Riuk
Acordo com o sol entrando pela fresta da cortina e o peso perfeito do corpo dela colado no meu. Rubi dorme agarrada a mim, perna entrelaçada na minha, mão aberta na minha barriga, cabeça no meu peito. O cheiro dela tá em tudo. Lavanda, pele quente, casa.
Eu respiro fundo, lento, e percebo que é a primeira vez em semanas que acordo sem dor, sem sangue na boca, sem o Vazio me engolindo. O laço tá vivo, forte, quente. Não é sonho. Não é ilusão do Drevan. É real.
Aliso seu cabelo de leve, só para ter certeza, e o toque faz meu lobo ronronar de felicidade. Ela está aqui, conosco. No lugar onde sempre pertenceu.
Eu me viro de lado, com cuidado pra não acordar ela, e fico só olhando. O cabelo espalhado no travesseiro, a boca entreaberta, a mão ainda na minha barriga como se tivesse medo de eu sumir de novo. E então eu sinto. De novo. O segundo coraçãozinho batendo junto com o dela. Pequeno, rápido, perfeito.
Fecho os olhos e quase choro. Não é mais só ela. É eles. Meu filhote. O pedacinho dos dois crescendo ali, dentro da mulher que eu amo mais que a própria vida.
Meu lobo está exultante, andando de um lado pro outro dentro de mim, querendo uivar pro mundo inteiro. A magia flui tranquila, roxo-dourado nas veias, em perfeita harmonia com o lobo. Os dois casados, complementando, prontos pra qualquer coisa. Prontos pra proteger o que é nosso.
E em pensar que um dia foi difícil aceitar que existia mais do que um lobo em mim. Agora que sei lidar, parece natural, e me sinto um idiota de ter passado por tudo isso a força, por não ter tido coragem de encarar a minha linhagem mágica.
Eu beijo a testa dela, devagar, e saio da cama sem fazer barulho. Visto uma calça de moletom e uma camiseta velha. Preciso deixar ela dormir. Ela merece.
Desço as escadas e o cheiro de café fresco me recebe. Minha mãe e Ravenna estão na cozinha, rindo baixo, fazendo panqueca. Quando me veem, os olhos das duas se tornam ternos.
Cam larga a espátula e corre pra me abraçar.
“Meu filho… meu menino… Ainda parece um sonho que você está aqui.”
Eu abraço ela forte, beijo a testa.
“Digo o mesmo, parece que a qualquer momento, vou descobrir que isso é uma ilusão e cair naquele maldito lugar de novo.”
Ravenna se aproxima, abraça nós dois.
“Não é ilusão, querido. Você não tem ideia do quanto a gente rezou pra esse dia chegar.”
Eu sorrio, ainda com a mãe agarrada em mim.
“Lá o tempo é diferente. Parece que eu fiquei anos. Eu nem sabia se vocês ainda iam estar aqui quando voltasse.”
Cam me solta, enxuga as lágrimas.
“Estaremos sempre aqui, Riuk. Sempre. Não importa o que aconteça, vocês sempre têm para onde voltar.”
Ragnar entra na cozinha nesse momento, olha pra mim e dá um tapa no meu ombro.
“Bom dia, filho. Pronto pra colocar ordem nessa bagunça que o conselho tá fazendo?”
Eu rio.
“Pronto. Não aceitaram suas reparações do dia da caçada?" ele nega e bufo.
"O que querem então?" ele me corta com os olhos deixando claro que não quer falar sobre isso na frente das mulheres.
"Mas antes… a gente tem que resolver uma coisa.” ele diz e ergo a sobrancelha.
“Temos que fazer a união de vocês na frente de toda a alcateia. Para que eles também sintam o laço de vocês.” sorrio.
"Por mim tudo bem. Se quiser marcar para hoje, para mim está ótimo."
As duas arregalam os olhos.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apaixonada pelo Alfa Errado