Rubi
Eu subo as escadas carregando a bandeja como se fosse um escudo: bolachas de chocolate, pedaço do bolo de nozes que ele ama, chá calmante que a Cam jurou que ajuda. Vou falando alto antes mesmo de abrir a porta:
“Trouxe comida, lobo. Você precisa comer alguma coisa além de raiva hoje… sua mãe fez tudo que você mais ama só para...”
Mas eu paro de falar assim que percebo que a cama está fazia.
"Riuk?" falo antes de entrar de verdade.
Cama arrumada. Janela aberta. Ar frio entrando. Tem algo errado.
A bandeja treme na minha mão.
“Riuk?”
Silêncio.
Coloco a bandeja na mesinha de cabeceira, coração já disparado. Caminho lentamente até o banheiro, esperando que seja apenas um sentimento errado. Ele não pode simplesmente...
Minha loba choraminga, um som baixo, perdido. O laço… o laço tá lá, mas abafado, como se ele estivesse no Vazio de novo.
"Você não pode..."
Olho pra cama. Um papel dobrado sobre o travesseiro.
Eu sei o que é antes de tocar. Minhas mãos tremem, e as lágrimas já correm por meu rosto.
A letra dele. Rápida, nervosa, mas firme. Leio e releio, mas a única parte que me prende é o:
Eu te amo, Pecado. Pra sempre.
"Ele não pode ter me abandonado. Ele não faria isso, faria? Somos mais fortes juntos... foi o que ele disse... ele....
O papel cai da minha mão.
E o grito de dor que sai do meu peito misturado com o uivo rouco de minha loba, faz o chão do quarto tremer.
A porta está aberta, então em questão de minutos, Libby e Eron entram correndo, seguidos pela Cam, Ravenna, meu pai, Rael, Enoch.
"Rubi, o que aconteceu? Cade o Riuk?" sou bombardeada de palavras, mas não consigo responder nada. Apenas sentir o laço ficando cada vez mais fraco, e mais fraco.
Libby pega o papel do chão, lê rápido.
“Minha Deusa… ele ficou lá. Ele resolveu ficar no Vazio pra não colocar mais ninguém em perigo.”
"Não, meu menino não pode..." Cam começa a chorar junto comigo, e sinto mãos tentando me confortar, mas eu não consigo. Não posso acreditar que ele fez isso comigo.
Eu não escuto mais nada. Me desvencilho das pessoas que tentam me acalmar e corro.
Corro descalça, lágrimas voando, pelo corredor, escadas, porta dos fundos. Eu preciso impedi-lo de fazer isso. Preciso dizer que está tudo bem. Ele vai acreditar em mim, vai entender.
Chego ao hangar em segundo e começo a bater na porta.
Bato com os punhos. Depois com as garras, emitindo um som metálico assustador.
“RIUK! ABRE ESSA PORRA!” nada acontece.
"RIUK, ABRE ISSO AQUI AGORA." Continuo batendo com toda a força que tenho.
Enoch aparece com a chave, mãos tremendo.
"Calma, Rubi, eu vou abrir, mas não é assim que funciona, você sabe..." mas o ignoro, pedindo para ele ir logo.
Assim que a porta se abre, eu entro correndo, o coração na boca. Mas ele não está ali. Não tem nada. Nada além do cheiro frio de combustível, metal e poeira.

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