Enoch
Acordei de novo com um sobressalto.
O quarto estava vazio. A cadeira ao lado da cama, onde Laura tinha estado, agora fria. O sofá-cama puxado, cobertor dobrado direitinho. Ela não tava ali.
Meu lobo agitou no peito, ansioso. Onde ela foi?
Tentei me mexer, esperando a dor explodir como antes. Mas... não. Doía, sim, mas menos. Muito menos. Levantei o braço com cuidado, as bandagens ainda lá, mas a pele por baixo parecia... fechada. Cicatrizando rápido demais. Dias de cura em horas.
Merda. A regeneração lupina tava a todo vapor nesse hospital da alcateia. Bom sinal, mas também lembrete cruel do que eu era. Do que eu escondia dela.
Apertei o botão de chamada na cabeceira. Segundos depois, a porta se abriu e uma enfermeira entrou, jovem, olhos respeitosos.
"No que posso ajudar, senhor Enoch?"
"Você viu a humana que tava aqui comigo? Laura. Onde ela foi?"
Ela sorriu suave.
"Ela tinha uma tomografia marcada. Bateu a cabeça no acidente. A primeira que foi feita, no hospital humano, não mostrou nada, mas o médico preferiu repetir aqui, com nossos aparelhos, pra tirar qualquer dúvida. Ela está bem, foi só por precaução."
Meu sangue gelou.
"Bateu a cabeça? Ela...tá machucada?"
A enfermeira assentiu.
"Concussão leve, provavelmente. Mas tá tudo sob controle. Ela veio para cá já de alta, e não saiu do seu lado, em momento algum. A sua cunhada que pediu para os médicos darem uma olhada nos exames dela, para nada ter passado despercebido."
Por que ela não me contou? Eu tava todo quebrado, mas ela... escondendo dor pra não me preocupar?
"Quando o exame acabar, peça pro médico vir falar comigo. Imediatamente."
"Claro, senhor."
"E minha cunhada? Libby?"
"A senhora Libby tá no aeroporto. Aparentemente, o resto de sua família tá pousando agora."
Concordei, recostando nos travesseiros.
"Obrigado."
Ela saiu, e eu fiquei ali, olhando pro teto.
Como eu não reparei que ela tava ferida? Que merda de lobo eu sou pra não notar que a mulher que eu tô afim tá machucada? Eu todo quebrado, mas ela... humana, frágil. Se eu tô assim, imagina ela. Merda.
Minutos se passaram, longos, cheios de culpa. Meu lobo rosnava baixo, querendo ela de volta. Querendo proteger. Querendo abraçar, e inspecionar cada pedacinho daquele corpo.
A porta se abriu de novo.
Mas não era Laura.
Era minha mãe.
Cam entrou como uma rajada, olhos marejados, correndo pra cama e me abraçando forte, cuidado com as bandagens, mas apertado o suficiente pra eu sentir o amor.


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