Rubi
O dia foi perfeito.
Riuk e eu passamos a tarde fora da mansão, coisa rara ultimamente. Caminhamos por uma lojinha discreta no centro da cidade, aquela que só lobos frequentam, cheia de roupinhas minúsculas, de tons neutros de bege, cinza e amarelo claro. Compramos o que nos encantou mais: um macacãozinho com orelhinhas de lobo bordadas, um par de meias tão pequenas que cabiam na palma da mão do Riuk.
Ele sorria toda vez que pegava uma peça, imaginando nosso filhote dentro dela.
Fizemos o exame de sangue também. Só por precaução. "Se eu surtar e não aguentar esperar até o parto, a gente tem o resultado guardado", eu disse, e ele riu, beijando minha testa enquanto assinávamos o pedido.
"O exame ficará pronto em 5 dias. Podem vir buscar nessa data." concordamos, enquanto saiamos do local.
"Pelo menos assim, não precisaremos fazer nada a s pressas." dei risada dando um tapa no braço dele.
"Se você não quisesse manter segredo até de nós,"
"Mas vai ser mais divertido, vida. Pensa só... a expectativa gostosa de saber que é nosso bebê." tento levar isso numa boa, mas ah... que frustrante.
Voltamos pra casa no fim da tarde, o sol dourado pintando tudo. Guardei as roupinhas no quarto, dobrando com cuidado no canto do armário que já virou "cantinho do bebê". Desci as escadas assobiando baixinho, o coração leve, a barriga parecendo mais redondinha só de felicidade.
E então vi Libby na sala de estar.
Ela estava de pé perto da janela, os braços cruzados, o rosto sério demais pro meu gosto. Quando me viu, veio direto e me abraçou forte, como se eu fosse desaparecer.
Eu ri no começo, retribuindo o abraço.
"Ei, o que foi isso? Saudade já?"
Mas ela não soltou logo. E quando soltou, os olhos dela estavam marejados.
"Você já tá sabendo?"
Eu franzi a testa.
"Sabendo do quê?"
Riuk apareceu na escada atrás de mim, parando no meio do caminho. Eu senti o ar mudar, ele ficou tenso, o cheiro dele carregado de alerta.
Libby olhou pra ele, desafiadora.
"O que está acontecendo?" Riuk a advertiu com o olhar, mas ela não recuou.
"Ela precisa saber. Você e o Eron têm que parar de tentar controlar tudo. Somos suas companheiras, não crianças. Temos direito de saber tudo que envolve vocês."
Eu me afastei um passo dela, o coração começando a acelerar sem eu entender por quê.
"Do que vocês estão falando?"
Libby virou pra Riuk de novo.
"Você vai contar, ou eu conto?"
Riuk desceu o resto da escada devagar, o maxilar travado. Um rosnado baixo escapou do peito dele, bravo, frustrado, quase doloroso.
"Você ia me contar quando? Na véspera? Ou ia simplesmente sumir e deixar uma carta?"
"Rubi..."
"Não." Eu levantei a mão, interrompendo. "Você prometeu transparência. Prometeu que depois de tudo que a gente passou, nada de segredos. E agora isso?"
Ele baixou a cabeça, os ombros caindo.
"Eu queria te dar mais uns dias de paz. Você e o bebê..."
"Paz?" Eu ri sem humor, uma lágrima escorrendo. "Você acha que eu teria paz sabendo que meu companheiro, o pai do meu filho, tá indo pra uma luta que pode não voltar?"
Libby apertou minha cintura.
"Eu disse o mesmo para o Eron. Não somos crianças, somos as parceiras de vida de vocês. Deveríamos saber quando tomaram a decisão." minha tia está tão pálida quanto eu.
Riuk ergueu os olhos, brilhando de emoção e determinação.
"Eu volto. Pra você. Pro nosso filhote. Eu volto, Rubi. Juro pela Deusa."
Eu quis acreditar. Quis tanto.
Mas o medo já tinha se instalado no peito, frio e pesado.
E eu sabia que aqueles dias de paz tinham acabado.

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