Nos olhos da assistente, passou um lampejo de repulsa, quase imperceptível. Ainda assim, ela sustentou no rosto um sorriso profissional, claramente forçado.
— Já entreguei tudo para a doutora Carolina.
André entrou no escritório de cara fechada, visivelmente irritado.
Pouco depois, reapareceu com uma xícara de café na mão. Ao passar pela sala de Carolina, parou de repente à porta e lançou um olhar discreto para dentro.
Agachada no chão, Carolina digitava a senha do cofre. Abriu a porta, guardou todas as provas lá dentro e, em seguida, tornou a fechá-la.
Quando se levantou e se virou, deu de cara com André parado na entrada, numa postura no mínimo suspeita.
— Dr. André, aconteceu alguma coisa?
André curvou os lábios num sorriso frio e ergueu de leve a xícara que tinha na mão.
— Carolina, quer café?
— Não, obrigada.
A resposta saiu fria, enquanto ela se sentava à mesa.
Um sorriso sombrio se espalhou pelo rosto de André. Ele tomou um gole do café, passou em frente à sala dela e voltou para o próprio escritório.
As flores de Cláudio só chegaram mais tarde.
A recepcionista entrou carregando o buquê.
— Dra. Carolina, suas flores.
Carolina ergueu os olhos.
— Faz um favor? Pode se livrar disso para mim?
A recepcionista abriu um sorriso, claramente animada.
— Claro. Então eu fico com elas.
— Fica, sim.
Carolina assentiu.
Ela só parou de trabalhar quando já estava quase na hora do almoço. Foi então que Larissa ligou.
Carolina deixou tudo de lado e atendeu de imediato.
No meio da ligação, Larissa começou a chorar.
Ela repetia, uma vez atrás da outra, que se arrependia de ter se casado, de ter tido um filho. Falava da falta de liberdade, do cansaço que esmagava seu corpo e sua mente, e das brigas constantes com Leandro por causa das pequenas coisas da vida a dois.
Carolina tinha a impressão de que Larissa também estava à beira da depressão.
O bebê ainda era pequeno demais: chorava muito, fazia escândalo, tinha a imunidade baixa e adoecia com facilidade.
E, em casa, ainda havia a sogra controladora, daquelas que se metem em tudo e arrumam implicância até com o vento.
Ao olhar para Larissa, Carolina via com nitidez a impotência de tantas mulheres depois do casamento.
Definitivamente, ninguém devia se casar por impulso. Era preciso conhecer de verdade a outra pessoa e também a família dela, entender se os valores batiam, se os modos de viver eram compatíveis.

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