Rubi
Libby praticamente me arrasta pra fora de casa às dez da manhã, olhos brilhando como se a gente tivesse quinze anos de novo.
“Hoje é dia de noiva, Rubi Peyton! Nada de ficar pensando em Atlas, empresa ou magia. Hoje é só vestido, flores e bolo.”
Eu rio, mesmo com o peito ainda apertado.
“Tá bom, tá bom… mas se eu chorar é culpa dos hormônios.”
Ela pisca.
“Chora o quanto quiser. Eu trouxe lencinho.”
"Vamos em quais lojas primeiro?" questiono entrando no carro.
"Ah, eu fiz uma extensa pesquisa e descobri umas maravilhas aqui em Denver. Só o melhor para as meninas Reynolds, que agora vão ser Peyton." nós duas gargalhamos.
"É tão estranho isso. Desculpa Libby, te considero mais minha irmã do que minha tia. Mas... cara, você está casando com meu ex. Minha tia está casando com meu ex." ela ri.
"E você se casando com seu cunhado. Que confusão na cabeça dos filhotes hein."
"Ninguém precisa saber os detalhes. Pelo amor da Deusa. Vamos manter tudo isso escondido dos pequenos." rimos de novo e passo os dedos pela minha barriga.
"Eu queria de verdade poder esquecer tudo o que aconteceu. Queria que desde o começo você tivesse ficado com o Riuk e não ter passado pelo que passou." ela fala pesando o clima.
"Tem coisas que não podemos explicar. Às vezes passar por isso foi o que nos trouxe onde estamos." ela concorda, estacionando o carro.
"Ainda assim, estou feliz por tudo que nos tornamos."
"Eu também."
Descemos do carro blindado do Ragnar, e paramos em frente a primeira loja: Atelier La Lune, loja chiquérrima que só abre com hora marcada pra noivas famosas.
A vendedora quase desmaia quando reconhece a Libby Reynolds.
“Senhorita Reynolds! É uma honra… duas vezes: a arquiteta mais famosa do país… e noiva do filho do Alfa!”
Libby sorri, toda profissional.
“Sim, mas reservei dois horários. Minha sobrinha e eu. União dupla.”
A mulher arregala os olhos.
“Sim ... sim... claro. Está tudo certinho aqui. Me acompanhem.”
Eu rio.
“Estou ansiosa para isso.”
"Eu também."
Primeiro vestido que veio foi para a Libby: um tomara-que-caia de seda off-white com bordado manual de folhas douradas que parece feito pra ela. Ela vira no espelho, olhos brilhando.
“E aí?”
“Você tá parecendo uma deusa grega que resolveu virar Luna,” digo, já com os olhos marejados.
Ela ri, mas também chora.
“Mas não tá grego demais?" dou risada de seu comentário, enquanto ela se vira novamente para o espelho.
"Eu achei que você ficou perfeita,"
"Mas... não sei, parece que..."
"Libby você tem que chamar atenção. Seu companheiro é o futuro alfa supremo. Se você for simples, vão achar que é fraca." ela olha para mim por cima do ombro. "Lembre-se de como me trataram quando eu estava com ele. Você tem que mostrar o que as Reynolds são."
"Vou fazer isso... então não é esse."
Eu experimento o meu primeiro: um modelo sereia, todo em renda francesa, decote coração, cauda longa. Quando viro pro espelho, minha respiração para.
“Rubi…” Libby sussurra. “Você tá… perfeita.”
Eu olho pro reflexo. A barriga ainda é quase nada, mas o vestido abraça exatamente onde precisa. A renda desce como cascata, brilhando suave.
“Você acha?" olho novamente para o espelho admirada com a forma que ficou.
"Eu achei que seria incrível esse modelo em você, mas se preferir podemos ver mais alguns." a atendente fala e olho para a Libby de novo.
"Ele tem que ficar em um talvez. Não descarte essa opção, você ficou maravilhosa nele." concordo.
Continuamos a provar mais e mais vestidos, mas parecia que sempre faltava algo. Andamos por mais algumas lojas que Libby deixou agendada. Até que chegamos na última loja do dia: um ateliê escondido numa rua lateral, fachada discreta, mas o interior parecia um jardim de inverno cheio de luz.
A dona, uma loba francesa chamada Madame Éloïse, nos recebeu como se já soubesse quem éramos.
“Duas noivas Reynolds,” disse, com sotaque delicioso. “Eu já esperava vocês.”
Libby foi primeiro.
Madame trouxe um vestido que tirou nosso fôlego.
Um tom de marfim quente na parte de cima, quase dourado sob a luz, que vai degradando suavemente pra um branco-prata luminoso na saia, como luar refletido na neve, corpete estruturado com bordado manual de lobos e luas em fio de prata, decote profundo nas costas. E a fenda. Minha Deusa, a fenda. Subia até o meio da coxa, revelando a perna inteira a cada passo.
Libby vestiu. Virou pro espelho.
E parou.
“Libby…” sussurro.
Ela tá… mortal. Poderosa. Como se tivesse nascido pra ser a Luna Suprema.
A saia fluida balança quando ela anda, a fenda abre e fecha como garra de loba. O corpete abraça o corpo dela como armadura de rainha.
“É esse,” ela diz, voz tremendo. “É esse.”

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