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Amargo Contrato de Casamento romance Capítulo 198

Central de Inteligência Privada do Grupo Walker

As horas passaram lentamente, e a sala de operações permanecia mergulhada em um silêncio quase sufocante, quebrado apenas pelo brilho frio dos monitores, pelo clique incessante dos teclados e pelo zumbido baixo de linhas de telefone tentando qualquer vestígio digital do cativeiro. Cada computador trabalhava em tempo real, processando dados de GPS, triangulação de sinais de celular e rastreamento de IP.

Todos ali passaram a noite em claro, olhos vermelhos e mãos cansadas, debatendo cada mínimo detalhe, analisando logs criptografados, interceptações de chamadas e mensagens encriptadas, enquanto mapas digitais eram atualizados a cada segundo com coordenadas imprecisas.

Pela manhã, o silêncio absoluto foi rompido por um sinal de alerta: uma chamada de vídeo criptografada, do tipo quase impossível de rastrear, entrava na rede da operação.

— Senhor, é uma conexão via rede anônima de ponta a ponta, com criptografia quântica ativa. Qualquer tentativa de rastrear a origem será quase impossível. — informou um dos analistas, com a testa franzida.

— Coloque na tela. — ordenou Carlson, a voz firme, mas carregada de tensão.

A tela tremeu por alguns segundos antes de exibir a figura de um homem totalmente vestido de preto, capuz cobrindo o rosto, e a voz deformada por moduladores eletrônicos.

— Bom dia, senhor Walker. — a saudação veio acompanhada de uma risada irônica, carregada de provocação.

John avançou, quase atravessando a tela com os braços.

— Onde estão minha esposa e minha filha? — bradou, a voz carregada de desespero.

— Calma, senhor Walker. Elas estão bem. — a voz respondeu, fria e metódica.

A imagem mudou. Elizabeth e Mary apareciam sentadas em uma cama velha, abraçadas. O coração de John apertou tanto que sentiu como se fosse parar. Ele tocou a tela como se pudesse atravessá-la, sentir a pele delas, ouvir a respiração.

— Elizabeth… Mary… — murmurou, quase em súplica.

— Você pode falar com elas — a voz do sequestrador deu um comando seco.

John respirou fundo, tentando recuperar o controle.

— Elizabeth.

No mesmo instante, Elizabeth ergueu o olhar e viu a câmera apontada para ela, a voz trêmula de emoção escapando:

— John… — sussurrou, alívio misturado com lágrimas.

— Papai, você nos achou? — perguntou Mary, inocente e sorridente, sem entender a gravidade da situação.

— Estou quase, meu amor… Como vocês estão? — John tentava soar firme, mas a voz falhou no último trecho.

— Estamos bem… John, eu… sinto muito… — Elizabeth começou, mas foi interrompida pela voz metálica do sequestrador, que soava como se saísse de um sintetizador de som de última geração:

— Diga a ele. Elizabeth, seu tempo está acabando.

Com as mãos trêmulas, abriu a embalagem de segurança, retirou o aparelho e ligou-o. A tela acendeu com uma luz fria, revelando um sistema customizado e protegido com criptografia de ponta. O dispositivo emitia pequenas vibrações, confirmando que estava conectado a uma rede segura, exclusiva para instruções do sequestrador.

John foi para seu carro e o guiou lentamente para fora do estacionamento, mantendo o acelerador firme, os olhos alternando entre o celular e o caminho à frente. Pegou o sistema de navegação do veículo e inseriu os comandos recebidos na portaria: a rota traçada era direta, mas envolvia áreas pouco movimentadas, ruas secundárias e, eventualmente, uma marginal que levava à periferia da cidade.

— Equipe, ouçam com atenção — falou pelo rádio, a voz firme, mas carregada de tensão — mantenham-se afastados, raio de três quilômetros, nenhum sinal de aproximação. Se tentarem nos seguir, poderão colocar as duas em perigo. Só quero comunicação por áudio e atualizações discretas.

A resposta de Carlson foi imediata, em tom conciso:

— Entendido, senhor. Estamos mantendo distância.

John respirou fundo, ajustando o espelho retrovisor. A cidade ainda acordava, mas ele sentia como se estivesse atravessando um campo minado invisível. Cada semáforo, cada curva, poderia ser o último obstáculo antes de encontrar Elizabeth e Mary.

No celular, um mapa interativo começou a guiá-lo: pontos de referência surgiam em tempo real, alertando sobre ruas bloqueadas e áreas de risco. A rota apontava para um bairro de galpões abandonados perto do porto, uma região deserta, com prédios velhos e armazéns enferrujados, ideais para quem quisesse desaparecer sem deixar rastros.

— Quase lá… — murmurou, apertando firme o volante, os olhos fixos na tela iluminada pelo mapa digital. — Por favor, que elas estejam bem…

O motor do carro ronronava baixo, e o som constante das rodas contra o asfalto misturava-se à própria respiração de John. Cada quilômetro percorrido aumentava a ansiedade, mas também a determinação. Ele sabia que precisava estar alerta, manter a calma e seguir exatamente o que fora ordenado.

Os prédios começaram a surgir ao longe, estruturas envelhecidas, janelas quebradas, portões de ferro enferrujados. A proximidade do porto trazia cheiro de mar misturado com óleo e ferrugem. John freou levemente, observando cada detalhe do mapa, calculando mentalmente possíveis rotas de fuga e pontos de vigilância.

— Estou chegando… — sussurrou para si mesmo, a voz quase inaudível, carregada de tensão e esperança. — Elizabeth… Mary, estou chegando.

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