Riuk
A noite estava calma pela primeira vez em dias.
Rubi dormia ao meu lado na cama enorme da mansão principal, o corpo dela colado no meu, a barriga pressionando de leve contra minhas costas. O bebê chutava de vez em quando, um lembrete vivo de por que eu tava ali, pra proteger isso. Nós. O sono veio pesado, exausto depois de mais um dia de reuniões tensas com os líderes locais, acalmando ânimos, organizando patrulhas.
Então o barulho.
Batidas fortes na porta principal, ecoando pela casa como trovão. Vozes gritando do lado de fora.
"Alfa! Ataque! Rebeldes dentro da alcateia!"
Eu acordo num pulo, o lobo já alerta, rosnando baixo no peito. Rubi senta na cama, olhos arregalados.
"Riuk..."
Eu pulo da cama, vestindo calça rápido.
"Fica aqui. Tranca a porta."
Mas as batidas continuam, agora com mais urgência. Um lobo grita: "São uns vinte! Estão se aproximando! Vão invadir a mansão!"
Fico puto. Furioso. Quem diabos acha que pode atacar assim, na primeira noite que eu durmo direito?
Pego Rubi pela mão, puxo ela comigo pro corredor, minha magia já pronta para arrancar a cabeça dos desgraçados que se atreveram a chegar tão perto.
"Tem algum lugar seguro pra ela?" pergunto pro lobo que irrompe pela escada.
Ele assente, ofegante.
"Sim, alfa. O porão antigo. Reforçado, escondido. Talvez esteja um pouco sujo, mas..."
Meu lobo aprova na hora, instinto protetor gritando. Levo Rubi escada abaixo, pela cozinha, até uma porta discreta atrás de uma estante. Abro, inspeciono rápido: quarto pequeno, seco, com suprimentos antigos, uma saída de emergência trancada. Seguro..
"Fica aqui, amor. Tranca por dentro. Não sai até eu voltar."
Ela me encara, olhos cheios de medo.
"Não se preocupa comigo. Fique seguro, por favor. Faça o seu melhor e volte para nós."
Eu a beijo desesperado, mãos no rosto dela, sentindo o gosto de lágrimas.
"Sempre. Eu te amo."
Fecho a porta. E então, sem ela ver, passo a mão na fechadura. Magia infiltra sutil, um selo azul-prateado invisível a olhos não mágicos, forte o suficiente pra barrar qualquer um que não seja eu. Ninguém percebe.
Mas agora eu tenho certeza que ninguém entra ali, a não ser eu.
"Isso é impossível..." alguém grita mais a fundo. Então deixo meu lobo e a magia se fundirem, e bato minhas patas com força no chão, o pulso azul eletrificando todo o território.
Isso quebra eles. Os rebeldes restantes fogem, uivando retirada, deixando corpos no chão.
Eu volto à forma humana, ofegante, sangrando. Meus lobos comemoram, mas eu só penso nela.
"Alfa por que não disse antes, nós..." mas não termino de ouvir.
Corro de volta, abro o selo invisível, e entro no esconderijo.
"Rubi..." chamo por ela que corre até mim, e me abraça forte, chorando.
"Você tá bem..."
Eu a aperto, beijo a testa dela.
"Estou... acabou por enquanto..."
Meu lobo rosna satisfeito.
Mas eu sei: isso é só o começo.

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