Enoch
Laura saiu do quarto como se tivesse levado um soco.
Eu vi nos olhos dela, mágoa, confusão, traição. E eu ali, preso na cama, todo enfaixado e fraco, sem poder correr atrás.
Meu lobo rosnou baixo no peito, ansioso, querendo pular da cama e ir atrás dela. Proteger. Explicar. Abraçar até ela entender que nada disso era pra afastar ela.
Mas antes que eu tentasse me levantar, Riuk e Eron me seguraram pelos ombros.
"Calma, irmão", Riuk disse, voz baixa, mas firme. "Deixa a Rubi resolver. Ela sabe lidar com isso. Elas são amigas há tempo. Vai ficar tudo bem. Não se preocupe."
Eu bufei, dor latejando no peito.
"Ficar tudo bem? Ela tá magoada pra caralho, Riuk. Achou que a Rubi não confiava nela. E agora vai achar que eu também escondo as coisas dela. E eu escondo, mas não é como se eu tivesse alguma alternativa com relação a isso. Ela já tá desconfiada do nosso mundo. Tenho medo que descubra da pior forma."
Libby, do lado do Eron, suspirou.
"Tentei explicar alguma coisa. Falei da 'realeza', do pai como Supremo, dos filhos como príncipes. Mas ela ainda não entendeu tudo. Acho que nem vai... a não ser que você mostre."
Meu pai, cruzou os braços, voz grave como sempre.
"Não é bom contar pra ela agora, Enoch. É muito cedo. Se o relacionamento não der certo, ela pode acabar contando pra alguém. Vão achar que é louca, ou pior, vão investigar. A gente tem que tomar cuidado. A alcateia inteira depende do segredo."
Eu tentei rebater, a voz saindo rouca de frustração.
"Mas pai, ela não é assim. Ela não ia contar pra ninguém. E eu... eu gosto dela. Muito. Não é capricho. Sei lá, só sei que posso confiar nela."
Ele me olhou firme, mas com carinho.
"Eu sei, filho. Vejo nos seus olhos. Mas você sabe as regras. Humanos fora do círculo... são alto risco. Tem que ser aos poucos. Precisa achar a melhor forma de proteger ela, e proteger a gente."
Minha mãe, sentada na beira da cama, apertou minha mão.
"Seu pai tem razão, meu amor. A gente já perdeu muito com Atlas. Não podemos arriscar mais."
Eu bufei, recostando nos travesseiros, sabendo que eles tinham razão. Meu lobo rosnava discordando, mas a cabeça... a cabeça sabia. Não podia colocar Laura em perigo por impulsividade.
Eron, enfaixado, mas com o sorriso de sempre, soltou:
"Uma humana? Olha, você sempre gosta de ser o diferentão da família, hein?"
Todos riram, até eu, apesar da dor. O clima aliviou um segundo, o quarto cheio de risadas familiares.
Mas logo pesou de novo.
Ragnar pigarreou, sério.
"Você sabe, Enoch. Se quiser mesmo continuar com esse relacionamento... ela terá duas escolhas a seguir."
Eu engoli em seco. Sabia. Todo mundo sabia.
Ou ela aceitava o mundo lupino e era marcada como companheira... ou, se mantinha como uma humana, mas não teria a longevidade de um lobo, e nossos filhos teriam as chateações de serem híbridos e serem marcados como tal.
"Melhor impossível." ela se aproximou sem jeito pegando minha mão, e meus irmãos deram espaço para ela.
"Bom acho que devo as devidas presentações. Meus irmãos idiotas você já conhece, assim como minhas doces cunhadas." todos riram. "Esse é meu pai, Ragnar, e essa minha mãe, Cameron. Alfa, Luna, essa é a Laura, minha..." olhei para ela, e ela sorriu de lado.
"Amiga. Trabalhamos juntos. Eu estava presente no acidente."
"A conta outra Laura, tudo que vocês não são é amigos." Eron falou, e ela ficou vermelha no mesmo instante.
"Cala a boca, Eron. Nós estamo nos conhecendo. Para de atropelar as coisas. E sim, somos amigos." apertei a mão dela.
"Obrigada por cuidar dele por mim. Eu fiquei desesperada quando soube o que tinha acontecido. E estávamos tão longe. Sei que foi muito importante para ele saber que não estava sozinho."
"Eu... não foi nada. Eu só fiz o que ele teria feito por mim, se tivesse acontecido o contrário." ela me olhou.
"Se eu tivesse percebido, não teria deixado você se machucar. Me desculpa." falei sem jeito.
"Não tinha como você saber." mas sempre tem. Nosso faro para as coisas erradas sempre está ativo, mas no momento minha atenção estava apenas nela.
"Vamos esquecer isso, o que passou...passou. Agora é hora de comemorar a recuperação de vocês." Riuk falou. " E com isso vamos sair, e deixar você descansar. Vou levar todo mundo pra meu apartamento. Mas acho que vou ter que alugar um lugar maior para vocês. Não vai caber todo mundo."
"Espero que logo eu esteja lá com vocês." falei me despedindo de todos, mas pedindo pelos olhos para ela ficar.
"Eu vou ficar mais um pouco, depois eu me encontro com você Rubi, para tomar o café que me prometeu."
"Acho bom." todos saíram e ficamos apenas eu e ela, e era como se tudo estivesse calmo novamente.

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