Laura
O segundo risco apareceu tão rápido que eu quase desejei que fosse ilusão. Pisquei. Pisquei de novo. Mas ele continuava ali, firme, nítido, quase debochado.
"Não." A palavra escapou muda, só mexeu meus lábios. "Não pode ser."
Minhas pernas tremiam, e minhas mãos estavam frias demais para alguém que acabara de ter a vida virada do avesso. Eu e Enoch. Nós dois. A gente terminou justamente porque… porque eu não queria passar por isso. Porque eu não tinha espaço na minha vida para aquilo. Porque eu morria de medo de colocar alguém no mundo quando eu mal conseguia manter a mim mesma inteira.
E como era possível?
Nós nos protegemos todas às vezes. Todas… menos uma. Uma única, em que ele me puxou pela cintura, e me encostou na parede e eu estava tão perdida, tão entregue, que nem lembrei de checar nada depois. E eu tomava anticoncepcional. Eu tomava. Eu…
"Merda." A voz saiu falha.
Encostei o teste na pia e me sentei no chão do banheiro, ainda com a calcinha na altura dos joelhos. Meu coração parecia um bicho preso, correndo de um lado para o outro sem encontrar saída.
Três meses desde que ele foi embora. Três meses de quase silêncio. Mensagens curtas, frias, educadas demais para duas pessoas que já tinham sido fogo.
Como eu ia contar isso para ele?
Pera... como que respira?
Levantei devagar, lavei o rosto, mas o espelho devolveu uma estranha. Alguém pálida, tensa e carregando um segredo que pesava mais do que a sala inteira.
"Meu Deus, ele vai surtar... ele... ah, o que eu faço agora." levei a mão na barriga, virando de lado para ver se já tinha alguma coisa diferente. Olhei no espelho, mas ela continuava igual.
"Como você se enfiou ai dentro?" questionei, e me repreendi. "Tá, a mamãe não é burra assim, eu sei como... mas como?" eu não sabia se ria ou se chorava.
Eu precisava de alguém. Precisava da Rubi.
Ela sempre soube desmontar minhas tempestades com meia dúzia de palavras e aquela sinceridade que vinha sem pedir licença. E, além disso… ela estava grávida, radiante, enorme. Talvez ela… entendesse. Ou me julgasse. Ou me abraçasse. Ou tudo junto.
Me arrumei sem pensar, só coloquei a primeira roupa limpa que encontrei e fui direto para a empresa.
O caos estava em todo lugar. Cartazes novos, gente desconhecida, os novos donos andando com tablets e caras apressadas. A equipe de transição falava alto demais, rápido demais, decidindo sobre vidas e cargos como quem escolhe cor de cortina.
Eu ainda não tinha respondido se ficaria depois da mudança. Não sabia mais nada. Agora então, eu nem sabia o que faria amanhã.
Foi então que vi Rubi.


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