— Ainda não. — Carolina se apressou em responder, nervosa. — Se a gente estiver julgando meu primo errado, ele só vai passar a me odiar ainda mais. E, se ele estiver mesmo envolvido com empresas corruptas e fazendo coisa ilegal, aí é que não podemos agir de forma precipitada. Não dá para espantar a presa antes da hora. A gente precisa reunir provas suficientes... E só depois agir de uma vez, pegando-o desprevenido.
— Como você achar melhor.
Henrique segurou a mão dela e a puxou para cima da própria coxa. Baixou os olhos para os dedos finos e claros de Carolina e começou a brincar, devagar, com as unhas bem-feitas, pintadas de rosa-claro.
— Você tem o seu jeito de trabalhar. Mas, se surgir algum problema ou aparecer alguma coisa que você não consiga resolver, me conta na mesma hora.
— Certo, eu conto.
Carolina apoiou o rosto na curva do braço dele e baixou os olhos para a mão de Henrique.
Ficou ali, em silêncio, apenas observando enquanto ele brincava com seus dedos.
As pontas dos dedos dele, quentes e levemente ásperas, deslizavam devagar sobre a pele dela, acariciando um dedo de cada vez, passando pelas unhas e, por fim, apertando de leve suas juntas. O toque era morno, quase hipnótico, e trazia um formigamento gostoso que a fez relaxar sem perceber.
Ela acabou rindo.
— Meus dedos são tão interessantes assim?
Henrique também pareceu se dar conta do que estava fazendo. Fez uma breve pausa e abriu um sorriso um pouco sem graça.
— São finos, delicados e macios. Difícil não reparar.
— Ah, para. — Carolina puxou a mão de volta, soltou o braço dele e se levantou. — Vou subir para tomar banho. Depois desço para jantar com você.
Assim que terminou de falar, virou-se para sair.
De repente, Henrique segurou seu pulso.
Carolina se assustou por um instante e se virou para olhá-lo.
— O que foi?
Henrique ergueu os olhos para ela. Havia algo intenso e profundo em seu olhar, e, no fundo dele, uma expectativa sincera.
— Todo mês tem o almoço da família. Vai ser nos dias 1 e 2 de julho, no fim de semana. Quero que você vá comigo à casa do meu avô.
Carolina ficou imóvel por um segundo.
Hesitou.
Aquele era o encontro regular da família Queiroz. Só quem fazia parte da família tinha lugar ali.
Nem mesmo o primo dele, que já tinha namorada, alguma vez a havia levado.
— Eu posso mesmo ir? — Carolina perguntou, insegura. — Talvez o resto da sua família não goste.
— Você não precisa se preocupar com o que os outros vão pensar. — Henrique disse com calma. — Só precisa se perguntar uma coisa: você quer ir comigo?

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