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Amargo Contrato de Casamento romance Capítulo 190

Pamela

Naquela mesma noite, Pamela entrou em seu quarto com passos elegantes e fechou a porta atrás de si. Pegou o celular secreto no compartimento oculto da penteadeira e fez uma ligação

— Ela está sob controle? — perguntou, sem preâmbulos.

A voz masculina do outro lado confirmou:

— Sim, senhora. A garota está segura no esconderijo.

— Ótimo. — Pamela sorriu, satisfeita. — Lily ainda será muito útil.

— O que pretende fazer, madame?

— Mudança de planos, David. — Pamela falou baixo, quase como um sussurro conspirador. — Vamos precisar adiantar tudo.

Houve um silêncio curto, antes de ele resmungar:

— Isso é perigoso. Você sabe o quanto arriscamos se agirmos antes de improviso.

— Eu sei. — Pamela recostou-se na poltrona, relaxada, como se discutisse algo trivial. — Mas agora tenho uma peça nova no tabuleiro. Lily Wattson.

Do outro lado, David pareceu intrigado.

— Essa é a garota que estava com os Walkers?

— Exatamente. Ela foi descoberta, e agora não tem mais para onde correr. Está em nossas mãos. — Pamela fez uma pausa, deixando que as palavras ganhassem peso. — Podemos usá-la como isca, distração…

David soltou uma risada rouca, carregada de cinismo.

— Gosto disso. Quanto mais enfraquecermos a confiança de John, melhor.

— Então estamos de acordo. — Pamela ajeitou o cabelo recém-cortado, observando o próprio reflexo no espelho. — Prepare-se. Logo daremos o primeiro passo.

— Diga quando. — David respondeu. — Estarei pronto.

— Amanhã leve a menina no salão.

Pamela desligou e ficou alguns segundos em silêncio. Seus olhos brilhavam com determinação gélida.

— John Walker… — murmurou para si mesma. — Em breve você terá uma grande escolha a fazer.

*****

Na residência dos Hamilton

Na manhã seguinte, Pamela e Sebastian desfrutavam do café da manhã na ampla varanda diante da piscina azulada e do jardim perfeitamente aparado da mansão. O aroma do café recém-passado misturava-se ao perfume suave das flores, e a atmosfera tranquila contrastava com os pensamentos inquietos de Pamela.

— O que pretende fazer hoje? — perguntou Sebastian, erguendo os olhos por cima do jornal.

Pamela repousou a xícara sobre o pires com um leve suspiro teatral.

— Você acredita que esqueci meus anéis no salão? — Sua voz carregava um falso aborrecimento, bem ensaiado. — Vou lá buscá-los.

— Você pode mandar alguém fazer isso. — Sebastian semicerrava os olhos, desconfiando das constantes idas da esposa ao salão. No entanto, lembrava-se de como Pamela sempre voltava com algum novo procedimento estético impecavelmente feito. Respirou fundo, convencendo-se de que não havia motivo para desconfiar.

Pamela ajeitou os cabelos e sorriu.

— Tenho que ir ao ateliê para escolher o tecido do novo vestido, é caminho… aproveito e passo por lá. — Então, com um olhar suplicante e estudado, acrescentou: — Querido, a joalheria me mandou a foto de um colar maravilhoso, e acho que vai combinar perfeitamente com o vestido. Eu poderia ir vê-lo?

Sebastian pousou o jornal e a observou em silêncio por alguns segundos. Havia nos olhos dela um brilho que misturava astúcia e sedução. A lembrança da noite passada quando Pamela o havia agradado como há muito não fazia, amoleceu seu coração.

— Claro, compre o que quiser. — murmurou, tentando esconder o sorriso satisfeito.

Os olhos de Pamela brilharam. Ela soltou um gritinho ensaiado de felicidade, levantou-se num gesto gracioso e depositou um beijo rápido no rosto do marido.

— Obrigada, meu querido.

E saiu cantarolando, com ares de quem tinha o mundo sob controle. Mas a verdadeira felicidade que ardia em seu peito era outra, bem distante do colar ou do vestido.

*****

Ao chegar ao salão, foi conduzida discretamente para a mesma sala reservada de outro dia. Assim que entrou, deparou-se com David e uma jovem de expressão nervosa, os olhos cheios de desconfiança.

Pamela caminhou até o centro do ambiente com passos lentos e calculados. Seus olhos fixaram-se na jovem, avaliando-a com uma mistura de doçura e frieza.

— Então, não sobrará ninguém para contar a sua versão da história.

Lily estremeceu, o rosto pálido. Pamela levantou-se com graça estudada, arrumando o vestido.

— Esta é a sua nova vida, Lily. E acredite: é melhor do que o fim que John Walker tinha reservado para você.

A jovem baixou os olhos, impotente. Pamela sorriu de forma enigmática, como quem contempla uma presa finalmente rendida à armadilha.

— Seja bem-vinda ao meu jogo.

— E… e quem é a senhora? — arriscou Lily, a voz fraca.

Pamela deu meia-volta e respondeu sem olhar para trás:

— Me chame apenas de “Madame”.

Seus olhos então se fixaram em David, que até aquele momento se mantivera em silêncio absoluto.

— E os preparativos?

David assentiu com seriedade.

— Quase tudo pronto. Se quiser, podemos agir em breve.

Pamela sorriu, satisfeita.

— Ótimo.

Voltou-se para Lily uma última vez, seu olhar carregando uma promessa silenciosa de obediência incondicional.

— E lembre-se, querida: faça exatamente o que mandar.

Lily olhou para a mulher bonita e vestida com elegância, com certeza era rica e importante a ponto de desafiar John Walker e agora estava nas mãos dela ou ela fazia o que ela queria ou se entregava e arcar com as consequências da ira de John Walker. Sem alternativa ela assentiu, seus olhos não escondiam o pavor daquele momento.

Pamela com um sorriso maléfico a olhou antes de se virar e sair com passos firmes ciente que seus planos estavam indo melhor que esperava.

Lily olhou para David que também lhe sorriu torto.

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