Riuk
Entro no quarto e encontro Rubi de pé na frente do espelho, vestindo um vestido leve de algodão que abraça a barriguinha de um jeito que me faz parar na porta só pra olhar. Ela está calçando um sapato baixo, o cabelo preso num coque bagunçado, linda como sempre.
"Amor, onde você vai?" pergunto, franzindo a testa.
Ela vira rápido, os olhos arregalados de quem lembrou algo de repente.
"Ai, Riuk... esqueci completamente de te falar. Hoje tem consulta. O ultrassom pra ver o bebê. Mas você estava treinando com o Eron e eu não quis incomodar."
Eu paro no meio do quarto, o peito apertando de raiva, não dela, nunca dela, mas de mim mesmo por não estar aqui quando ela precisou.
"Rubi." Minha voz sai mais séria do que eu queria. "Nunca, nunca mesmo, você vai me incomodar por causa disso. Eu nunca perderia uma consulta do nosso filhote. Nem essa, nem nenhuma. Pode me chamar sempre que precisar. Eu quero ir com você."
Ela morde o lábio, meio envergonhada.
"Tá bom... desculpa. Eu achei que você estivesse ocupado. É só rotina..." paro na frente dela e ergo seu queixo para mim.
"Nada é mais importante do que vocês em minha vida."
"Eu sei..." beijo de leve seus lábios e me afasto.
"Me dá um minuto. Tomo banho rápido, me arrumo e a gente vai juntos." falo já tirando a camisa suada do treino.
Ela sorri, aliviada.
"Tá bom. Te espero."
Corro pro banheiro, e tomo um banho recorde, em menos de 5 minutos. Volto pro quarto já vestindo uma calça jeans e puxando uma camiseta cinza pela cabeça. Nos pés já calcei um tênis sem meia.
"Pronto. Vamos?"
Ela pega minha mão, entrelaçando os dedos nos meus.
"Vamos."
Descemos as escadas assim, dedos apertados, como se a gente tivesse medo de soltar. A casa ainda está quieta, só o cheiro de café da manhã ecoando da cozinha. Saímos pro carro, eu abro a porta pra ela, ajudo ela a entrar com cuidado exagerado, ela ri e revira os olhos, mas deixa.
O caminho até a clínica é tranquilo. O sol da manhã b**e no para-brisa, música baixa no rádio. Eu dirijo com uma mão no volante, a outra na coxa dela.
"Me diz uma coisa," começo, olhando rápido pra ela. "O que passou na sua cabeça de achar que eu não ia querer ir?"
Ela dá de ombros, olhando pela janela.
"Sei lá, Riuk... ainda é meio surreal. Tudo isso. A gente casado, o bebê, a paz... parece que dentro da mansão suprema o mundo tá mais calmo. Mais seguro. Tenho medo de sair e... as coisas mudarem."
Eu rio baixo, levo a mão dela até minha boca e beijo os dedos devagar.
"Rubi, olha pra mim."
Ela vira, os olhos azuis cheios de sentimento.
"Você não precisa ter medo de nada. Eu vou garantir isso pra gente. Pra você, pro nosso filhote, pra nossa família. O mundo lá fora pode tentar o que quiser. Aqui dentro," aperto a mão dela contra meu peito, "e lá na mansão, tudo vai continuar perfeito. Eu prometo."
Ela sorri, os olhos marejando um pouquinho.
"Tá bom. Eu acredito em você."
Chegamos na clínica. A enfermeira chama rápido, leva a gente pra sala de ultrassom. O médico, um lobo mais velho da aliança, cumprimenta com respeito e já começa os exames de rotina.
"Tudo certo com os exames, senhora Peyton. Agora vamos ver o pequeno."
Ele passa o gel na barriga dela, o aparelho na pele.
Eu não entendo nada do que aparece no monitor, mas o médico seque medindo e escrevendo algumas coisas.
A tela pisca, e de repente... o som.
Tum-tum-tum-tum-tum.
Rápido, forte, perfeito.

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