Riuk
A viagem até as terras confiscadas foi longa, mas silenciosa, do tipo que a gente não precisa falar pra se entender. Rubi ao meu lado, olhando pela janela com aquele ar determinado que me apaixona desde sempre. Eu dirigindo, o lobo alerta, mas quieto. Gabriel e três lobos leais nos seguem no carro de trás.
Chegamos no fim da tarde à maior das alcateias, a antiga de Gregor. As quatro mansões principais estão espalhadas por vales e florestas diferentes, cada uma, centro de sua antiga matilha. Essa aqui, a central e mais imponente, é onde vamos ficar por enquanto: pedra cinza, torres baixas, jardins que já foram bem cuidados e agora estão meio selvagens. Não é castelo de conto de fadas, é fortaleza lupina. Prática. Forte.
O comitê de recepção não é exatamente caloroso.
Uma dúzia de lobos nos espera na entrada principal, líderes locais, lideres antigos, alguns com cara de quem perdeu tudo. Olhares desconfiados, braços cruzados. Nenhum uivo de saudação. O ar cheira a tensão, a fumaça de fogueiras distantes e a medo mal disfarçado.
Gabriel desce primeiro, apresenta.
"Boa tarde, senhores. Como foi informado por e-mail. A Aliança determinou um alfa interino para que seja administrado as terras, até que sejam designados os verdadeiros alfas para a região." ouço os bufares e os olhares atravessados. "Estes são: "Riuk Peyton, filho do Supremo Ragnar, e sua Luna Rubi Peyton."
"Os que começaram com toda a desgraça de nossa alcateia." alguém diz, e fecho a mão com força.
"Se sua alcateia tem o costume de tentar se sobrepor a liberdade de outros lobos, te garanto que teremos um convívio bem difícil." Olho para o lobo que me encara de volta. "Eu não estou aqui para pressionar ninguém, muito menos para tirar o que é de vocês. Mas também não admiti que tirassem minha companheira de mim. Não sei qual história foi contada ao seu povo, mas o filhote de seu alfa, tentou roubá-la, e eu nunca ia admitir. Ele foi fraco e perdeu para mim, assim como seu pai. Então vamos tentar manter as emoções fora disso, ou a Aliança responderá em meu nome."
Alguns abaixam a cabeça, outros simplesmente, fingem não ouvir. Olho para Rubi que está atenta a tudo, porém mais calma do que eu imaginava.
Um lobo mais velho, cicatrizes no rosto, dá um passo à frente.
"Filho do Supremo. Bem-vindo. Não queremos nenhum mal-entendido, estamos aqui por que queremos a reconstrução de nossa alcateia de forma justa. Sei que não sabemos todos os detalhes que se passaram, e sabemos também que sua versão é a verdadeira. Ainda assim nunca tivemos problemas com nosso alfa, e eramos uma alcateia plena e feliz, então tenha paciência. Gostaria de repassar que as terras estão... complicadas. Invasões nas fronteira norte. Duas casas queimadas ontem. Alguns ainda juram lealdade aos antigos alfas."
Eu assinto, voz grave.
"Eu sei. Por isso vim. Pra colocar ordem. Pra proteger até que o verdadeiro alfa assuma."
Silêncio. Alguns trocam olhares. Uma fêmea mais jovem, olhos baixos, murmura: "E a Luna?"
Rubi dá um passo à frente, mão ainda na barriga, sorriso calmo, mas firme.
"Eu vim pra ficar ao lado do meu alfa. Pra ajudar onde puder. Se alguém precisar de conselhos, comida, ou só um ombro pra chorar... estou aqui. Não queremos briga. Não queremos atrito. Meu companheiro deixou avisado que estávamos juntos e não ouviram, espero que escutem agora. Viemos para ajudar e não para tomar."
A fêmea sorri de leve, aliviada. Outros relaxam um pouco. Rubi tem esse dom, delicada, mas ninguém duvida da força dela.
"Nos sigam por favor, queremos repassar o que aconteceu nas últimas 48 horas."



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