaginei o motivo da ligação. Atendi, ajeitando o fone no ouvido enquanto assinava digitalmente um documento no tablet.
— Fala, Diogo. Me diz que você não esqueceu de marcar aquela reunião...
— Longe disso. — ele respondeu do outro lado, a voz calma, mas com um leve tom de hesitação. — Consegui agendar com o Alessandro pra hoje à tarde.
— Hm... e ele sabe do que se trata?
Silêncio.
— Diogo? — arqueei a sobrancelha, mesmo que ele não pudesse ver.
— Então... sabe como é. Achei melhor não falar exatamente tudo. Só disse que era importante.
— Você ficou com medo de falar com o Alessandro? — soltei uma risada, recostando na cadeira.
— Medo? — ele riu também. — Não exagera. Só achei que ele vai se comportar melhor se você estiver presente. Vai que ele resolve virar cavalo?
— Ai, Diogo... — suspirei, ainda rindo. — Tá bom, vai. Eu vou, mas só porque sei que você não ia conseguir lidar com o ego dele sozinho.
— Exatamente por isso que você é minha sócia preferida. — ele brincou. — Duas da tarde, na sala de reuniões.
— Estarei lá. — finalizei, desligando a ligação.
Guardei o celular e me virei de volta pro notebook. A tela ainda mostrava a apresentação do projeto do novo equipamento de irrigação. Eu estava tão imersa no desafio que a notícia da reunião com Alessandro parecia distante por um momento. Mas bastava parar de digitar por dois segundos que ele voltava à minha cabeça como um furacão.
Antes que eu pudesse mergulhar nisso, Felipe bateu na porta e entrou com uma expressão concentrada.
— Larissa, temos um pequeno impasse aqui. O fornecedor de peças disse que o material principal da nova linha não vai chegar no prazo. O prazo é de cinco dias a mais do que o previsto.
— Como assim? Eles já tinham confirmado esse prazo. — fechei o notebook, olhando direto pra ele.
— Disseram que um dos caminhões sofreu um acidente na estrada, a carga teve que ser reprogramada e... você sabe.
— Respira fundo, Felipe. Vamos resolver. — me levantei, pegando minha prancheta com anotações. — O que a gente precisa é pensar rápido. Se esse material não chega a tempo, a gente perde o ritmo do cronograma, e isso pode pesar na apresentação da fase dois.
— Eu pensei em ver se conseguimos um lote emergencial com aquele fornecedor alternativo de São José.
— Já tentou contato?
— Estão avaliando disponibilidade. Mas disseram que até o fim da manhã dão resposta.
— Então faz o seguinte: enquanto isso, reposiciona a produção da primeira etapa pra não ficar parada. A gente prioriza o que já tá em estoque e ajusta a equipe pra trabalhar nas peças do primeiro lote, mesmo que falte o principal por enquanto.
— Boa. E se eles não tiverem?
— Aí a gente improvisa. — dei de ombros. — A gente não chegou até aqui pra desistir por causa de um caminhão tombado. Avisa o time da engenharia e Felipe... confio em você pra manter tudo rodando, tá?
Ele abriu um sorriso, meio aliviado.
— Pode deixar. Valeu, Larissa.
— Bora fazer isso acontecer.
Assim que ele saiu da sala, respirei fundo. A pressão era constante, o tempo sempre curto, e ainda por cima agora eu tinha uma reunião com Alessandro pra encarar...
Mas quer saber? Eu gostava desse caos.
Eu tinha aprendido a nadar nele.
Saí da empresa correndo, com a cabeça ainda cheia de planilhas, prazos e aquela bendita reunião com o Alessandro batendo na porta da minha agenda. Eram 10:35 e eu já estava atrasada cinco minutos para buscar o meu pai.
O tratamento dele tinha sido longo, difícil, cansativo... Eu nem sabia mais contar quantas vezes precisei fingir força pra não desabar na frente dele. Mas hoje era o dia. O dia que eu sonhei por meses.
Estacionei na frente do prédio, buzinei duas vezes e esperei. Logo vi meu pai sair devagar, ajeitando a boina na cabeça, com aquele sorriso tranquilo que ele sempre fazia questão de carregar, mesmo quando a dor apertava.
— Oi, pai. — abri a porta do carona e ele entrou.
— Bom dia, filha. Como você tá?
— Melhor agora. — sorri. — E você? Dormiu bem?
— Até que sim. Mas tô com aquele frio na barriga, sabe?
— Tamo juntos. — ri de nervoso. — Mas vai dar tudo certo.
O caminho até o hospital foi silencioso. Cada farol vermelho parecia mais longo que o normal. Meus dedos batiam ansiosos no volante. Quando chegamos, fizemos o cadastro e esperamos. Eu não conseguia parar de mexer as pernas.
Até que o doutor apareceu na porta, chamando.
— Senhor Álvaro?
Me levantei quase que antes do meu pai.
— Vamos lá, filha. — ele disse, como se fosse me consolar.
Entramos no consultório e o doutor cumprimentou a gente com um sorriso acolhedor. Sentamos de frente pra ele, que abriu a pasta com os exames. Meu coração disparava, parecia que o ar tinha ficado mais pesado na sala.
Ele se jogou no meu colo com força, como se o mundo dele estivesse inteiro ali. E de certa forma, estava. O meu também.
— Te amo, mamãe. — disse com a voz rouquinha, ainda sonolento, escondendo o rosto no meu pescoço.
— Eu também te amo, Gabriel. Tanto que nem cabe em mim.
Abracei ele forte, sentindo o cheirinho doce do pijama, aquele calorzinho bom de criança que ainda não sabe o peso do mundo.
— Você foi no médico com o vovô?
— Fui. E sabe o que o médico disse?
— O quê?
— Que o vovô tá quase bom! Logo ele vai poder correr com você no parque.
— Uau! — ele abriu os olhinhos mais ainda, empolgado. — Que legal! A gente pode levar o Max também?
— Claro que sim, só se ele não sair correndo atrás dos pombos de novo.
Max era o cachorrinho de Julia. Gabriel deu uma risadinha daquelas que preenche qualquer silêncio, e eu aproveitei pra deitá-lo de novo, puxando a coberta.
— Agora, vamos ficar um tempinho aqui só nós dois. Antes da mamãe sair pra reunião, pode ser?
— Pode. — ele respondeu, já puxando minha mão e colocando entre as dele. — Mamãe?
— Hum?
— Quando eu crescer, quero ser igual a você.
Engoli em seco.
— E por que, meu amor?
— Porque você é forte... e cuida de todo mundo. Mas ainda me dá beijo na testa toda noite.
— Então tá bom, Gabriel. Mas você só precisa ser você e saber que a mamãe vai sempre, sempre, estar aqui.
Beijei o topo da cabeça dele e fiquei ali mais um tempo. Só nós dois e o mundo podia esperar.
Mas essa parte da minha vida... era o meu lar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...