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Apaixonada pelo Alfa Errado romance Capítulo 172

Enoch

Acordei de novo com um sobressalto.

O quarto estava vazio. A cadeira ao lado da cama, onde Laura tinha estado, agora fria. O sofá-cama puxado, cobertor dobrado direitinho. Ela não tava ali.

Meu lobo agitou no peito, ansioso. Onde ela foi?

Tentei me mexer, esperando a dor explodir como antes. Mas... não. Doía, sim, mas menos. Muito menos. Levantei o braço com cuidado, as bandagens ainda lá, mas a pele por baixo parecia... fechada. Cicatrizando rápido demais. Dias de cura em horas.

Merda. A regeneração lupina tava a todo vapor nesse hospital da alcateia. Bom sinal, mas também lembrete cruel do que eu era. Do que eu escondia dela.

Apertei o botão de chamada na cabeceira. Segundos depois, a porta se abriu e uma enfermeira entrou, jovem, olhos respeitosos.

"No que posso ajudar, senhor Enoch?"

"Você viu a humana que tava aqui comigo? Laura. Onde ela foi?"

Ela sorriu suave.

"Ela tinha uma tomografia marcada. Bateu a cabeça no acidente. A primeira que foi feita, no hospital humano, não mostrou nada, mas o médico preferiu repetir aqui, com nossos aparelhos, pra tirar qualquer dúvida. Ela está bem, foi só por precaução."

Meu sangue gelou.

"Bateu a cabeça? Ela...tá machucada?"

A enfermeira assentiu.

"Concussão leve, provavelmente. Mas tá tudo sob controle. Ela veio para cá já de alta, e não saiu do seu lado, em momento algum. A sua cunhada que pediu para os médicos darem uma olhada nos exames dela, para nada ter passado despercebido."

Por que ela não me contou? Eu tava todo quebrado, mas ela... escondendo dor pra não me preocupar?

"Quando o exame acabar, peça pro médico vir falar comigo. Imediatamente."

"Claro, senhor."

"E minha cunhada? Libby?"

"A senhora Libby tá no aeroporto. Aparentemente, o resto de sua família tá pousando agora."

Concordei, recostando nos travesseiros.

"Obrigado."

Ela saiu, e eu fiquei ali, olhando pro teto.

Como eu não reparei que ela tava ferida? Que merda de lobo eu sou pra não notar que a mulher que eu tô afim tá machucada? Eu todo quebrado, mas ela... humana, frágil. Se eu tô assim, imagina ela. Merda.

Minutos se passaram, longos, cheios de culpa. Meu lobo rosnava baixo, querendo ela de volta. Querendo proteger. Querendo abraçar, e inspecionar cada pedacinho daquele corpo.

A porta se abriu de novo.

Mas não era Laura.

Era minha mãe.

Cam entrou como uma rajada, olhos marejados, correndo pra cama e me abraçando forte, cuidado com as bandagens, mas apertado o suficiente pra eu sentir o amor.

Eu assenti, virando pra Riuk.

"E comigo... foi ele também?"

Riuk baixou os olhos.

"Atlas armou pra você. Quando eu o matei, ele tinha uma cartada final, uma visão, uma emboscada de ar. Mas... a onda de choque que derrubou você e a Laura... foi minha magia. Eu feri você, Enoch. Desculpa."

Eu apertei a mão dele.

"Não tem problema, maninho. Você salvou a gente. Matou o desgraçado. Eu só tô preocupado com Laura. Ela se machucou também, bateu a cabeça. Tá fazendo exame agora."

Rubi arregalou os olhos, mão na barriga.

"Laura? Onde ela tá?"

Antes que alguém respondesse, a porta se abriu.

Laura entrou no quarto e congelou na porta, olhos arregalados vendo todo mundo, mas focando em Rubi.

"Não acredito que não me contou que tá grávida!"

A voz saiu mais alta do que pretendia, surpresa pura, alegria misturada com traição de amiga.

Todo mundo virou pra ela ao mesmo tempo.

E o quarto, que segundos antes era caos de vozes familiares, ficou em silêncio absoluto.

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