Laura
Eu não tirei os olhos dele nem por um segundo.
O quarto estava silencioso, só o bip constante dos monitores e o cheiro de ervas estranhas no ar. Libby tinha saído há uns minutos, desde que o médico tinha passado e dito que os movimentos de Enoch eram apenas reflexos e que talvez ele demorasse mais um ou dois dias para acordar. Eu fiquei ali, sentada na cadeira ao lado da cama, mão na dele, esperando. Rezando. Chorando baixinho de vez em quando.
E então aconteceu.
Os dedos dele apertaram os meus de leve. Fraco, mas real.
Meu coração disparou.
"Enoch?"
Os olhos dele se abriram devagar, confusos, piscando contra a luz suave. Dourados. Por um segundo, pareciam brilhar dourado de verdade, como se tivessem luz própria. Eu pisquei, achando que era ilusão, cansaço.
Ele focou em mim, um sorriso fraco surgindo nos lábios rachados.
"Laura... minha humana..."
Eu ri chorando, apertando a mão dele.
"Enoch, você acordou!"
"O que aconteceu, onde estamos?" ele parecia tão confuso, tão frágil.
"No hospital. Sofremos um acidente na obra. Você... você foi arremessado... eu não sei explicar."
"Não precisa, agora eu não quero saber dos detalhes, só preciso saber se você está bem."
"Estou... estou sim, só morta de preocupação com você."
"Não precisa, minha humana. Não precisa se preocupar comigo." ele sorriu de novo.
"Sua humana? Você tá delirando, Enoch?"
Ele tentou se mexer, mas virou uma careta de dor.
"Talvez... um pouco."
Eu me inclinei, beijando a testa dele com cuidado.
"Você me assustou pra caralho. Não faz mais isso."
"Desculpa...", sussurrou, voz rouca. "Não queria preocupar ninguém? Meus pais e meus irmãos já sabem?"
"Sim, todos sabem. Estão vindo para cá, mas parece que Eron também se machucou. Foi uma confusão." apertei um pouco mais sua mão.
"Ele está bem? O que houve com ele?"
"Eu não sei bem, parece que se queimou. Libby está aflita."
"Ela está aqui?" ele tentou se mover de novo, e uma nova careta apareceu.
"Fica quieto, homem. Ou vai abrir seus machucados de novo." ele se analisou por um segundo e então voltou a me olhar. "Acho que agora eu quero saber o que aconteceu."
Eu respirei fundo, contando tudo, o vento forte do nada, a rajada que nos arremessou, ele batendo nas máquinas, o sangue, a ambulância, a cirurgia. Ele ouvia atento, olhos semicerrados, mas quando mencionei o vento, algo passou no rosto dele.
"Quanto tempo... eu estou apagado?"
"Umas doze horas, mais ou menos. Foi uma cirurgia longa. Hemorragia interna, ossos quebrados... você tá todo remendado. Fiquei apavorada que você não conseguisse."
Ele assentiu devagar, olhando pro teto.
"Obrigado... por ficar."
Eu sorri, limpando uma lágrima.
"Não ia embora, seu idiota."
Mas aí a raiva veio, misturada com alívio.
"Mas falando em idiota... por que você nunca me contou que é um príncipe?"


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