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Amargo Contrato de Casamento romance Capítulo 189

Cerca de meia hora depois, Lily andava pelo shopping tentando parecer natural. Fingiu interesse por vitrines, entrou numa loja de departamentos, experimentou uma blusa, comprou um sorvete. Mas o arrepio constante em sua nuca denunciava: havia um homem sempre por perto, observando-a.

O coração batia tão forte que parecia que todos podiam ouvir. Quando um grupo de adolescentes passou rindo e empurrando-se, Lily aproveitou a confusão para se infiltrar no meio deles. O homem perdeu o contato visual.

Ela se escondeu atrás de araras de roupas em outra loja, espiando cautelosa. Viu o perseguidor girar a cabeça em todas as direções, frustrado, antes de seguir em frente.

Só então, respirando com dificuldade, deixou o shopping pela saída lateral, caminhando rápido na direção contrária. Quando se sentiu segura, tirou o guardanapo do bolso e ligou para o número que Logan havia lhe dado.

*****

Uma hora depois, numa rua da periferia escondida por árvores, um carro simples estacionou. O vidro do banco do motorista se abaixou e revelou um homem de aparência desleixada, barba por fazer e olhar duro.

— Você é Lily? — perguntou sem rodeios.

Ela assentiu, hesitante.

— Entre.

Lily abriu a porta e entrou, os olhos percorrendo o interior vazio do carro. O homem ligou o motor e, sem olhar muito para ela, murmurou:

— A madame mandou te esconder por um tempo.

Lily sentiu um frio percorrer-lhe a espinha. Apertou as mãos no colo e não disse nada. O silêncio no carro pesava. Não sabia quem era essa “madame”, mas tinha certeza de uma coisa: quem quer que fosse, era alguém com poder suficiente para mexer nas sombras sem deixar rastros.

E agora, sua vida estava nas mãos dela.

*****

Carlson

Ao receber a notícia de que o investigador havia perdido Lily de vista, Carlson não perdeu tempo. Caminhou a passos firmes pelos corredores até o escritório de John Walker. Bateu uma única vez e entrou.

O olhar de John, que examinava documentos com Bruce, se ergueu imediatamente, carregado de expectativa.

— O que foi, Carlson?

Bruce percebeu o tom grave na voz do patrão e fechou a pasta que estava mostrando, permanecendo em silêncio.

Carlson manteve-se ereto diante da mesa.

— Senhor… infelizmente perdemos Lily Wattson.

John arregalou os olhos, incrédulo.

— Como assim, perderam?

— Ela deve ter percebido que estava sendo seguida. Depois do último registro no shopping, desapareceu. — Carlson não desviava o olhar, mas a tensão era evidente.

John levantou-se da cadeira de imediato, o corpo rígido, a expressão carregada.

— E a pessoa por trás dela? — perguntou, a voz baixa, mas firme.

Carlson fez uma pausa, escolhendo as palavras.

— Infelizmente ainda não sabemos. Mas garanto que vamos descobrir.

John caminhou até a janela, encarando a vista da cidade como se buscasse respostas no horizonte. Depois se virou com um gesto brusco.

— Redobre a segurança da minha casa e, principalmente, das crianças. — sua voz agora era um comando inegociável. — E me traga o nome de quem está por trás dessa garota, custe o que custar.

— Sim, senhor. — Carlson inclinou a cabeça e se retirou.

O silêncio ficou pesado na sala. John apoiou as mãos sobre a mesa, respirando fundo. Depois, pegou o celular. Assim que Elizabeth atendeu, sua voz endurecida se transformou em doçura.

— Oi, amor. Onde você está?

— No La Brise. — respondeu ela, tranquila. — Hoje é o meu dia nas montanhas.

John fechou os olhos por um instante, aliviado por saber a localização dela.

— Eu sei, meu amor. Você levou quem com você?

Elizabeth franziu o cenho do outro lado da linha.

— A Emily e a Dolores… — respondeu devagar. — Por quê?

