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Apaixonada pelo Alfa Errado romance Capítulo 173

Laura

O silêncio no quarto era ensurdecedor.

Todo mundo me olhando como se eu tivesse invadido um ritual secreto. Cam com os olhos marejados, Ragnar sério como sempre, Riuk protetor ao lado da Rubi, Eron enfaixado tentando sorrir, Libby preocupada. E Rubi... Rubi com a mão na barriga, olhos grandes, surpresa misturada com culpa.

Meu rosto queimou. Eu não pretendia entrar como uma bomba, mas ver ela ali, grávida, barriga redonda e óbvia, depois de anos de amizade sem ela me contar... doeu. Doeu pra caralho.

"Desculpa... eu não quis interromper", murmurei, dando um passo pra trás. "Só... me desculpem. Eu só fiquei surpresa. Já estou saindo."

"Não, fica. Pode ficar. Você esteve cuidando do meu filho, desde que tudo aconteceu. É bem-vinda aqui." A mãe dele falou.

Rubi piscou, mão na barriga como se protegendo.

"Laura... eu quis contar. Juro. Mas não podia. Era perigoso. Com tudo acontecendo... eu não queria colocar você em risco."

Perigoso? O que ela tava falando? Meu estômago revirou.

"Perigoso? Somos amigas, Rubi. Ou pelo menos eu achava que éramos. Você escondeu isso de mim. Uma gravidez! Eu teria ficado feliz por você, te ajudado... mas você não confiou em mim."

As lágrimas vieram sem aviso, quentes e furiosas. O quarto inteiro ficou tenso, todos olhando pra nós como se não soubessem o que fazer.

Rubi deu um passo pra frente, voz tremendo.

"Laura, espera..."

Mas eu já tava saindo. Virei as costas, porta batendo atrás de mim, correndo pelo corredor como se pudesse fugir da mágoa. Meu peito apertava, as lágrimas borrando tudo.

Amigas. Ela era uma das poucas pessoas que eu confiava de verdade nesse mundo louco, e agora isso. Gravidez escondida, família secreta, hospital misterioso... o que mais eles escondiam?

"Laura! Espera!"

Ouvi a voz dela atrás de mim. Parei no final do corredor, perto de uma janela com vista pras colinas escuras, enxugando o rosto com raiva.

Rubi me alcançou ofegante, olhos cheios de lágrimas também.

"Por favor... não vai embora assim. Me deixa explicar."

Eu cruzei os braços, voz quebrada.

"Explicar o quê? Que você não confia em mim? Que agora que você encontrou o amor da sua vida, não precisa mais de mim? Eu entendo, Rubi. Vocês têm segredos. Mas isso... uma gravidez... dói. Eu teria guardado segredo se você pedisse. Teria ficado do seu lado."

Ela balançou a cabeça, lágrimas escorrendo.

"Não é isso. Não é falta de confiança. É medo. Medo puro. Atlas... ele queria destruir tudo que o Riuk ama. Se ele soubesse da gravidez, se soubesse que eu tava vulnerável... ele viria atrás de mim. E até mesmo de você. Cortei contato para te afastar do perigo que ele era. Do bebê. Eu não contei pra ninguém fora da família. Nem pras minhas amigas mais antigas. Foi pra proteger vocês também. Se você soubesse... se algo acontecesse..."

Sua voz quebrou, mão tremendo.

Eu senti o aperto no peito afrouxar um pouco. Medo. Eu via nos olhos dela. O mesmo medo que eu senti quando o vento nos atingiu, quando vi Enoch sangrando.

"Mas... por que não me contou depois? Quando as coisas acalmaram?"

Ela deu um passo mais perto, voz baixa.

"Não acalmaram. Não até agora. Riuk tava lutando lá fora, Eron ferido, Enoch... deuses, Enoch quase morto. Eu tava de mãos atadas, sozinha, com medo de perder o bebê. Eu quis te ligar mil vezes, Laura. Quis contar sobre os chutes, sobre o enjoo, sobre como eu tava apavorada. Mas cada vez que eu pegava o telefone, pensava: e se Atlas interceptar? E se colocar você em perigo? Eu não suportaria se algo acontecesse por minha causa.".

"Eu me sinto sozinha nisso tudo, Rubi. Vocês têm segredos, hospitais particulares, aviões... e eu? Eu tô aqui porque gosto do Enoch, mas me sinto uma intrusa."

Rubi chorou de vez, aproximando e pegando minhas mãos.

"Você não é intrusa. Você é amiga. Minha amiga. Eu sinto sua falta todo dia. Queria você aqui pra me ajudar a escolher nomes, pra me dizer que tô sendo paranoica com o bebê. Eu quis contar, Laura. Juro pela Deusa. Mas o medo... o medo me parou. Desculpa. Me perdoa?"

As lágrimas dela me quebraram. Eu abracei ela forte, cuidado com a barriga, chorando junto.

173. Reencontro 1

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