— Nós. — respondi, levantando-me e ajudando Alice a ficar de pé.
— Olá! — ela veio até nós, cumprimentando com firmeza. — Eu sou a doutora Heloisa Vasconcellos. E antes que vocês se apresentem, preciso dizer que a Larissa me ligou ontem à noite. Disse que era pra eu cuidar da gravidinha como se fosse minha própria sobrinha.
Alice arregalou os olhos, surpresa, e depois riu, um pouco corada.
— Ai, meu Deus… a Larissa não existe mesmo.
— Ela é eficiente, isso sim. — eu ri junto. — E fofoqueira.
— Fofoqueira de primeira — completou a doutora, piscando para Alice. — Bom, vamos lá? Quero deixar vocês bem tranquilos antes do exame.
Entramos no consultório, um espaço iluminado e aconchegante, com uma poltrona para acompanhante e o equipamento de ultrassom já preparado. Alice sentou-se na maca, ainda me segurando com força.
Doutora Heloisa colocou as luvas e começou a explicar com calma.
— Hoje vamos fazer um ultrassom de rotina. É pra verificar o tamanho, o batimento e o desenvolvimento inicial. Vocês provavelmente vão ouvir o coraçãozinho. — Ela sorriu. — É emocionante, mas pode ser rápido, então prestem atenção.
Alice arregalou os olhos de novo.
— Rápido quanto? Tipo… segundos?
— Segundos. — A doutora assentiu, rindo do desespero dela. — Mas não se preocupe, se o bebê colaborar, a gente vê tudo com calma.
— Esse “se o bebê colaborar” é que me assusta — Alice murmurou, olhando pra mim como se eu pudesse controlar a criança.
Eu apertei a mão dela de novo, rindo.
Doutora Heloisa continuou, agora mais séria.
— Durante a gestação, é normal sentir enjoo, cansaço, tontura leve. Mas se tiver febre alta, sangramento, dor intensa ou perda de líquido, me liga imediatamente. Qualquer coisa diferente, não hesitem. É melhor prevenir.
Alice assentiu rapidamente, absorvendo cada palavra.
— Pode deixar. Eu… eu vou ligar até se for só um pressentimento.
— Melhor assim. — Heloisa sorriu, ajustando o aparelho. — Agora, vamos começar. Fiquem tranquilos, respirem fundo, e se preparem para ouvir o som mais bonito da vida de vocês.
Olhei para Alice. Ela me encarou, mordendo o lábio inferior, os olhos cheios de expectativa e medo.
— Pronta? — perguntei baixinho.
— Acho que nunca vou estar, mas… — ela respirou fundo, apertando minha mão com força. — Vamos lá.
Eu sorri, o coração batendo mais rápido que o normal, pronto para ouvir o som que mudaria tudo.
O som então preencheu a sala de repente, forte e ritmado, quase como um tambor. Por um segundo, fiquei sem ar. Era rápido, intenso… vivo.
Alice arregalou os olhos, a boca se abrindo em um sorriso trêmulo antes de se desfazer em lágrimas.
— Meu Deus… — ela sussurrou, apertando minha mão. — Parece… parece um cavalo galopando!
Eu não consegui segurar a risada, minha garganta apertada de emoção.
— Parece mesmo. — falei, rindo junto, a voz falhando.
Doutora Heloisa também sorriu, mexendo no aparelho para melhorar a imagem.
— Esse é exatamente o som que a gente quer ouvir. Coração forte, batendo a cerca de 150 batimentos por minuto. Perfeito para essa fase.
Alice chorava e ria ao mesmo tempo, os olhos grudados na tela onde a pequena imagem piscava em preto e branco.
— É tão… tão rápido. Eu achei que ia ser mais… sei lá, lento.
— No início, é assim mesmo. — Heloisa explicou com calma. — O coraçãozinho trabalha dobrado para garantir tudo que o bebê precisa.
Eu não tirava os olhos do monitor, mas minha mão continuava apertando a dela. Era impossível descrever o que eu sentia. Uma mistura de medo, alegria e uma certeza absurda de que tudo valia a pena.
A doutora ajustou o foco e apontou para a tela.
— Eu já faço isso, mas… e a insulina? A gravidez muda alguma coisa?
— Sim, e por isso teremos consultas mais frequentes. — explicou. — No começo, às vezes a necessidade de insulina até cai, mas depois, especialmente no segundo e terceiro trimestre, a resistência à insulina costuma aumentar. Ou seja, talvez você precise de doses maiores. Nós vamos ajustando juntas.
Alice respirou fundo, absorvendo cada palavra.
— E o bebê? Ele pode nascer com diabetes?
Heloisa balançou a cabeça.
— Não é assim que funciona. O diabetes tipo 1 não é transmitido diretamente, é uma condição autoimune. Existe uma pequena predisposição genética, mas é bem pequena. O que pode acontecer é o bebê nascer com glicose baixa logo após o parto, porque ele se acostuma com a quantidade de açúcar que você tem no sangue. Mas isso é temporário e a equipe médica já fica preparada para monitorar.
— Então… — Alice suspirou, mais aliviada. — Não é uma sentença.
— De jeito nenhum. — Heloisa sorriu. — Com o acompanhamento certo, a chance de vocês terem um bebê saudável é altíssima. E, pelo que vi hoje, vocês já estão no caminho certo.
Eu passei o polegar pela mão dela, olhando nos olhos da doutora.
— E quanto às crises? Tem algo que a gente deva ficar alerta?
— Hipoglicemia — respondeu Heloisa de imediato. — Se ela tiver tontura, suar frio, sentir tremores ou confusão mental, é sinal de que a glicose pode ter caído demais. Nesses casos, ela deve comer ou beber algo com açúcar rápido e me avisar. Mas, mais uma vez, com esse nível de controle, é totalmente administrável.
Alice me olhou, um brilho determinado nos olhos apesar do medo.
— A gente vai conseguir, né?
Eu sorri, apertando a mão dela.
— A gente já está conseguindo, pimentinha.
Heloise nos observou com um sorriso gentil.
— Exatamente. E eu vou acompanhar cada passo. Vocês não estão sozinhos nisso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...