John soltou um suspiro contido, quase imperceptível.

— Ótimo. E os seguranças, estão por perto?

Elizabeth olhou para os dois seguranças sentados do lado de fora como se fossem turistas, uma exigência de Elizabeth para ter uma sensação de mais liberdade, no entanto, percebeu a mudança no tom dele.

— Sim. John… o que está acontecendo?

— Nada. — tentou suavizar. — Só senti saudades, sabe que me preocupo com vocês

— John. — a voz dela mudou, mais aguda, urgente. — Está acontecendo alguma coisa? As crianças… está tudo bem com as crianças?

— Está tudo bem. — ele respondeu rápido, talvez rápido demais. — Elas estão na escola.

Elizabeth se calou por um segundo, mas sua intuição não falhava.

— Não me esconda nada, John. Se há algum perigo, eu preciso saber.

John a acompanhou com o olhar, deixando-a extravasar.

— Eu sei que você confiava nela. Eu também quis acreditar, mas… — ergueu uma das fotos, onde Lily aparecia encontrando-se discretamente com alguém desconhecido. — Os fatos estão aqui. Ela não é quem disse ser.

Elizabeth apertou as mãos contra o peito, como se tentasse conter o coração acelerado.

— Então tudo foi mentira? Toda aquela doçura, a forma como falava das dificuldades…o carinho com as crianças.

— Elizabeth. — John se levantou e se aproximou, colocando as mãos sobre os ombros dela. — Provavelmente, Lily não vai voltar. Ela desapareceu, e isso me diz que faz parte de algo maior. Alguém está por trás dela.

Elizabeth mordeu o lábio inferior, lágrimas brotando em seus olhos azuis acinzentados.

— Eu não consigo acreditar… é como se eu tivesse sido enganada por uma irmã mais nova.

John a envolveu num abraço, firme.

— Eu também queria estar errado, mas não posso arriscar a segurança da nossa família. A verdade é dura, mas precisamos enfrentá-la juntos.

Elizabeth encostou o rosto no peito dele, em silêncio. No fundo, sabia que as provas falavam por si. Mas ainda havia dentro dela uma centelha de esperança, ou talvez de ingenuidade, que a impedia de acreditar totalmente na traição de Lily.

Elizabeth manteve-se em silêncio por alguns instantes, respirando fundo contra o peito de John. Quando ergueu o rosto, seus olhos ainda estavam marejados, mas havia uma determinação diferente ali.

— Você tem razão. — disse baixinho. — Não posso me deixar abalar, não agora. Preciso ser forte pelas crianças… e até mesmo por nós dois.

John acariciou-lhe os cabelos, aliviado com a reação.

— É exatamente isso que precisamos fazer amor. Unidos.

Ela assentiu, forçando um sorriso discreto. Mas ao se afastar levemente, voltou a olhar os papéis sobre a mesa. As fotos, os relatórios, tudo gritava traição. Ainda assim, algo dentro dela resistia.

— John… — começou com cautela, a voz baixa. — E se… e se Lily não tivesse escolha? E se alguém a tivesse forçado, manipulado… usado contra nós?

John suspirou, já esperando aquela pergunta.

— Eu não descarto nada, Lizzie. Mas seja qual for o motivo, o fato é que ela se voltou contra a nossa confiança. E isso não podemos ignorar.

Elizabeth baixou o olhar, apertando os dedos uns contra os outros.

— Eu sei. — murmurou. — Vou confiar em você. Mas… aqui dentro — pousou a mão sobre o coração — ainda quero acreditar que, de algum jeito, Lily não era completamente falsa.

John não insistiu. Preferiu apenas segurar-lhe a mão com firmeza, compreendendo o peso daquele conflito silencioso.

— Talvez um dia tenhamos todas as respostas. Até lá, prometo que vou proteger você e nossa família, custe o que custar.

Elizabeth assentiu, escondendo para si mesma a fagulha de esperança que ainda se recusava a apagar.

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